Dugin: “O liberalismo moderno é o inimigo absoluto de todo pensamento independente”

Ao contrário do que dizem os liberais, o liberalismo não é um defensor da liberdade. As “liberdades” garantidas pelo liberalismo, todas elas negativas, se resumem à possibilidade de ser liberal. Tente pensar fora do liberalismo e você se torna imediatamente objeto de censura, cancelamento, acusações de “fascismo” e tudo mais. O liberalismo é o novo totalitarismo.

O liberalismo moderno é o inimigo absoluto de todo pensamento independente. Qualquer coisa que não coincida com o dogma liberal deve ser cancelada, eliminada, declarada “fascismo” e seus portadores serão severamente punidos, cortados do acesso às redes, desplataformados, ostracizados.

Se você não compartilhar todas as afirmações dogmáticas dos liberais, você será automaticamente colocado sob ataque, denunciado, perseguido, condenado e amaldiçoado.

Não se trata de duplicidade de critérios ou distorções conscientes e sistemáticas dos fatos. Os fatos não existem fora da interpretação. E no mundo globalista existe apenas uma interpretação – a interpretação liberal. Todo o resto é “fascismo” que deve ser destruído.

O liberalismo se baseia em uma premissa fundamental: o homem é idêntico ao indivíduo. Não há outra identidade, exceto a individual. Ela deve ser aplicada universalmente – na ideologia, na política, na economia, na cultura, no direito, na vida cotidiana. Mas o indivíduo enquanto tal é o homem (a mulher) totalmente desvinculado de qualquer forma de identidade coletiva – religiosa, racial, nacional, de classe, sexual e assim por diante. Tal indivíduo puro não existe na realidade. Ele representa o objetivo moral do liberalismo enquanto processo histórico, ideológico, político e econômico. O indivíduo deve ser puro indivíduo. Essa é uma obrigação moral. E os “progressistas” devem fazer qualquer coisa exigida para criar tal indivíduo. A política de gênero é parte desse processo.

Portanto, o liberalismo não reflete apenas o status quo, mas finge ter o monopólio do futuro. Isso é o mesmo que monopólio da verdade e do poder absoluto.

O liberalismo é algo radicalmente contrário à liberdade. Sua expansão global é totalmente incompatível com qualquer tipo de liberdade. Não apenas o conservadorismo, ou nacionalismo, ou tradicionalismo são as vítimas naturais de tal ditadura ideológica – qualquer coisa que não seja liberal ou que não responda aos critérios normativos do liberalismo contemporâneo com tal abordagem deve ser exterminada.

Estamos vivendo no Gulag liberal com esquadrões liberais da GeStaPo.

Portanto, há apenas uma saída – iniciar a rebelião, unir todas as forças iliberais na frente planetária contra o totalitarismo emergente com todas as suas propriedades clássicas:

  • intolerância absoluta para com os dissidentes;
  • monopólio da verdade;
  • controle e vigilância globais;
  • lavagem cerebral através da cultura, educação e mídia;
  • culto a bons exemplos (pervertidos, estrelas, oligarcas),
  • punições (cancelar, chamar de “fascista”, desplataformar, marginalizar, matar com silêncio) e assim por diante.

O liberalismo deve ser destruído ou pelo menos colocado em limites adequados como uma ideologia entre muitas outras sempre possíveis quando o ser humano ainda é uma criatura livre e viva capaz de fazer escolhas.

Portanto, o slogan principal em nossa luta iliberal universal deve ser LIBERDADE. Autêntica. E isso inclui a liberdade dos liberais ainda serem liberais. Se eles insistirem. Mas isso é opcional. Você é realmente livre para ser liberal quando é simultaneamente livre para ser iliberal.

Reconheçamos o direito humano de ser iliberal. E comecemos a lutar contra a última versão do totalitarismo moderno. Recordemos o pensamento de Hannah Arendt: o totalitarismo é essencialmente um fenômeno da modernidade ocidental.

Vamos dar um fim a ele. De uma vez por todas.

Aleksandr Dugin

Filósofo e cientista político, ex-docente da Universidade Estatal de Moscou, formulador das chamadas Quarta Teoria Política e Teoria do Mundo Multipolar, é um dos principais nomes da escola moderna de geopolítica russa e um dos mais importantes pensadores de nosso tempo.

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