Onda de calor pela Europa causa incêndios florestais, que são tratados diferentes se comparados aos que acontecem na Amazônia brasileira

Muitos têm discursado sobre internacionalizar a Amazônia brasileira, dizendo que é para preservá-la do desmatamento. Porém, nunca dizem o mesmo das florestas europeias, que sofrem dos mesmos problemas e com danos ainda mais graves.

O meio ambiente é uma das peças chave para o desenvolvimento de qualquer nação, com a chamada “economia verde” se tornando uma protagonista nos anos recentes. E enquanto esse discurso é cada vez mais inflamado por seus entusiastas dentre ONGs (que geralmente não desfrutam do prestígio público que tinham até alguns anos atrás), ainda se vê a falta de gestão com proteção ambiental.

Países na Europa como Portugal, França e Itália estão sentindo, literalmente, o calor desse verão europeu, com o maior rio do terceiro país estando quase seco. Residentes da Grécia e do Reino Unido enfrentam incêndios que atingem áreas residenciais.

A CNN Brasil reportou que: “A European Forest Fire Information System pôs 19 países europeus em alerta de “perigo extremo” para incêndios florestais para quarta-feira, num vão que se estende desde Portugal e Espanha no sudoeste, até   a Albânia e Turquia no sudeste.”

Alguns analistas climáticos do establishment gostam de empurrar o discurso de aquecimento global como uma das causas de eventos como incêndios florestais e grandes ondas de calor que não foram sentidas anos atrás, mas eles usualmente pecam com o seu discurso porque negligenciam elementos simples que explicam o que está acontecendo sem o alarmismo do aquecimento global.

Acontece que os incêndios florestais na Europa estão acontecendo porque o verão europeu ocorre precisamente no tempo mais seco do continente, o que permite que surjam grandes incêndios em alguns países. E é curioso notar como algumas (das poucas) florestas na Europa que estão em chamas não estão sendo cogitadas para internacionalização, como tentado com a Amazônia brasileira.

Todos os eventos que estamos vendo agora pela Europa estão sendo tratados de forma muito diferente de como a mídia fala sobre a Amazônia brasileira (dependendo de quem está no governo), por exemplo.

Jair Bolsonaro, o atual presidente do Brasil, uma pessoa que aparece ocasionalmente em meus textos, se tornou uma persona non grata por alguns entusiastas da WWF e outras organizações porque durante o seu governo ele tentou tornar mais flexível para mineradores usarem terras brasileiras, o que causou um imbróglio político-judicial em algumas áreas com demarcação de terras indígenas.

Enquanto que Lula, o ex-presidente que está tentando retornar ao posto, era visto como um “amigo” da economia verde apenas porque seu discurso se encaixava no establishment midiático do seu tempo.

E isso faz com que argumentos como a já mencionada “internacionalização” comecem a pipocar no ar, como visto quando Macron disse abertamente que “a Amazônia não é apenas brasileira”, com alguns analistas mais comprometidos explicando que Macron se referiu à região amazônica da Guiana Francesa, na fronteira com o Brasil, que também carrega o bioma.

Mas seria muito ingênuo acreditar nessa explicação a essa altura do campeonato.

Vale ressaltar que a Amazônia brasileira é uma floresta úmida, o que não permite, mesmo nos tempos mais secos do território brasileiro, queimadas em larga escala. O que acontece na Amazônia são queimadas que geralmente são criminosas ou provocadas por cidadãos da região como tentativa de desmatar as terras, seja para pecuária, plantio ou algo do gênero. E essas queimadas não são vistas como criminosas porque são parte de uma espécie de “tradição” para aqueles que aplicam essa tática.

E também o argumento usado sobre o “desmatamento” da Amazônia geralmente traz números tristes, que nem sempre aparecem pelos institutos brasileiros, vale ressaltar, mas que também não da forma como dizem, pois muito é feito pelo governo brasileiro até hoje para preservar a floresta, que apenas no Estado do Amazonas, tem o tamanho do território da Mongólia (em medida territorial quase que perfeita).

A chamada “Amazônia Legal”, um termo cunhado na Lei Federal brasileira (Lei Federal 1.806/1953), é uma região dentro do Estado brasileiro onde estão localizadas as entidades da federação brasileira que carregam o bioma.

A nível de comparação territorial, abrangeria países inteiros, como a  já mencionada Mongólia, Nepal, Tajiquistão, Angola, Venezuela, Itália, Nova Zelândia, Laos e Guiana Britânica.

Então pode-se entender a magnitude da Amazônia.

A questão é que, mesmo se os males clamados ocorressem na Amazônia, eles não têm o direito de sequer considerar a ideia de “internacionalizar” a Amazônia. Isso fere a soberania brasileira.

Como feriria a europeia, se o oposto acontecesse.

A tática do Império do Norte de dividir e conquistar é conhecida há muito tempo e têm sido vistas várias formas de provocar um imbróglio étnico-regional no Brasil. O que depois, se bem-sucedido, poderia se tornar um país dentro da Amazônia administrada internacionalmente, reduzindo o território brasileiro em 60%.

Pelo anacronismo: fizeram isso no Sudão (nas devidas proporções), com o país tendo regiões separatistas pelo sul do seu território após uma série de guerras civis inter-étnicas e religiosas.

Então a mídia, que traz a chance de informar as pessoas diretamente sobre o que está acontecendo, acabou escondendo alguns fatos e direcionou para o que é conveniente para ela. Com no paralelo traçado com os incêndios na Europa e na Amazônia, onde no caso da Amazônia, com os argumentos já conhecidos sendo tratados de forma muito mais delicada e imperial (colonial) do que no caso da Europa, que não possui uma área florestal muito grande, além de estar perdendo o pouco que tem para o fogo.

No caso brasileiro, é sempre visto como uma incapacidade de administração e destruição, com a solução sendo deixar que estrangeiros tomem conta da região (de acordo com eles). Enquanto que para a Europa, que sofre basicamente os mesmos problemas que são alegados para a Amazônia (incluindo desmatamento com áreas florestais europeias praticamente desaparecendo), não é considerado deixar que as terras sejam administradas por estrangeiros.

Pelo contrário, europeus clamam que eles podem e vão usar suas terras como bem entenderem, o exemplo recente mais prático que consigo pensar sobre é o  alemão, que destruiu completamente uma floresta de 12 mil anos para extração de carvão. Houve reações de grupos que lutam pela preservação ambiental.

E sem esquecer que nunca houve nenhuma discussão sobre tornar áreas florestadas ou regiões inóspitas (com uma grande variedade de fauna e flora) em regiões internacionais em países na Europa: em 1918, um conselheiro presidencial de Woodrow Wilson, ex presidente estadunidense, disse abertamente que no lugar da Grande Rússia, cinco outros países poderiam emergir, um na Sibéria (precisamente a região inóspita e florestada da Rússia) e outras quatro na parte européia. O que obviamente não ocorreu. E nunca irá.

Assim como não acontecerá com a Amazônia. Assim como não acontecerá nas florestas (que ainda existem) na Europa.

Cada país também é soberano para ditar suas políticas ambientais, respeitando os tratamentos e convenções apropriadas, mas sempre preservando o interesse nacional aliado ao movimento de economia verde, até então benéfico para todos.

Fonte: The Saker

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Guilherme Wilbert

Bacharel em Direito, interessado em geopolítica e direito internacional.

Artigos: 585

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