A campanha russa soluciona a Crise dos Mísseis na Europa

A não declarada crise dos mísseis na Europa, provocada pelos ianques, é praticamente uma versão contemporânea da Crise dos Mísseis em Cuba, com os polos invertidos. Isso é objetivamente verificável como a pior gestão de segurança estratégica da história, já que a primeira permaneceu fria e essa acaba de esquentar… Esperamos que o Ocidente liderado pelos EUA não agravem as tensões através de sabres nucleares ou ameaças de ataque às forças russas na Ucrânia, caso contrário, o relógio do Juízo Final estará em dois minutos para a meia-noite.

Por Andrew Korybko

A não declarada crise dos mísseis na Europa, provocada pelos ianques, é praticamente uma versão contemporânea da Crise dos Mísseis em Cuba, com os polos invertidos. Isso é objetivamente verificável como a pior gestão de segurança estratégica da história, já que a primeira permaneceu fria e essa acaba de esquentar… Esperamos que o Ocidente liderado pelos EUA não agravem as tensões através de sabres nucleares ou ameaças de ataque às forças russas na Ucrânia, caso contrário, o relógio do Juízo Final estará em dois minutos para a meia-noite.

O presidente russo Vladimir Putin autorizou o que define como uma operação especial de desmilitarização da Ucrânia nas primeiras horas do 24 de Fevereiro (horário de Moscou), numa coletiva para toda a nação. Os objetivos eram a desmilitarização e desnazificação da Ucrânia, clarificando que “não planejamos ocupar território ucraniano.” Ele citou o 51º artigo da ONU que lida com auto-defesa como justificativa para ações nacionais. Muito ainda está obscuro enquanto escrevo, por conta da poeira levantada, mas tudo indica que a operação cimentará as linhas vermelhas de segurança nacional previa e longamente articuladas por Vladimir Putin.

Entre os exemplos mais proeminentes disso esteve seu “Encontro expandido do conselho ministerial de defesa”, em 21 de Dezembro. Foi durante esse período que o líder russo explicou a natureza existencial da ameaça representada pela cooperação militar-estratégica das autoridades (pós-golpe) ucranianas com os EUA e a OTAN. O encontro merece ser lido se quisermos obter um entendimento mais sólido dos interesses russos, mas o que se segue são os trechos mais essenciais que revelam as preocupações moscovitas em relação a Washington e sua estratégia de erodir as capacidades nucleares russas.

É extremamente alarmante que elementos do sistema de defesa global dos EUA estejam sendo alocados para as fronteiras russas. Os lançadores Mk 41, localizados na Romênia, estão sendo transferidos para a Polônia, adaptados para o lançamento de Tomahawks. Se essa infraestrutura continuar a se mover, se os EUA e a OTAN alocarem seus sistemas de mísseis na Ucrânia, seu tempo de vôo até Moscou seria de apenas 7-10 minutos, menos ainda para sistemas hipersônicos. Isso é um desafio imenso para nós e nossa segurança.

Temos especialistas aqui sentados conosco, eu me comunico constantemente com eles. Os EUA ainda não possuem sistemas hipersônicos, mas sabemos que possuirão. Isso não pode ser escondido. Tudo é registrado, com sucesso ou insucesso. Sentimos que, quando isso acontecer, esses sistemas serão enviados para a Ucrânia como cobertura – isso não quer dizer que utilizarão amanhã, pois já possuímos Tsircon, e eles não – para extremistas de um estado vizinho, para incitá-los contra certas regiões da Federação Russa, como a Crimeia, onde sentirão segurança em aplicá-los.

Eles realmente acham que não vemos essas ameaças? Ou pensam que ficaremos de braços cruzados conforme ameaças emergem? Eis a questão: não temos mais espaço para recuos. ESTA é a questão.

