Tempos Sombrios Esperam a América

Os EUA se tornaram uma República das Bananas. Para garantir sua posse, Biden precisou ocupar militarmente a capital para garantir que não haveria presença de gente do povo. O sistema eleitoral americano está sob suspeita, com a maioria da população acreditando que ele é corrupto. Enquanto isso, políticos neuróticos empreendem as suas cruzadas fantasiosas contra “machismo”, “racismo”, “transfobia” e outras pautas minoritárias, com o desemprego e a desindustrialização aumentando.

O ano de 2021 começou com alguns momentos sombrios e marcantes para os EUA. Em 1º de janeiro, os democratas na Câmara dos Deputados introduziram um novo projeto de lei que representa o próximo passo na abolição dos valores familiares tradicionais e das diferenças de sexo (gênero). Os pronomes “ele” e “ela” não serão mais uma terminologia aceitável e não serão mais utilizados.

O documento registrado declara: “Na cláusula 8(c)(3) da regra XXIII, retirar ‘pai, mãe, filho, filha, irmão, irmã, tio, tia, primo em primeiro grau, sobrinho, sobrinha, marido, mulher, sogro, sogra, genro, nora, cunhado, cunhada, cunhada, padrasto, madrasta, enteado, enteado, enteado, meio-irmão, meia-irmã, meia-irmã, neto ou neta” e inserir ‘genitor, infante”. Embora os democratas tenham lutado por tal terminologia no passado, parece que agora ela será formalizada nos EUA em nível federal, e cada cidadão será forçado a obedecer a estas novas regras, apesar de serem contrárias ao senso comum.

No dia 4 de janeiro, na abertura de uma nova sessão do Congresso, a estranha “awoman” foi pronunciada no final da oração tradicional no lugar do habitual “amém”, algo que se tornou tema de discussão muito além das fronteiras dos Estados Unidos. Este ato de “neutralidade de gênero”, como foi apresentado pelos democratas, foi na verdade uma manifestação da habitual estupidez, mediocridade e insanidade dos políticos americanos que perseguem uma agenda globalista e neoliberal, acreditando ser essa a única forma possível de organização política (que, de seu ponto de vista, automaticamente transforma dissidentes e opositores em “fascistas”, “terroristas” e simplesmente “vilões”).

As últimas tentativas do Trump de se opor aos democratas e mobilizar seus apoiadores para contestar a vitória de Biden não produziram o resultado desejado. Na verdade, houve um cisma no Partido Republicano sobre o apoio ao Trump.

Os senadores Josh Hawley (Missouri) e Ted Cruz (Texas) tentaram apoiar Donald Trump no Congresso dos EUA, enquanto muitos de seus colegas de partido (como Rob Portman de Ohio e Mike Lee de Utah) tomaram o lado oposto, chamando as reivindicações de Trump de infundadas.

Deve-se notar que Hawley e Cruz são candidatos potenciais do Partido Republicano para as eleições presidenciais americanas de 2024, e suas declarações poderiam ser uma forma de ganhar o apoio da parte do eleitorado que votou no Trump.

Após os eventos no Congresso dos EUA em 6 de janeiro, no entanto, Ted Cruz declarou que Trump tem alguma responsabilidade pela invasão do Capitólio por causa de sua retórica furiosa.

Muitos políticos americanos foram rápidos em expressar suas opiniões sobre a ação sem precedentes tomada pelos partidários de Donald Trump. Desde comparações com a queima da Capital pelos britânicos em 1814 até frases banais sobre ameaça à democracia, o incidente foi condenado em sua maioria sem nenhum tipo de tentativa de entender a causa ou de analisar os erros.

Com uma certa originalidade, o ex-presidente americano George W Bush disse que os EUA estão se tornando uma república das bananas. Michael Lind concorda com ele, observando: “Como se fosse necessária qualquer prova de que os Estados Unidos são agora uma república das bananas, apenas três presidentes na história americana sofreram impeachment e dois dos últimos quatro presidentes sofreram impeachment pelo partido de oposição no Congresso”.

Ao contrário dos antigos e atuais políticos de alto nível, porém, Michael Lind ofereceu uma teoria detalhada do que aconteceu.

Lind acredita que os EUA estão passando por cinco crises simultâneas. Além da tomada do Capitólio em 6 de janeiro de 2021, ele também menciona um evento anterior que ocorreu em 8 de junho de 2020, quando a polícia de Seattle evacuou o prédio de sua delegacia e houve quase um mês de impasse entre os anarquistas e o governo. Portanto, o problema não está no movimento MAGA em si, que é apenas um reflexo da realidade americana, incluindo a polarização da sociedade – ou daqueles que são politicamente ativos, pelo menos.

