A elite capitalista global é pedófila

Recentemente, foi preso, nos EUA, o banqueiro bilionário Jeffrey Epstein, acusado de tráfico de meninas adolescentes para exploração sexual. Só agora a imprensa em língua portuguesa começou a escrever sobre esse senhor [1].

Nos EUA, as relações dele com a elite política já são um assunto quente desde as eleições presidenciais de 2016. Trata-se de um “filantropo” e especulador do setor financeiro, com firma em paraíso fiscal (nas Ilhas Virgens). Ele já enfrentou problemas com a justiça relacionados à exploração de meninas em 2008.

Epstein é dono de uma ilha particular, na qual organizava orgias com meninas menores de idade, algumas com 13 anos ou menos, para entreter seus convidados. A ilha era apelidada de “Slave Island” (ou “Ilha das Escravas”). Os figurões que frequentam essas festas exclusivas embarcavam no jatinho particular do bilionário, jatinho que tem o sugestivo apelido de “Lolita Express”[2] (uma referência ao romance “Lolita” de Nabokov, que como todos sabem, conta a história de um homem de meia idade que se apaixona por uma pré-adolescente).

Na lista de pessoas que já embarcaram nesse avião particular estão nomes como Bill Clinton (ex-presidente dos EUA), o atual presidente Donald Trump, o ator Kevin Spacey (que, na novela “House of Cards”, interpretou personagem claramente inspirado no próprio Bill Clinton), o dono da Victoria Secret Leslie Wexner [3] e vários outros nomes da indústria de show business, Hollywood e até da família real inglesa.

Em publicação recente nossa [4] (por ocasião da cocaína flagrada no avião do presidente brasileiro Jair Bolsonaro), afirmamos que boa parte dos serviços de inteligência e o “deep state” das grandes potências e países emergentes está enredada em uma teia que inclui crime organizado. É uma teia na qual se encontram arapongas, informantes, traficantes, terroristas etc. Mencionamos que, nos EUA, essa conexão se estende à indústria multimilionária da pornografia infantil e da exploração sexual de crianças e adolescentes. Mencionamos ainda que isso não se limita a esquemas de corrupção envolvendo autoridades cúmplices, mas também envolve operações clandestinas dos próprios serviços de inteligência, para fins de chantagem (“blackmail”) e até estudos científicos anti-éticos envolvendo trauma profundo em cobaias humanas e “lavagem cerebral”.

É amplamente sabido, por exemplo, que o governo americano usou crianças de orfanato como cobaias humanas em experimentos que envolviam tortura e drogas alucinógenas. Alguns desses experimentos faziam parte do projeto MKULTRA [5]– vários documentos secretos referentes a essas operações hoje são públicos. O próprio ex-presidente Bill Clinton já pediu perdão publicamente às vítimas[6]. Portanto, isso não é “teoria da conspiração”, é História recente e, ressaltamos, também a realidade presente. Basta ver o tipo de tortura física e psicológica de cunho sexual e humilhante que os EUA levam a cabo em Guantánamo e Abu Ghraib, para azar dos prisioneiros.

A tortura sexual degradante e várias formas de abuso fazem parte da cultura política do Establishment e sociedade americana [7]. Existe, talvez, uma certa continuidade entre as práticas de “bullying” ultra-humilhantes no ambiente escolar americano (que geram, anos depois, aqueles “atiradores” vingativos), os “trotes” das fraternidades e sociedades secretas americanas (geralmente envolvendo nudez, “spanking” etc) e, finalmente, aberrações como o projeto MKULTRA. É uma patologia social e cultural que remonta, talvez, às raízes britânicas dos EUA e à tradição de colégios internatos (“boarding schools”) e abusos característicos da sociedade inglesa (nas escolas, reformatórios, na Marinha etc). Não é por acaso que as crianças filhas de migrantes ilegais (ou simplesmente de pessoas barradas pela alfândega americana) ficam detidas, separadas dos pais, por meses em jaulinhas, dormindo no chão [8] – isso foi noticiado recentemente, mas é prática antiga nos EUA. E não é coincidência, tampouco, que muitas dessas crianças tenham sido transferidas para bases militares [9].

A mesma nação que, em seu puritanismo, considera como “criança” qualquer adolescente menor de idade, também é a nação que assistia com prazer os filmes de Shirley Temple [10] e que idolatra Michael Jackson. Declarações de Elijah Wood e outros sobre a pedofilia endêmica em Hollywood mostram que o caso Harvey Weinstein e o movimento “Me too” são apenas a ponta do iceberg. Não é coincidência que filmes e séries de sucesso como “Stranger Things” e tantas outras tenham o enredo focado em crianças que sofram tortura, lavagem cerebral etc. No imaginário popular, já é um “tropo”.