Para simplificar, o grande estratagema ianque é a neutralização das capacidades nucleares russas de ofensiva secundária através do emprego regional de “sistemas antimísseis” e armas que incluem sistemas hipersônicos, que podem chegar até a própria Ucrânia – visando a perpetuação de uma chantagem nuclear contra o Grande Poder Eurasiano. O autor escreveu em 24 de Janeiro sobre, em “Os objetivos estratégicos do Deep State Vis-à-vis Rússia e China”:

O objetivo a longo prazo do ‘deep state’ anti-Rússia é colocar o adversário numa posição de chantagem nuclear. Isto seria conquistado vencendo a corrida armamentista em curso na Europa, relacionada com a utilização em massa de várias armas de ataque dos EUA – incluindo as hipersónicas – acompanhadas de defesas como “sistemas antimísseis” o mais próximo possível das fronteiras russas.

O fim de jogo proposto é a retomada do controle sobre a economia russa, após coagi-la sob incessantes concessões unilaterais para, no limite, privar a China destes recursos. Isso, é claro, trata-se de uma fantasia política e não temos razões evidentes para crer ou esperar que isso progrida, nem mesmo no futuro distante; mas isso nos ajuda a compreender os cálculos desse deep state na maneira mais ‘racional’ possível.

Se o Ocidente conseguisse transformar a Rússia num estado clientelista, ela seria utilizada como outra ferramenta de contenção à China, ‘esganando’ a República popular. O objetivo com a China seria executar o mesmo procedimento, cujo objetivo final é, sempre, colocar o adversário sob chantagem econômica e nuclear.

Para os desavisados, o uso do termo “deep state” faz referência às permanentes burocracias militares, diplomáticas e de inteligência que factualmente existem em todo estado, compostos por facções legalistas e não uma “teoria da conspiração” supostamente citada. Dias atrás, publiquei um artigo entitulado “Derrubando a invenção de que a Rússia quer ‘invadir’, ‘ocupar’ e ‘anexar’ a Ucrânia”, onde previ todos os acontecimentos desta Quinta-feira:

No pior dos cenários numa guerra convencional entre Rússia e Ucrânia – cujo estopim poderia ser tanto a defesa da segurança nacional russa sob provocações de Kiev e/ou possivelmente ataques diretos – o objetivo russo seria entrar, fazer o que tem de fazer e sair; sem invasão, ocupação ou anexação, seja em parte ou totalmente pelas razões expressas anteriormente. O que a Rússia almeja é a neutralização de ameaças às suas linhas vermelhas, o que pode ser feito com um modelo de choque e terror, dependendo do cenário.

As primeiras informações que chegam de fato sugerem que a Rússia está aplicando essa estratégia para neutralizar as ameaças mais iminentes à sua segurança nacional que emanam do território ucraniano. Essas foram reveladas em detalhes na Segunda-feira, no encontro televisionado do Conselho de Segurança da Rússia e o discurso subsequente de Putin à nação, quando ele reconheceu a independência das repúblicas de Donbass.

O primeiro evento confirmou que os EUA e a OTAN não responderam satisfatoriamente aos pedidos de garantia de segurança da Rússia para a celebração de acordos juridicamente vinculativos com o objetivo de: deter a expansão da OTAN para o leste; não implantar armas de ataque perto das fronteiras da Rússia; e retornar ao status quo militar continental do agora extinto Ato Fundador Russo-OTAN de 1997. O segundo viu o líder russo revelar informações detalhadas sobre as ameaças que as forças dos EUA e da OTAN representam para a Ucrânia:

Ao longo dos últimos anos, contingentes militares dos países-membros da OTAN têm estado constantemente presentes em território ucraniano sob o pretexto de exercícios militares. O sistema ucraniano de controle de tropas foi integrado à OTAN. Isso quer dizer que o quartel-general da OTAN pode enviar ordens diretas às forças armadas ucranianas, unidades separadas e esquadrões.

