A Verdade sobre o Hezbollah: O que a mídia hegemônica não quer que vocês saibam?

Escrito por J.R. Ghaddar
Se formos acreditar nas narrativas midiáticas, o Hezbollah é uma organização terrorista que persegue os cristãos no Oriente Médio, semelhante ao ISIS e à Al-Qaeda. Nada poderia estar mais distante da verdade. Nenhuma outra organização fez mais para combater o ISIS e proteger os cristãos do Oriente Médio do que o Hezbollah. E já está na hora do público ocidental saber disso.

A política do Oriente Médio é muitas vezes difícil de entender para o público americano. Há uma barreira linguística, uma barreira cultural e o filtro da mídia na qual eles recebem suas notícias.

A maioria dos americanos só quer a verdade. Eles querem saber o que realmente está acontecendo lá fora, e especialmente por que os ataques terroristas continuam acontecendo na Europa, e nos Estados Unidos. Já se passaram 16 anos desde o 11 de setembro e as coisas não melhoraram. Elas pioraram, e parte desse problema são as mentiras que estão sendo contadas ao público americano.

Se há uma falta de honestidade, então como é possível saber a verdade? Como você pode esperar resolver o problema se ninguém está sendo honesto sobre ele? A resposta simples é… você não pode, e não vai.

O Hezbollah é um dos tópicos sobre os quais o público dos Estados Unidos está constantemente sendo enganado, e neste artigo vou fazer o meu melhor para explicar porque o Hezbollah é muito diferente da Al Qaeda, do ISIS, do Boko Haram e de outros grupos notoriamente terroristas.

O Hezbollah é uma milícia xiita formada em 1985 como uma derivação do Partido Amal no sul do Líbano. O grupo não existia antes de 1985, e este é um fato importante que muitas vezes é ocultado do público americano.

A razão pela qual a data de 1985 é significativa é por sua importância na compreensão dos eventos que estavam acontecendo ANTES da criação do Hezbollah.

Em 1982, o Israel invadiu o sul do Líbano em sua batalha contra a Organização pela Libertação da Palestina (OLP) que havia aparecido no Líbano como resultado das centenas de milhares de refugiados de seu êxodo em 1948.

A crise dos refugiados palestinos foi uma força desestabilizadora dentro do Líbano, e só se pode olhar para a crise dos refugiados sírios que se vive hoje para entender como os refugiados podem afetar o clima político e se tornar uma força desestabilizadora. Se você está frustrado e chateado com os ataques terroristas cometidos por terroristas sediados na Líbia ou em territórios do ISIS, você agora sabe EXATAMENTE como o povo do Sul do Líbano se sentiu após a crise dos refugiados palestinos ter ido parar na sua porta de entrada.

Outra razão pela qual isto é importante é que o bombardeio no quartel de Beirute que matou 500 fuzileiros estacionados no Líbano em 1983 é freqüentemente posto na conta Hezbollah, mas como você pode ver pelas datas, o Hezbollah nem existiu por mais 2 anos. Isto é feito intencionalmente para tentar atribuí-lo a uma entidade, em vez de atribuí-lo a pessoas descontentes com a situação da invasão israelense/guerra civil no Líbano.

Sem crise de refugiados palestinos, sem guerra civil, sem invasão israelense, sem bomba no quartel de Beirute, sem Hezbollah.

Assim, no ano de 1985, o Líbano havia visto uma enorme crise de refugiados por conta de um problema que eles não criaram, além de uma invasão por Israel. Isto, é claro, havia colocado um estresse e sofrimento incríveis sobre a população local no sul do Líbano.

Essa população é em sua maioria xiita, que predominantemente eram agricultores rurais pobres, e para falar sem rodeios, eles estavam basicamente fartos. Eles foram invadidos por centenas de milhares de refugiados. Eles estavam sendo militarmente ocupados por um governo estrangeiro que estava cometendo crimes contra a população local; e foi então quando o Hezbollah foi formado.