Não estamos, note-se, “misturando assuntos” – as relações entre o show business americano, o crime organizado e o deep state são notórias. Em uma sketch cômica, o humorista Didi cantava que Marlon Brando “manteigou” Maria Schneider (alguém lembra?). Hoje se sabe que, na famosa cena do filme “Último Tango em Paris”, a atriz foi realmente violentada na frente das câmeras [11] (ela não sabia que a cena iria ser assim). Já que estamos falando de Hollywood, muito se poderia falar de um cineasta como Roman Polanski e suas relações com um submundo de filmes pornográficos clandestinos. Parte da mesma elite parasitária que controla o sistema financeiro também controla a indústria de entretenimento – no Brasil mesmo, a Rede Globo hoje lucra mais com especulação financeira do que com a audiência decrescente de seus programas. Mas vamos em frente.

Sobre o mencionado MKULTRA, o livro “In the Name of Science: A History of Secret Programs, Medical Research, and Human Experimentation” de Andrew Goliszek narra como o psicólogo da agência de espionagem americana (a CIA), Dr. Ewan Cameron realizou experiências com cobaias humanas, inclusive filmando crianças que eram abusadas sexualmente por autoridades americanas, como parte de uma operação de chantagem para garantir que as verbas para suas pesquisas não fossem cortadas (p. 170-1 da edição de 2003). [Observação: aparentemente já existe uma tradução no Brasil, camada “Cobaias humanas” da editora Ediouro. Contudo, não tivemos acesso ainda a essa edição]. Note-se que Andrew Goliszek é um cientista biomédico PhD, professor de endocrinologia na Universidade de North Carolina, e um autor respeitado. Não é, reiteramos, “teoria da conspiração”.

Voltando ao caso de Epstein, consta que o então presidente Bill Clinton (acusado, aliás, de vários estupros) não só embarcou no “Expresso Lolita” dezenas de vezes, como também, em muitas ocasiões, dispensou seus guarda-costas (os agentes do Serviço Secreto presidencial) e fez questão de ir desacompanhado e sem registrar o fato na agenda presidencial, o que viola os protocolos de segurança.

Não é coincidência que a Fundação Clinton (gerenciada por ele e sua esposa Hillary Clinton) esteja envolvida em vários escândalos relacionados a pedofilia e tráfico de crianças, inclusive no Haiti – e com ordens da então Secretária de Estado Hillary Clinton (durante o governo Obama) para intervir em alguns desses casos, acobertando e ajudando acusados de tráfico de crianças [12].

Parte dessa acusações fazem parte daquilo que a grande mídia rotulou como “Pizzagate”. Durante a campanha presidencial, em um jantar beneficente, Trump chegou a fazer piada sobre isso, dizendo que, no Haiti, Hillary Clinton tinha feito desaparecer algumas crianças[13]. Ora, o próprio Trump também frequentou as festas do bilionário Epstein e fez fortuna parcialmente com o tráfico de modelos menores de idade do leste europeu, levadas aos EUA pela sua agência de modelos, inclusive mediante falsificação de documentos, conforme várias denúncias sólidas – o que também configura tráfico de seres humanos [14].

Voltando, mais uma vez, a Epstein, em uma busca policial em 2016, as autoridades já haviam encontrado, em sua mansão, brinquedos infantis, uma fotografia obscena de uma criança aparentando ter cerca de seis anos em pose sugestiva e ainda uma cadeira de dentista [15]. É possível que a cadeira fosse para emergências odontológicas (?), mas também é sabido que existe fetiche sadomasoquista em cadeiras desse tipo para uso em sessões de tortura. A verdade é que filmes como “Hostel” (o “Albergue”) não são apenas obras de ficção, mas alusões a coisas reais.

Considerando que havia câmeras nas mansões do banqueiro Epstein, parece tratar-se de mais uma operação de chantagem, na qual o oligarca financeiro, fazendo o papel de anfitrião e cafetão, consegue, por meio dos vídeos que têm guardado, manter sob seu controle políticos pervertidos que se encontram em posições chave na sociedade (evidentemente se trata de uma rede). Note-se que Epstein, que é judeu-americano, também tem tentáculos na política israelense [16] Esse é também o modus operandi dos serviços de inteligência: é famoso o caso do lobista Craig J. Spence [17], que foi encontrado morto em um quarto de hotel em 1989. Spence estava envolvido em uma rede de prostuição homossexual de meninos que eram levado até mesmo a alas da Casa Branca nos EUA [18], em um famoso escândalo envolvendo a CIA, os ex-presidentes George Bush (o pai) e Ronald Reagan – ambos, aliás, envolvidos também no escândalo Irã-Contra (que envolvia tráfico de drogas e armas).

Poderíamos falar, ainda, do conteúdo de alguns e-mails vazados (e publicados pela Wikileaks) trocados por John Podesta, chefe da campanha de Hillary Clinton. Mas, por ora, já falamos demais.