Os EUA e a OTAN iniciaram uma insolente transformação do território ucraniano em um teatro de operações militares potenciais. Seus regulares exercícios conjuntos são claramente anti-Rússia. Só no ano passado, mais de 23.000 tropas e mais de mil unidades de equipamento estiveram envolvidos.

Uma nova lei foi adotada que permite a entrada de tropas estrangeiras na Ucrânia em 2022, como parte de exercícios multinacionais. Naturalmente, essas são primariamente tropas da OTAN. Este ano, pelo menos dez desses exercícios estão planejados.

Obviamente, tais medidas são desenhadas para cobrir o rápido desenvolvimento da OTAN em território ucraniano. Isso se soma à rede de aeroportos melhorados com a ajuda ianque em Borispol, Ivano-Frankovsk, Chuguyev e Odessa, para nomear alguns, agora capazes de transferência rápida de unidades. O espaço aéreo ucraniano está aberto para voos estratégicos e de reconhecimento que conduzem uma vigilância sobre o território russo.

Acrescentarei que o Centro de Operações Marítimas ianque em Ochakov possibilita atividades de apoio dos navios de guerra da OTAN, incluindo o uso de armas de precisão contra nossa frota no Mar Negro e toda a costa.

Continuando, notavelmente, o Artigo 17 da Constituição Ucraniana estipula que o destacamento de militares estrangeiros no país é ilegal. No entanto, como vemos, isto é apenas uma coisa convencional que pode ser facilmente contornada.

A Ucrânia abriga missões de treinamento da OTAN que são, de fato, bases militares estrangeiras. Basta chamar uma base de missão e está tudo bem.

Kiev há muito tempo proclama um curso estratégico para aderir à OTAN. De fato, cada país tem o direito de escolher seu próprio sistema de segurança e estabelecer alianças militares. Não haveria problema com isso, se não fosse por um “mas”. Documentos internacionais estipulam expressamente o princípio de segurança igual e indivisível, que inclui obrigações de não fortalecer a própria segurança em detrimento da segurança de outros Estados. Isto está estabelecido na Carta da OSCE para a Segurança Europeia de 1999, adotada em Istambul, e na Declaração Astana da OSCE de 2010.

Em outras palavras, a escolha de alianças militares não devem impor ameaças a outros estados, mas a aliança da Ucrânia à OTAN é uma ameaça direta à segurança russa.

Além disso, estamos cientes da posição e das palavras da liderança dos EUA de que as hostilidades ativas na Ucrânia oriental não excluem a possibilidade do país aderir à OTAN se cumprir os critérios da OTAN e superar a corrupção.

Enquanto isso, tentam nos convencer vez após vez que a OTAN ama a paz e é uma aliança puramente defensiva que não indica ameaça à Rússia.

Como resultado, a Aliança e sua infraestrutura militar chegaram às fronteiras russas. Essa é uma das principais causas da crise de segurança europeia; isso teve o mais negativo impacto em todo o sistema de relações internacionais e acarretou na perda da confiança mútua.

A situação continua a deteriorar, incluindo a área estratégica. Assim, áreas de posicionamento de mísseis interceptores estão sendo estabelecidas na Romênia e Polônia como parte do projeto americano de criação de um sistema global de defesa antimíssil. É de conhecimento comum que os lançadores implantados lá podem ser usados para mísseis de cruzeiro Tomahawk – sistemas de ataque ofensivo.

Além disso, os Estados Unidos estão desenvolvendo seu Míssil Padrão-6 para todos os fins, que pode fornecer defesa aérea e antimíssil, bem como atingir alvos terrestres e de superfície. Em outras palavras, o suposto sistema de defesa antimíssil americano está desenvolvendo e expandindo suas novas capacidades ofensivas.

As informações de que dispomos nos dão boas razões para acreditar que a adesão da Ucrânia à OTAN e a subsequente implantação das instalações da OTAN já foi decidida e é apenas uma questão de tempo. Entendemos claramente que, dado este cenário, o nível de ameaças militares à Rússia aumentará drasticamente, várias vezes. E gostaria de enfatizar neste ponto que o risco de um ataque repentino ao nosso país se multiplicará.

