Sergey Lavrov afirma que EUA mentem ao falar sobre propostas de paz

Durante uma coletiva de imprensa em 11 de outubro, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, criticou severamente o recente discurso norte-americano de que Moscou havia rejeitado propostas de paz supostamente oferecidas pelo Ocidente. O ministro afirmou que nenhuma proposta séria foi feita por Washington, portanto, não houve relutância russa em negociar a paz.

Lavrov afirmou que os americanos de fato fizeram algumas ligações, mas não mostraram nenhuma proposta concreta de paz durante as negociações. Segundo ele, nem mesmo esses apelos foram ignorados, tendo Moscou respondido, mostrando vontade de continuar o diálogo para buscar a formulação de um plano específico que beneficie ambas as partes. No entanto, o Ocidente mostrou-se desinteressado em iniciar conversas nesse sentido.

“Isso é mentira [que a Rússia se recusa a negociar]. Não recebemos nenhuma proposta séria para entrar em contato. Houve algumas chamadas não muito sérias, às quais também não respondemos negativamente, mas nos oferecemos para formular propostas específicas, com que algumas pessoas querem nos contatar por meio de contatos indiretos. E, neste caso, não recebemos explicações mais específicas de ninguém”, disse.

Um dia antes da entrevista de Lavrov, o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional dos EUA, John Kirby, reiterou publicamente que Moscou não estava respondendo aos pedidos dos EUA por negociações. Anteriormente, alguns funcionários e jornalistas dos EUA já haviam dito que não haveria mais diálogo, pois o governo russo não estava interessado em nenhuma proposta. Mas a Rússia não endossa essa narrativa e afirma que nenhuma proposta dos EUA foi apresentada.

Os jornalistas também pediram a opinião de Lavrov sobre a possibilidade de retomar as negociações de paz com a Turquia como mediadora, dados os recentes rumores de que Ancara está planejando uma nova negociação para o conflito. Segundo Lavrov, nenhum funcionário russo recebeu ainda qualquer informação sobre tal iniciativa, mas deixou clara a disposição russa de negociar se as propostas parecerem razoáveis. Ele afirmou que o encontro entre Putin e Erdogan em Astana seria uma boa oportunidade para esclarecer esse assunto.

Sobre a decisão ucraniana de não continuar qualquer forma de diálogo com a Rússia e vetar as negociações de paz, Lavrov ressaltou que não parece ser algo realmente resoluto. Para ele, as decisões de Zelensky podem mudar a qualquer momento, dependendo de uma série de fatores, principalmente seu “humor”, considerando a instabilidade já demonstrada por Zelensky até agora, e as ordens que receberá do Ocidente em um futuro próximo. Para Lavrov, se as potências ocidentais ordenarem que Zelensky inicie negociações de paz, ele simplesmente aceitará e pedirá para falar com Moscou.

“Não descarto que ele, que se proibiu [de falar com a Rússia], depois se esqueça disso, dependendo do seu humor quando se levanta de manhã e do que faz. Bem, ou ele receberá uma ordem de Washington, de Londres — ele dirá ‘Sim’ e descobrirá como explicar tudo isso para não perder a cara”, disse Lavrov.

O veto às negociações de paz é justamente uma consequência das ordens recebidas pelo Ocidente, que é o lado menos disposto a negociar e que mais busca escalar o conflito. Assim, se a opinião dos líderes ocidentais sobre a direção das negociações de paz eventualmente mudar, espera-se que Zelensky repense o veto e de repente peça para falar com Moscou.

A narrativa de que “Moscou não quer negociar” foi difundida justamente para justificar novas ações de apoio à participação ativa de Kiev e do Ocidente no conflito. Em muitas ocasiões, o Ocidente deixou claro que quanto mais durar a luta, mais benéfico será para os interesses da OTAN, pois, diante da impossibilidade de derrotar militarmente a Rússia, o que se busca é simplesmente prolongar a situação de instabilidade de segurança no ambiente estratégico russo.

Desde fevereiro, o lado russo é o único a buscar ativamente as negociações de paz. Para interromper a operação militar especial, Moscou deixa claro que espera apenas que uma lista de requisitos seja cumprida. Esses requisitos incluem alguns objetivos territoriais e políticos russos, como a autodeterminação das regiões de maioria russa e a desmilitarização de Kiev. Para Moscou, isso não é uma “ambição expansionista”, como diz o Ocidente, mas uma necessidade real, já que a atual Ucrânia é uma ameaça direta ao Estado russo.

Para que a paz surja na Ucrânia, o Ocidente deve “autorizar” Kiev a agir soberanamente e negociar com a Rússia propostas que atendam às demandas feitas por Moscou. Não há como negociar a paz sem cumprir esses requisitos e o que impede os ucranianos de segui-los é justamente a ordem que recebem dos líderes ocidentais para continuar lutando em uma guerra em que não têm chance de vencer.

Fonte: Infobrics

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Lucas Leiroz

Ativista da NR, analista geopolítico e colunista da InfoBrics.

Artigos: 593

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