Trata-se, enfim, de uma elite global que é predatória financeiramente e sexualmente e cujas vítimas são mulheres, homens, meninos e meninas.

Temos evidências concretas, como já mencionamos [19] que esse tipo de operação aqui descrita também tem tentáculos no “deep state” brasileiro – já lembramos, por ocasião da cocaína encontrada no avião presidencial brasileiro, do caso do coronel da Polícia Militar Pedro Chavarry [20] Duarte, pedófilo notório, envolvido em tráfico de bebês desde os anos 1990.

Ora, a usura, inerente ao sistema capitalista atual, é apenas uma outra face da escravidão (escravidão por juros) – não é por acaso que existem ainda mais escravos hoje em dia do que antes da abolição da escravatura [21]. A elite plutocrática capitalista é inerentemente escravocrata. A exploração sexual (como a prostituição) é apenas outra face da escravidão.

É contra esse sistema usurário, predatório e pervocrático que lutamos.

Nunca esqueceremos.

LIBERDADE! JUSTIÇA! REVOLUÇÃO!


Fontes:

[1] “Caso Epstein é ‘símbolo da podridão plutocrática’ nos EUA”. FOLHA DE S. PAULO, 10 jul. 2019.

[2] “If You Flew Epstein’s ‘Lolita Express’ Private Jet—the Feds Want to Talk to You”. BLOOMBERG, 8 jul. 2019.

[3] “Both Trump And Clinton Went To Jeffrey Epstein’s Sex Slave Island”. DAILYWIRE, 16 maio, 2016.

[4] O avião de cocaína do Bolsonaro: Quais são as ligações de Bolsonaro com o Narco-Estado?.

[5] Sobre o MKULTRA, várias referências bibliográficas estão disponíveis nas notas de rodapé da próprio verbete da Wikipedia (mas a versão em inglês está bem mais completa)
Vide ainda:

Documento oficial sobre o MKULTRA publicado pelo New York Times (aqui disponível em formato PDF):

‘What they did to my mother was torture’: The daughter of a CIA brainwashing victim looks for justice”. NATIONAL POST, 13 nov. 2017.

The toxic legacy of Canada’s CIA brainwashing experiments: ‘They strip you of your soul’”. THE GUARDIAN, 3 maio 2018.

[6] Neste vídeo é possível ver o então presidente Bill Clinton pedindo desculpas às vítimas do Projeto MKULTRA em um pronunciamento oficial: “President Clinton Apologizes for MK Ultra”.

[7] Vide o documentário “Torture Made in USA”. Disponível aqui.

[8] “Como são as ‘jaulas’ em que os EUA estão detendo filhos de imigrantes sem documentos”. BBC, 19 jun. 2018.

[9] “Trump Administration to Hold Migrant Children at Base That Served as WWII Japanese Internment Camp”. TIME, 11 jun. 2019.

[10] Sobre Shirley Temple e fenômenos similares, vide esta cena, por exemplo, do filme “The Stand-In” de 1937: “Perverse clip from “The Stand-In””.

[11] “Bertolucci admite que Maria Schneider não sabia da cena de manteiga em ‘Último Tango em Paris’”. GLOBO, 05 dez. 2016.

[12] Vide o caso Laura Silsby – um resumo pode ser lido aqui: “The Clinton-Silsby Trafficking Scandal And How The Media Attempted To Ignore/Cover It Up”. ZERO HEDGE, 25 jan. 2017.

[13] “Trump and Clinton just roasted each other at a charity dinner, and boy was it awkward” VOX, 20 out. 2016.

[14] “We All Knew About the Trafficking”-The Untold Story of Trump Model Management (Part 1). DAILY KOS, 06 out. 2016.

[15] Sobre a cadeira de dentista e outras perversões, vide: “EXCLUSIVE: Fully-equipped dentist chair, close-ups of young girls’ backsides and a teddy by his bed: Creepy images and video from inside the mansion of Clinton and Prince Andrew friend, pedophile Jeffrey Epstein”. DAILYMAIL, 14 jul. 2016.

[16] “The Jeffrey Epstein scandal has found its way into Israel’s elections”. CNN, 11 jul. 2019.

[17] “Spence Arrested in N.Y., Released; Once-Host to Powerful Reduced to Begging, Sleeping in Park”. Washington Times, 9 ago. 1989.

[18] “Homosexual prostitution inquiry ensnares VIPs with Reagan”. WASHINGTON TIMES, 29 jun. 1989.

[19] “Coronel da PM tem histórico de crimes contra crianças” (GLOBO, 12 set. 2016). Vide:

[20] ““A bebê estava no banco do carona, chorando, nua”, diz delegada”. VEJA, 10 dez. 2018.

[21] ““Hoje há mais escravos do que havia antes da proibição da escravidão”, constata Manfred Max Neef, economista”. 08 jun. 2016.

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