Coronavírus: “A pandemia é usada para justificar um novo paradigma de poder e controle social”

Não é conspiracionismo perceber que apesar da pandemia ser um problema real, e que medidas restritivas de liberdade sejam inevitáveis e necessárias, as forças hegemônicas estão aproveitando a oportunidade para apertar o cerco, de modo a estabelecer um novo paradigma autoritário para proteger o turbocapitalismo, um novo Panóptico operado por drones para que as grandes corporações e os Estados burgueses possam monitorar perpetuamente uma população passiva e amedrontada.

É como se, de repente, nos encontrássemos projetados no novo papel de sujeitos que devem executar todas as regras restritivas que o poder, dia após dia, impõe: regras que, inegavelmente, contradizem os valores sobre os quais nossa vida foi construída e que nunca teríamos imaginado ser solicitados a suspender. O poder capitalista oscila constantemente entre uma tendência autoritária e coercitiva, por um lado, e uma tendência permissiva, por outro: ele deve, por um lado, impedir qualquer êxodo do próprio capitalismo e, ao mesmo tempo, favorecer em todos os sentidos a livre circulação de bens e consumo.

Por um lado, requer sujeitos obedientes e passivos, súcubos de poder e suas emanações. E, por outro lado, quer que prevaleça o perfil do consumidor, a quem tudo é permitido, desde que ele possa pagar economicamente. O capitalismo, portanto, toma a forma de uma “jaula de aço” (Weber) com barras de aço inoxidável e com uma punição rápida para quem quiser fugir; uma jaula de aço, porém, dentro da qual tudo deve ser de livre acesso na forma de mercadorias. Na história do capitalismo, segundo as fases históricas e os contextos geográficos, prevalece o primeiro momento autoritário (pense, por exemplo, no Chile de Pinochet), agora o segundo momento permissivo-consumista (considere, nesse sentido, a “mutação antropológica” produzida pelo Sessenta e Oito como transição para um capitalismo anti-autoritário e de livre consumo).

Agora, como já foi dito, parece que a fase autoritária domina novamente, na forma específica e inédita de um regime de saúde que nos reduz à categoria de sujeitos e, ao mesmo tempo, de assintomáticos perigosos. E o faz precisamente ao limitar liberdades e direitos e ao estabelecer uma verdadeira exceção de estado de emergência, na qual a segurança só é garantida em troca da renúncia a cotas importantes de direitos e liberdades. O que é surpreendente, neste cenário excepcional, é também a evidente incapacidade da maioria das pessoas de analisar os dispositivos de emergência para além do contexto imediato em que operam e para o qual se diz terem sido concebidos.

Aqueles que ousam apontar que essas restrições de liberdade e direitos, justificadas em nome da emergência, podem muito bem ser os sinais ou, para permanecer na esfera médica hegemônica, os “sintomas” de uma mudança de paradigma e de uma reestruturação vertical do poder, são tomados literalmente por vítimas da loucura ou – o que não é tão diferente na sociedade terapêutica – por prisioneiros da mentalidade da “conspiração”. Em outras palavras, muito poucos têm força, coragem, lucidez e talvez até honestidade para apontar que é provável que nos encontremos na presença de um novo e diferente governo, que está colocando em marcha uma nova fase do turbocapitalismo.

E que, usando a narrativa da emergência como arte de governo, um novo paradigma de poder: que, além da emergência (que provavelmente não se extinguirá tão rapidamente, talvez também graças ao surgimento de novas pandemias), marca uma novidade na história do Ocidente e do próprio capitalismo, obtendo, além disso, uma eficácia ainda maior de controle e administração de mentes e corpos, em comparação com as fases autoritárias anteriores vividas pelo modo de produção capitalista. Este novo método de governo em statu nascendi reconfigura o próprio capitalismo, de uma sociedade de livre gozo e desregulamentação econômica e antropológica, em uma sociedade de controle total: ou seja, em uma espécie de imenso hospital em que a relação entre cidadãos e governantes é redefinida em termos de um vínculo sem precedentes entre os doentes e os médicos.

Tal elo, aliás, poderia fazer valoer tanto a exigência autoritária de que falamos (o elo entre paciente e médico é assimétrico e hierárquico por natureza), quanto um novo módulo narrativo, que já parece em grande parte operativo: um módulo narrativo que apresenta sempre as medidas estritas e prejudiciais da liberdade como se fossem para sempre, quase como se tais medidas fossem o equivalente do medicamento administrado pelo médico ao paciente para garantir sua sobrevivência. Assim, entre outras coisas, tudo é explicado exceto a estúpida aceitação pela população italiana do novo método de controle através de drones.

Tal sistema, digno da pior distopia orwelliana, é às vezes acolhido com entusiasmo por homens reduzidos à condição de terror: “Coronavirus, a Enac dá luz verde ao uso de drones para monitorar movimentos” (“La Stampa”, 23.3.2020). Como na teoria do Panóptico teorizado por Bentham e estudado por Foucault, com drones voando sobre nós, somos agora permanentemente controláveis. Estamos sempre prontos para sermos vigiados e punidos por nossos drones.

Fonte: Affari Italiani

Diego Fusaro

Analista político e ensaísta italiano de orientação nacional-revolucionária. @DiegoFusaro

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