Covid-19: O Fracasso da Abordagem Ocidental

A pandemia foi o momento de triunfo dos lobbies farmacêuticos no Ocidente. Bloqueando toda tentativa de investir no tratamento da doença e em remédios, tais como os usados em Cuba, na China, na Rússia ou em Belarus, a indústria farmacêutica convenceu meio mundo de que só as vacinas servem e de que o planeta deve permanecer trancafiado até que todo cidadão esteja vacinado.

Há um ano atrás, a epidemia de Covid-19 chegou ao Ocidente, via Itália. Hoje, sabemos um pouco mais sobre este vírus, mas apesar do que sabemos, os ocidentais continuam a interpretar mal o vírus.

1- O que é um vírus?

A ciência é por definição universal: ela observa e desenvolve hipóteses para explicar os fenômenos. Entretanto, ele se expressa em diferentes línguas e culturas, que são fonte de mal-entendidos quando não conhecemos suas especificidades.

Por exemplo, os vírus são seres vivos de acordo com a definição europeia de vida, mas meros mecanismos de acordo com a definição anglo-saxônica de vida. Esta diferença cultural leva a comportamentos diferentes em cada um de nós. Para os anglo-saxões, os vírus devem ser destruídos, enquanto para os europeus era – até o ano passado – uma questão de adaptação a eles.

Não estou dizendo que uma é superior ou inferior à outra, nem que eles são incapazes de agir de uma maneira diferente daquela induzida por sua cultura. Estou simplesmente dizendo que todos entendem o mundo à sua maneira. Temos que fazer um esforço para compreender os outros e só podemos realmente fazer isso se estivermos abertos a isso.

O Ocidente pode ser uma entidade política mais ou menos homogênea, mas é composto de pelo menos duas culturas muito diferentes. Mesmo que a mídia diminua constantemente estas diferenças, devemos estar sempre conscientes delas.

Se pensarmos nos vírus como seres vivos, devemos compará-los aos parasitas. Eles procuram viver às custas de seu hospedeiro e certamente não matá-lo, pois eles mesmos morreriam. Eles tentam se adaptar à espécie hospedeira variando até encontrar uma maneira de viver nela sem matá-la. As variantes da Covid-19 não são, portanto, os “cavaleiros do Apocalipse”, mas novidades em linha com a evolução das espécies.

O princípio do aprisionamento de populações saudáveis foi promulgado pelo Secretário de Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, em 2004. Não se tratava de combater uma doença, mas de criar desemprego em massa para militarizar as sociedades ocidentais. Foi divulgado na Europa pelo Dr. Richard Hatchett, então conselheiro de saúde do Pentágono e agora presidente da CEPI. Foi ele quem, em conexão com o Covid-19, cunhou a expressão “Estamos em guerra!” que foi retomada pelo Presidente Macron.

Da mesma forma, se se acredita que os vírus são seres vivos, não se pode dar crédito aos modelos epidêmicos desenvolvidos pelo Professor Neil Ferguson do Imperial College London e seus seguidores, como Simon Cauchemez do Conseil Scientifique de l’Élysée. Por definição, o crescimento de qualquer ser vivo não é exponencial. Cada espécie se regula de acordo com seu ambiente. Traçar o início de uma epidemia e depois extrapolá-la é um disparate intelectual. O professor Fergusson passou sua vida prevendo catástrofes que nunca aconteceram.

2- O que fazer diante de uma epidemia?

Todas as epidemias têm sido historicamente combatidas com sucesso por uma combinação de isolamento dos doentes e aumento da higiene.

No caso de uma epidemia viral, a higiene não é usada para combater o vírus, mas as doenças bacterianas que se desenvolvem nas pessoas infectadas pelo vírus. Por exemplo, a gripe espanhola em 1918-20 era uma doença viral. Na verdade, era um vírus benigno, mas no contexto da Primeira Guerra Mundial, condições de higiene muito ruins permitiram o desenvolvimento de doenças bacterianas oportunistas que mataram em massa.

Do ponto de vista médico, o isolamento se aplica apenas aos doentes e somente a eles. Nunca na história uma população saudável foi colocada em quarentena para controlar uma doença. Você não encontrará nenhum trabalho de medicina com mais de um ano em qualquer parte do mundo que contemple tal medida.

Os lockdowns atuais não são medidas médicas nem políticas, mas administrativas. Elas não visam reduzir o número de pacientes, mas espalhar sua contaminação com o tempo, de modo a não congestionar certos departamentos hospitalares. O objetivo é compensar a má administração dos serviços de saúde. A maioria das epidemias virais dura três anos. No caso do Covid-19, a duração natural da epidemia será prolongada pela duração administrativa da contenção.

