A distorção do ‘Eu’ na Idade do Ferro

Não só a Tradição Cristã, mas as tradições milenares em geral tem certo núcleo espiritual no ‘Eu’ em consonância com o coletivo. Uma das maiores distorções — talvez a maior delas — na escuridão moderna é a confusão que muitos indivíduos fazem ao crer que a ‘mente’ é o ‘Eu’.

“Pois a inclinação da carne é morte, mas a inclinação do Espírito é Vida e Paz.” – Romanos 8:6

A mente, assim como o corpo, nada mais é do que uma ferramenta, uma forma de manifestação do espírito na matéria. O Leviatã do individualismo pós-humano do fim da história trouxe a saciação de prazeres como ‘autoconhecimento’, como ‘busca espiritual’. Uso de drogas, álcool, masturbação coletiva, se tornaram desculpas para supostamente alcançar o ‘Eu’, quando em verdade são apenas fugas mentais.

Há de fato o uso, controlado, de certas substâncias em determinadas Tradições para a ampliação da mente e do corpo com o intuito de alcançar outros níveis de compreensão no que concerne ao Espírito, à Alma, e ao Ser. Porém, não se trata de prazer, não se trata da pura distorção mental como tentam impor os pós-humanos; tais Tradições tinham o sentido sacro, que hoje foi distorcido por forças escuras.

Nestes dias, remédio torna-se veneno, e o sacro torna-se profano.

Nosso povo não necessita da distorção moderna de tais práticas para o ‘autoconhecimento’, quando se trata do sentido nuclear do ‘Eu’. A Tradição Católica popular brasileira vai na contramão da onda de degeneração hedonista destes dias. No catolicismo popular há sim os dias festivos e também os dias de luto, sem o puritanismo e sem o hedonismo destrutivo. A tradição do povo brasileiro deriva de forças milenares! O tradicionalismo brasileiro é solar!

É possível trazer à tona o ‘Eu’ pela oração, pela meditação, pelo jejum, por práticas saudáveis. A busca da plenitude espiritual é diária e eterna. O Eu vem à tona quando domina-se a mente, quando domina-se o corpo: quando se alcança a verdadeira liberdade, quando se alcança a disciplina do corpo e do espírito.

Obviamente, dentro dos meios dissidentes não há apenas católicos, mas praticantes de vários seguimentos religiosos. Porém, a prática é a mesma, seja no taoísmo, hinduísmo, budismo, paganismos indo-europeus, religiões afro-brasileiras, etc., i.e. disciplina mental, física, e espiritual.

O ‘Eu’ é sinônimo de espírito, não de prazer. ‘Autoconhecimento’ é sinônimo de disciplina, não de saciação de desejos lamacentos.

Alcancemos o verdadeiro ‘Eu’, a única forma de combater a escuridão destes dias: a disciplina do espírito a qual necessita todo soldado político.

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Elizeu Gasparini

Membro capixaba da NR, advogado, bicampeão estadual de Levantamento Olímpico, praticante de Jiu Jitsu Brasileiro, entusiasta da violência e de boas leituras.

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