A primeira crise é política e tem suas raízes nos anos 70, quando foram adotadas novas regras para as primárias. Isto prejudicou o sistema anterior, que tinha limitado o poder dos presidentes, dos membros do Congresso e dos líderes políticos. Agora, qualquer magnata poderia facilmente deslizar para os escalões superiores da política. Os dois partidos também se transformaram em máquinas de controle político com rígida burocracia e bajulação.

A segunda crise está relacionada a uma perda de identidade, uma vez que os EUA perderam seu senso geral de patriotismo. A identidade nacional comum do país se dividiu em grupos religiosos, movimentos étnicos e raciais, e questões abstratas relacionadas ao gênero, como os direitos das mulheres e dos LGBT.

A terceira crise é social e se manifesta na anomia social, nas atividades da mídia e na manipulação das massas por fundações duvidosas, como fizeram os democratas com a Antifa e grupos de esquerda em todo o país em 2020.

A quarta crise é demográfica. A taxa de fertilidade entre os americanos é atualmente de 1,77, enquanto a taxa de fertilidade dos imigrantes é muito mais alta. Além disso, esta queda na taxa aconteceu relativamente recentemente. Em 2007, era de 2,12.

A quinta crise ocorreu na economia, e a culpa é de ambas as partes. Em vez de incentivar tecnologias salvadoras de empregos para os trabalhadores, foram utilizados esquemas de arbitragem, resultando no offshoring de empregos (onde as taxas de remuneração são baixas) e um influxo de migrantes em profissões de baixa remuneração. O emprego no setor privado também caiu para 6%, o mesmo número que sob Herbert Hoover.

Michael Lind observa outro fato interessante – o ataque ao Capitólio por apoiadores do MAGA aconteceu depois que a empresa de mercearia proprietária da Vons, da Pavilion e de outras cadeias na Califórnia anunciou que estava demitindo seus motoristas de entrega de tempo integral e substituindo-os por trabalhadores intermitentes.

Todas as promessas sobre a criação de novos empregos mais bem pagos na “economia do conhecimento” se revelaram mentiras. Portanto, Lind acredita que a culpa não é de Trump e Obama, mas de vários regimes anteriores que trouxeram o país a esta situação.

A corrupção é outro fenômeno sistêmico nos EUA que afeta negativamente todas as esferas da vida.

Peter Van Buren escreve no The American Conservative que, na realidade, a corrupção nos EUA é tão grande que é simplesmente impossível combatê-la. Ele menciona golpes envolvendo várias fundações, como a Fundação Clinton, que recebia dinheiro simplesmente para organizar reuniões com Hillary Clinton. Ou o negócio da família Biden, que ganhou mais de 15 milhões de dólares entre 2016 e 2020. Há também todos os tipos de esquemas de lavagem de dinheiro – Joe Biden recebeu US$ 10 milhões como pagamento por um livro que ninguém leu, por exemplo. Joe Biden também tem uma empresa categorizada como “pequena” para fins tributários que escapa dos impostos e doa dinheiro a seu próprio Super PAC (comitê de ação política). Depois há Hunter Biden, que ganhou milhões na China e na Ucrânia através de vários esquemas duvidosos e politicamente suspeitos e não paga impostos nos EUA. Os detalhes de seus esquemas já foram divulgados pela imprensa americana. Atualmente, ele ainda está sob investigação.

Mas os conservadores não são os únicos a falar sobre o nível incrivelmente alto de corrupção nos EUA. Mesmo o The Financial Times, que dificilmente pode ser acusado de simpatizar com a direita, aponta que a corrupção tem penetrado em todas as esferas de atividade, principalmente nos negócios e na política. O artigo afirma que, graças ao “acordo da América corporativa com o diabo”, formou-se um oligopólio nos EUA e, como conseqüência, não existe nem uma democracia nem uma forma republicana de governo.

As análises e opiniões de vários autores e comentaristas podem ser coloridas por seu viés político, portanto, para se ter uma visão completa do que está acontecendo, é necessário recorrer às estatísticas.

Uma pesquisa realizada pelo Instituto de Estudos Avançados em Cultura da Universidade da Virgínia intitulada “Democracia em Tempos Escuros” é de particular interesse no que diz respeito ao que está acontecendo nos EUA. Ela se concentrou na campanha eleitoral de 2020 e na cultura política americana, mas as perguntas feitas refletem a atmosfera geral e as tendências atuais. Por exemplo, a grande maioria reconheceu que a recente eleição foi corrupta. Esta opinião foi expressada por 62% dos republicanos questionados, 57% dos democratas e 54% dos independentes.

Fonte: Oriental Review

Leonid Savin

Leonid Savin é escritor e analista geopolítico, sendo editor-chefe do Geopolitica.ru, editor-chefe do Journal of Eurasian Affairs, diretor administrativo do Movimento Eurasiano e membro da sociedade científico-militar do Ministério da Defesa da Rússia.

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