Os confinamentos na China não tinham razões mais médicas tampouco. Eram intervenções do governo central contra os erros dos governos locais, no contexto da teoria chinesa do “Mandato do Céu”.

O uso de máscaras cirúrgicas por uma população saudável para combater um vírus respiratório nunca foi eficaz. De fato, até o Covid-19, nenhum dos vírus respiratórios conhecidos é transmitido por expectoração, mas por aerossol. Somente as máscaras de gás são eficazes. É claro que é possível que o Covid-19 seja o primeiro germe de um novo gênero, mas esta hipótese racional é altamente irracional. Ela foi considerada para o Covid-2 (“SARS”), mas já foi abandonada.

É importante notar que a Covid-2 não afetou apenas a Ásia em 2003-04, mas também o Ocidente. Foi uma epidemia da mesma forma que a Covid-19 em 2020-21. Agora ela é tratada com inibidores de protease e interferon-alfa. Não há vacina.

3- Podemos tratar uma doença que não conhecemos?

Mesmo que você não conheça um vírus, você pode e deve ainda assim tratar os sintomas que ele causa. Esta não é apenas uma forma de aliviar os doentes, mas também uma condição para aprender sobre esta doença.

Os políticos ocidentais optaram por não tratar o Covid-19 e gastar todo o seu dinheiro em vacinas. Esta decisão vai contra o Juramento Hipocrático com o qual todo médico ocidental está comprometido. É claro que muitos médicos ocidentais continuam a trabalhar, mas o fazem da forma mais discreta possível, caso contrário são ameaçados com sanções legais e administrativas.

Entretanto, vários tratamentos com medicamentos são administrados com sucesso em países não ocidentais.

  • Já no início de 2020 – ou seja, antes da epidemia chegar ao Ocidente – Cuba mostrou que alguns pacientes poderiam ser tratados e curados com pequenas doses de Interferon Alfa 2B (IFNrec) recombinante. A China construiu uma fábrica para produzir este medicamento cubano em grande escala em fevereiro de 2021 e desde então o tem usado para certos tipos de pacientes.
  • A China também utilizou um medicamento anti-malária, o fosfato de cloroquina. É a partir desta experiência que o Professor Didider Raoult usou hidroxicloroquina, da qual ele é um dos maiores especialistas do mundo. Esta droga é usada com sucesso em muitos países, apesar das grotescas notícias falsas do Lancet e da mídia dominante, que afirmam que esta droga comum, administrada a bilhões de pacientes, é um veneno mortal.
  • Estados que fizeram a escolha oposta aos do Ocidente, ou seja, aqueles que priorizaram os cuidados de saúde em detrimento das vacinas, desenvolveram coletivamente um coquetel de drogas baratas (incluindo hidroxicloroquina e ivermectina) que tratam massivamente a Covid (ver quadro). Os resultados são tão interessantes que os ocidentais questionam os números publicados por esses Estados, liderados pela China.
Trecho de um documento confidencial do governo suíço.

Finalmente, a Venezuela iniciou a distribuição em massa de Carvativir, uma droga derivada do tomilho, que também dá resultados espetaculares. Google e Facebook (e por um tempo Twitter) censuraram qualquer informação sobre este assunto tão zelosamente quanto a Lancet tentou desacreditar a hidroxicloroquina.

4- Como terminará esta epidemia?

Nos países que utilizam as respostas médicas descritas acima, a Covid-19 ainda está presente, mas a epidemia já terminou. As vacinas são oferecidas apenas àqueles que correm alto risco.

No Ocidente, onde nos recusamos a tratar os doentes, a única solução parece ser a de vacinar toda a população. Lobbies farmacêuticos poderosos pressionam para o uso em massa de vacinas caras em vez de medicamentos baratos para mil vezes menos pacientes. Isto levou a uma rivalidade mortal entre os Estados para as doses disponíveis, às custas de seus aliados.

Durante quatrocentos anos, o Ocidente esteve em busca da Razão. Ele havia se tornado o arauto da Ciência. Hoje, ele não é mais razoável. Ainda há grandes cientistas, como o Professor Didier Raoult, e progresso técnico, como evidenciado pelas vacinas de RNA mensageiro, mas não tem mais o rigor de raciocinar cientificamente. Deve-se fazer também uma distinção entre as regiões do Ocidente: os países anglo-saxões (Reino Unido e Estados Unidos) conseguiram fabricar vacinas de RNA mensageiro, não a União Européia, que perdeu sua inventividade.

O centro do mundo se deslocou.

Fonte: Voltaire Network

Thierry Meyssan

Intelectual francês, presidente e fundador da <em>Rede Voltaire</em> e da conferência <em>Axis for Peace</em>, é autor de diversos artigos e obras sobre política externa, geopolítica e temas correlatos.

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