Em 16 de fevereiro de 1985, o Hezbollah se declarou em carta aberta no jornal “al Safr”, no Líbano. Sua declaração lê-se como basicamente qualquer grupo de pessoas lutando por sua soberania contra as forças tirânicas imperiais estrangeiras:

Nossa Luta

Os EUA têm tentado, através de seus agentes, persuadir o povo de que aqueles que esmagaram a sua arrogância no Líbano e frustraram sua conspiração contra os oprimidos não eram nada além de um amontoado de terroristas fanáticos cujo único objetivo seria dinamitar bares e destruir máquinas caça-níqueis. Tais sugestões não podem e não vão enganar nossa Ummah, porque o mundo inteiro sabe que todo aquele que deseje se opôr aos EUA, aquela arrogante superpotência, não pode se rebaixar a atos marginais que possam fazê-lo se desviar de seu objetivo principal. Nós combatemos a abominação e vamos extirpá-la desde as raízes, suas raízes primárias, que são os EUA. Todas as tentativas de nos empurrar para ações marginais fracassará, especialmente na medida em que nossa determinação de combater os EUA é sólida.

Declaramos em alto e bom som que nós somos uma Ummah temente apenas a Deus e que não está disposta a tolerar injustiças, agressões e humilhações. A América, seus aliados no Pacto Atlântico, e a entidade sionista na Terra Santa da Palestina, nos atacaram e continuam a fazê-lo sem trégua. É por isso que nós estamos, cada vez mais, em estado de alerta permanente para poder repelir as agressões e defender nossa religião, nossa existência, nossa dignidade.

Como você pode ver o sentimento é estranhamente semelhante a esse sentimento de qualquer grupo de pessoas que se rebelam contra uma força imperialista tirânica. O Hezbollah tem mais em comum com os fuzileiros continentais da Revolução Americana contra a Grã-Bretanha, ou com os texanos em Gonzales contra Sant’Anna e o México; do que com qualquer outro grupo.

Eles chegaram até a fazer uma bandeira.

É da natureza humana lutar contra a opressão tirânica estrangeira. Os Estados Unidos devem sua existência a isso, assim como o Texas, e o Hezbollah também; mas há uma parte muito importante que está escondida dos americanos e cristãos do mundo ocidental em relação à fundação do Hezbollah:

Nossos Objetivos

Falemos a sério: os filhos do Hezbollah sabem quem são seus principais inimigos no Oriente Médio – as Falanges, Israel, França e os EUA. Os filhos de nossa Ummah estão agora em um crescente estado de enfrentamento com eles, e permanecerão assim até a realização desses três objetivos:

(a) Expulsar definitivamente os americanos, os franceses e seus aliados do Líbano, ponto um fim a qualquer entidade colonialista em nossa terra;
(b) Submeter as Falanges a um poder justo e levá-los à justiça pelos crimes que cometeram contra muçulmanos e cristãos;
(c) Permitir que todos os filhos de nosso povo determinem seu futuro e escolham em liberdade a forma de governo que desejam.

Na declaração do Hezbollah eles mencionam crimes contra cristãos, e também falam sobre a esperança de que os cristãos possivelmente queiram se converter ao Islã, mas não os incomodarão se não o fizerem.

Mencionam também que o povo deve ter o direito de escolher a forma de governo que deseja (enquanto espera por um governo islâmico). O desejo do governo islâmico há muito tempo foi arquivado pelo Hezbollah, em 2017, pois eles perceberam que isso não seria o melhor para o Líbano agra.

O ponto-chave é que, mesmo em seu início, o Hezbollah estava pensando em proteger os cristãos, e dar ao povo liberdade para escolher o governo que quisesse. A verdadeira questão é que a liberdade pela qual eles iriam lutar não era apenas a dos muçulmanos, mas pela liberdade cristã também, e eles não pararam desde então.

Quando a Guerra Civil Síria trouxe milhões de refugiados ao Líbano em 2011, assim como em 1948, uma desestabilização foi desencadeada; mas desta vez a nova ameaça do ISIS estava tentando se infiltrar e uma força do Hezbollah estava pronta para defender o Líbano e sua população cristã.

Em um artigo de 2015, um cristão da aldeia de Ras Baalbeck, que estava sob ameaça, destacou o compromisso do Hezbollah com os cristãos durante sua luta contra o ISIS dentro do Líbano.

“As únicas pessoas que estão nos protegendo são a resistência do Hezbollah”.

“Os únicos que estão junto do exército é o Hezbollah. Não vamos mais esconder isso”.

“Eles nos aceitam como somos”, “Eles não nos impõem nada. Quando há uma ocasião, eles vêm para os aniversários de nossos filhos. As pessoas aqui aceitam que o Hezbollah vem e nos ajuda”.

No entanto, nunca na mídia americana é mencionado o compromisso do Hezbollah com a proteção dos cristãos, e isso não se detém apenas dentro do Líbano.