Explicarei que os documentos americanos de planejamento estratégico confirmam a possibilidade de um chamado ataque preventivo aos sistemas de mísseis inimigos. Também conhecemos o principal adversário dos Estados Unidos e da OTAN. É a Rússia. Os documentos da OTAN declaram oficialmente que nosso país é a principal ameaça à segurança euro-atlântica. A Ucrânia servirá como uma cabeça-de-ponte avançada para tal ataque.

Muitos aeródromos ucranianos estão localizados não muito longe de nossas fronteiras. A aviação tática da OTAN implantada lá, incluindo os transportadores de armas de precisão, será capaz de atingir nosso território até a profundidade da linha Volgograd-Kazan-Samara-Astrakhan. A instalação de radares de reconhecimento em território ucraniano permitirá à OTAN controlar rigorosamente o espaço aéreo da Rússia até os Urais.

Finalmente, depois que os EUA destruíram o Tratado INF, o Pentágono tem desenvolvido abertamente muitas armas de ataque terrestres, incluindo mísseis balísticos capazes de atingir alvos a uma distância de até 5.500 km. Se implantados na Ucrânia, tais sistemas serão capazes de atingir alvos em toda a parte europeia da Rússia. O tempo de voo dos mísseis de cruzeiro Tomahawk para Moscou será inferior a 35 minutos; os mísseis balísticos de Kharkov levarão de sete a oito minutos; e as armas de assalto hipersônicas, de quatro a cinco minutos. É como uma faca na garganta. Não tenho dúvidas de que eles esperam realizar estes planos, como fizeram muitas vezes no passado, expandindo a OTAN para o leste, deslocando sua infraestrutura militar para as fronteiras russas e ignorando totalmente nossas preocupações, protestos e advertências.

Os trechos acima podem ser extremamente surpreendentes para alguns leitores a quem até então era negado o acesso a esta informação muito importante por sua mídia manipuladora, que deliberadamente os mantinha no escuro sobre as legítimas preocupações de segurança nacional da Rússia em relação ao Ocidente liderado pelos EUA, a fim de mal retratar o grande poder eurasiano vitimado como o agressor, apesar do papel objetivamente desempenhado por seus próprios governos. Os esforços de Washington para colocar Moscou em uma posição de chantagem nuclear são diretamente responsáveis por esta crise de segurança sem precedentes. Seu “gerenciamento de percepção” fizeram com que todos pensassem que a Rússia está errada, quando não está.

O reconhecimento russo às Repúblicas de Donbass foi a última tentativa moscovita de levar o Ocidente a tratar seus pedidos de garantia de segurança com seriedade. Isso falhou, uma vez que seus interlocutores nunca tiveram qualquer desejo sincero de negociar com a Rússia sobre essas questões, como evidenciado por sua resposta diplomática desinteressada desde a revelação das propostas relacionadas àquele país no final de Dezembro. Estando literalmente “sem espaço para recuar”, como o próprio Presidente Putin disse de forma inesquecível durante sua citada reunião anterior de 21 de Dezembro, era apenas uma questão de tempo para a Rússia reagir da única maneira possível com o objetivo de garantir que suas linhas vermelhas de segurança nacional não sejam atravessadas na Ucrânia.

Meu antigo ceticismo em relação a tal cenário foi baseado em informações públicas anteriores àquela revelada em 21 de Fevereiro durante a reunião do Conselho de Segurança russo e no discurso subsequente do Presidente Putin à nação. Até aquele momento, permanecia ambíguo se os EUA e a OTAN representavam uma ameaça iminente às linhas vermelhas russas. Confiando apenas em fontes públicas – incluindo declarações oficiais – a determinação era de que a ameaça ainda não se havia materializado totalmente a ponto de desencadear uma resposta decisiva, mas essa conclusão acabou sendo imprecisa, como revelado.

