Israel pode estar fornecendo apoio de inteligência aos ucranianos

Em relatório recente, foi revelado que Israel já está participando ativamente do conflito ucraniano. Uma fonte de Tel Aviv diz que uma empresa israelense privada estaria dando às forças ucranianas algumas informações estratégicas sobre as posições das tropas russas no campo de batalha, garantindo a Kiev uma vantagem no planejamento de ataques. Este tipo de ação parece ter começado ou pelo menos se intensificado, como resposta à crescente cooperação irano-russa no fornecimento de drones militares.

Em 12 de outubro, o The New York Times publicou um artigo no qual menciona que Israel está fornecendo dados de “inteligência básica” para a Ucrânia. O texto é baseado em informações fornecidas por um alto funcionário anônimo do governo israelense, que foi supostamente entrevistado pelo jornal.

O serviço de coleta de dados seria operado via satélite por uma empresa de inteligência israelense, que também não foi identificada pela fonte. As imagens recebidas por satélite identificariam as posições das tropas e equipamentos russos, incluindo drones iranianos, o que permitiria a Kiev operar ataques contra-ofensivos com mais rapidez e sucesso. Apesar de ser uma empresa privada, existe uma grande cooperação entre agentes estatais e não estatais em Israel para fins de defesa, portanto é possível que o governo esteja agindo em conluio.

Curiosamente, no mesmo dia em que o artigo foi publicado, a mídia ucraniana noticiou o sucesso no abate de cinqüenta drones suicidas usados pelas forças russas, a maioria deles de fabricação iraniana. Não há dados concretos de fontes russas ou neutras para calcular o número exato de equipamentos abatidos e confirmar a veracidade das alegações ucranianas, no entanto, se há realmente uma alta incidência de derrubada de drones pelas forças de Kiev, o fato pode ser uma evidência de que o relatório feito pelo NYT é preciso.

É importante notar que, apesar de ser um aliado absoluto da OTAN e das forças ocidentais, Israel procurou manter uma postura equilibrada no conflito russo-ucraniano, tentando conciliar sua posição geopolítica com seus interesses estratégicos em manter laços pragmáticos com Moscou. Entretanto, a situação diplomática bilateral pode ter iniciado uma nova fase de deterioração desde setembro, quando as forças de Moscou começaram a utilizar drones suicidas iranianos na operação militar especial. Considerando que Teerã é um inimigo direto de Israel, a cooperação militar russo-iraniana parece estar alimentando tensões entre Moscou e Tel Aviv.

Qualquer melhoria que estaria ocorrendo na defesa aérea ucraniana com tais dados recebidos de Israel parece totalmente ineficaz diante do poder avassalador dos drones iranianos usados pelos russos. Uma parte considerável dos recentes ataques aéreos russos foi realizada exclusivamente por aeronaves Shahed-136, com as forças de Moscou obtendo grande sucesso na neutralização dos alvos estratégicos ucranianos sem o uso de aeronaves tripuladas. Tal é o poder desses drones que recentemente a defesa aérea ucraniana começou a usar aviões de caça para abatê-los. De fato, o uso de aviões de caça, cujo valor de mercado é muito alto, para abater drones baratos não soa apenas como um erro estratégico, mas um ato verdadeiramente desesperado e irracional, o que torna evidente que Kiev ainda está sofrendo sérias perdas com o Shahed-136.

Entretanto, independentemente do nível real de apoio dado por Israel a Kiev, o que realmente importa é analisar como Tel Aviv está se preparando para participar de um conflito que não trará nenhum benefício a ela. Apoiar a Ucrânia simplesmente fará do Estado sionista um cúmplice de um regime neonazista onde práticas racistas e antissemitas se tornaram comuns nos últimos oito anos, o que certamente não agradará à população israelense.

De fato, Israel e Ucrânia, apesar de aliados, tiveram seus laços por vezes criticados pelo povo israelense devido ao crescimento exponencial do neonazismo em Kiev. Em várias ocasiões, os judeus promoveram protestos maciços em Israel para exigir mudanças na política externa do país para que qualquer apoio às forças neonazistas e antissemitas terminasse.

Além disso, a escalada das tensões com a Rússia apenas para prejudicar o Irã não parece de forma alguma interessante. Ambos os países têm conflitos de interesse muito claros em várias regiões, principalmente na Síria, e uma deterioração diplomática poderia ter conseqüências negativas significativas. Também é importante lembrar que nenhuma ação de Israel na Ucrânia poderá prejudicar diretamente o Irã, pois o sucesso prático dos drones já cumpriu os planos de Teerã e elevou o valor de mercado e a demanda pelo Shahed-136.

O melhor que Israel pode fazer é evitar participar da escalada irresponsável promovida pelo Ocidente e recusar-se a apoiar abertamente os regimes neonazistas.

Fonte: Infobrics

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Lucas Leiroz

Ativista da NR, analista geopolítico e colunista da InfoBrics.

Artigos: 593

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