Quando o Hezbollah enviou forças para a Síria para levar a luta aos jihadistas do ISIS e da Frente Al-Nusra (Al Qaeda) ou aos chamados “rebeldes moderados” dentro da Síria. Eles também estavam lá para proteger os cristãos sírios.

Estas são as imagens que a mídia americana esconde de seu público. Com cada igreja que libertaram da Al Qaeda e do ISIS na Síria, o Hezbollah lutava pelas mesmas coisas que havia prometido em sua declaração em 1985.

“levá-los todos à justiça pelos crimes que perpetraram contra muçulmanos e cristãos”.

Quando a mídia americana era propositalmente enganosa e mentia ao público americano sobre Aleppo, eles não mostraram que em dezembro de 2016, após sua libertação, os cristãos de Aleppo celebraram a iluminação de sua árvore de Natal com o Hezbollah.

Lutar pelo direito dos cristãos de existirem e observar suas tradições deveria ser algo que os Estados Unidos deveriam estar fazendo, mas ao invés disso a mídia americana tomou o lado das próprias pessoas que estavam tentando destruí-los.

O Hezbollah estava do lado do secularismo e da liberdade de religião, e os Estados Unidos e sua mídia estavam do lado daqueles que queriam destruir tudo isso.

Nenhum vídeo pode ilustrar o completo desligamento da realidade e dos princípios dos Estados Unidos do que o de John McCain menosprezando uma mulher cristã síria.

É claro que John McCain desdenhou de seus pedidos e se refere a Assad como um “açougueiro”. Essa tem sido a narrativa que a mídia americana e os políticos têm contado ao público, mas não lhes dizem o que essa mulher síria sabia.

A Verdade.

Alguém tem que lutar pela liberdade, por soberania e em defesa dos cristãos no Oriente Médio, e infelizmente os Estados Unidos abandonaram isso, mas não o Hezbollah.

O Hezbollah faz muitas outras coisas além de seus esforços militares. Para citar o Conselho de Relações Exteriores em um de seus poucos momentos de dizer a verdade.

“O Hezbollah é um grande fornecedor de serviços sociais, operando escolas, hospitais e serviços agrícolas para milhares de xiitas libaneses”.

O Hezbollah não vai explodir garotinhas em um concerto da Ariana Grande, elas não vão jogar aviões em prédios, ou disparar em boates em Paris ou Orlando, porque o Hezbollah não está lutando contra o estilo de vida americano, ou contra o estilo de vida cristão.

O Hezbollah está lutando pelo direito à vida. Seu direito ao seu modo de vida, e sua existência, mas não apenas o deles, de outros povos também. Incluindo os judeus.

Quando a sinagoga do Líbano foi restaurada após sua destruição (por um ataque aéreo israelense ironicamente), o Hezbollah tinha isto a dizer.

“Respeitamos as religiões divinas, incluindo a religião judaica”, disse Hussein Rahhal, chefe da mídia do Hezbollah. “O problema é com a ocupação israelense (de terras árabes), não com os judeus”.

Aquilo pelo que o Hezbollah realmente está lutando é a única coisa pela qual os Estados Unidos também se esqueceram de lutar.

Liberdade, Soberania e Igualdade.

Israel tentou roubar isso do povo do Sul do Líbano, e ainda hoje rouba aos palestinos esse direito também, e é importante lembrar que se não fosse pela injustiça cometida contra os palestinos e o povo do Sul do Líbano, não haveria Hezbollah.

O Hezbollah nasceu do mesmo subproduto da tirania e da opressão que muitos outros grupos ao longo da história.

Então quem são realmente os combatentes da liberdade no Oriente Médio?

É com o maior desgosto e arrependimento que tenho que dizer.

Não são os Estados Unidos.

Agora em algum tipo de ironia estranha os Estados Unidos são os opressores empíricos, e nossa própria origem nos olha de frente tentando nos lembrar quem somos, ou quem éramos.

Se ao menos pudéssemos nos lembrar.

Se você gostaria de saber mais, eu deixo com um homem escondido numa embaixada para fazer perguntas ao próprio Hezbollah, em oposição à “imprensa livre” que temos aqui nos Estados Unidos.

“Então você conhecerá a verdade e a verdade o libertará”. – João 8:32

A mídia americana se beneficiar de bem mais verdade, e todos nós poderíamos nos beneficiar de muito mais liberdade.

Fonte: Medium

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