O Presidente Putin não teria autorizado a operação especial da Rússia na Ucrânia se sua inteligência não estivesse absolutamente certa de que as ameaças advertidas anteriormente eram realmente iminentes ou talvez até mesmo corretas, prestes a esquentar. O Ocidente recusou-se a considerar seriamente as propostas da Rússia destinadas a rever a arquitetura de segurança europeia, de tal forma que resultasse em segurança indivisível para todos, de acordo com os princípios da OSCE. Esse resultado desejado teria impedido qualquer país de tomar medidas às custas da segurança de um outro, como os EUA têm feito em relação à Rússia nas últimas três décadas.

Em retrospectiva, essa era a última chance para a paz, mas o Ocidente a ignorou arrogantemente, talvez pensando erroneamente que a Rússia estava “blefando”, nem faria exatamente o que qualquer outra Grande Potência com autorrespeito faria se literalmente “não tivesse espaço recuar” após apaziguar a mesma aliança militar cuja razão de ser é a contenção daquele mesmo país. Isso foi um grande erro de cálculo estratégico, se é que alguma vez houve algum. A não declarada Crise dos Mísseis provocada pelos EUA na Europa é praticamente uma versão moderna da Crise dos Mísseis Cubanos, embora com os papéis invertidos.

Esta é a verdade objetivamente existente e facilmente verificável do que é agora a pior crise estratégica de segurança da história, considerando o fato de que esta simplesmente esquentou, enquanto sua precursora permaneceu fria. Tudo isso poderia ter sido evitado se o Ocidente simplesmente tivesse respeitado os pedidos legítimos de garantia de segurança da Rússia. Eles inexplicavelmente recusaram e assim levaram a Rússia a assegurar decisivamente a integridade de suas linhas vermelhas através da campanha de “choque e terror” em andamento na Ucrânia, que visa resolver a crise dos mísseis na Europa que os próprios EUA provocaram irresponsavelmente. Para esse fim, Moscou poderia, adicionalmente, tentar incentivar mudanças políticas em Kiev.

Adverti no início desta semana que “O Fim do Mini-Império de Lenin na Ucrânia está se aproximando” após o reconhecimento russo das Repúblicas Donbass, o que por sua vez poderia inspirar outras minorias vitimizadas naquele país – incluindo outros membros da população russa de lá – a se levantarem em resistência às suas autoridades golpistas (fascistas) “nacionalistas” apoiadas pelos EUA. Esse cenário poderia resultar na devolução de longo alcance da Ucrânia a uma federação de regiões cujo governo central então concorda em remover o objetivo constitucionalmente consagrado do país de aderir à OTAN e finalmente reconhecer a reunificação democrática da Crimeia com a Rússia em 2014. Tal resultado melhoraria rapidamente os laços com a Rússia.

Enquanto a campanha de “choque e terror” da Rússia continua, o mundo faria bem em lembrar os pretextos legítimos de autodefesa sobre os quais Moscou está travando esta guerra, de acordo com o Artigo 51 da Carta das Nações Unidas. Haverá muito “gerenciamento de percepção” que rapidamente tentará fazer tudo girar de tal forma que a Rússia seja mal interpretada como o agressor, mas essas pessoas estão simplesmente papagueando a narrativa da guerra de informação do governo dos Estados Unidos que não resiste ao escrutínio de uma revisão dos discursos anteriormente citados do Presidente Putin. Esperemos que o Ocidente, liderado pelos EUA, não agrave a situação por meio da rixa de sabres nucleares ou da ameaça de ataque às forças russas na Ucrânia, caso contrário, o relógio do dia do juízo final poderá finalmente atingir a meia-noite.

Fonte: OneWorld
Tradutor: Augusto Fleck

Andrew Korybko

Analista político e jornalista do Sputnik, é também autor do livro "Guerras Híbridas".

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