Bolsonaro, Olavo, Pedofilia e Seitas Macabras

O advogado de Bolsonaro fez parte de uma “seita satânica” nos anos 1990. Wassef já teve até prisão decretada pelo assassinato de crianças e hoje é suspeito de envolvimento com milícias. Mas as milícias e a seita possuem pelo menos uma coisa em comum

Como assim? Leia mais e entenda a história.

Também foi solicitada a prisão temporária do advogado Frederick Wassef, o único da seita Lus. Além de Valentina, que estava hospedada no Hotel Vila Real, em Guaratuba, ele seria o divulgador da seita

(Jornal do Brasil, em 25 de julho de 1992) – veja o recorte do jornal mais abaixo.

Em 1992, a polícia investigava uma seita ocultista responsável pelo assassinato depois comprovado de pelo menos cinco crianças, em rituais macabros. A justiça pediu a prisão de um suspeito, o advogado F. Wassef, envolvido com a seita LUS. Quem é ele? Frederick Wassef é o advogado do presidente Jair Bolsonaro. Saltando no tempo 28 anos, na casa de Wassef estava escondido, desde 2019, o foragido da justiça Rogério Queiroz e Wassef é agora também suspeito de envolvimento com as milícias (gangues paramilitares que são consideradas crime organizado). Poderia haver uma relação entre as duas coisas?

Acharam o Queiroz!” – Fabrício Queiroz foi encontrado na casa de Wassef

Ontem (18/jun/2020) foi preso, na Operação Anjo, o Sr. Fabrício Queiroz, que estava foragido e poderá dar informações importantes sobre um esquema de corrupção envolvendo a família Bolsonaro e sua ligação com milícias do Rio de Janeiro. Para quem não se lembra, Queiroz foi assessor de Flávio Bolsonaro (filho do presidente) e estava fazendo movimentação financeiras suspeitas que colocaram a família Bolsonaro e ele mesmo sob suspeita. Ele andou sendo investigado e esteve desaparecido (com uma breve aparição e novo sumiço) desde dezembro de 2018. Foi finalmente encontrado escondido em Atibaia, no sítio de Frederick Wassef, advogado do presidente Bolsonaro e sua família. Quem denunciou seu paradeiro, curiosamente, foi Heloísa Carvalho, filha de Olavo de Carvalho – o astrólogo e ocultista guru do presidente Jair Bolsonaro (Heloísa rompeu com o pai em 2017). A Sra. Heloísa, a propósito, certamente se beneficiaria de um serviço de segurança ou escolta armada.

“Fred” Wassef – o homem que inventou Bolsonaro

Fonte da imagem: https://especiais.gazetaonline.com.br/cesio/

Fonte da imagem: https://especiais.gazetaonline.com.br/cesio/

Quem é Wassef – o Anjo

Wassef, conhecido como “Anjo”, defende, como advogado, Flávio Bolsonaro e também é o advogado de Jair Bolsonaro no caso da facada que o presidente levou antes da eleição. Ele é muito próximo da família Bolsonaro e está sempre com eles “no dia a dia”. Mais do que um advogado: Wassef é chamado de “o homem que inventou Bolsonaro”, pois foi ele quem deu a ideia de Jair Bolsonaro se candidatar à presidência. Ele é também chamado de “ministro sem pasta”, tamanha é a sua influência no governo.

Antes de se tornar advogado do atual presidente do Brasil e sua família, Wassef teve alguns problemas com a justiça e fez parte de uma seita ocultista de alta periculosidade. Uma seita “satânica”. Uma seita que matou algumas crianças em rituais.

A seita “satânica” e o assassinato de crianças

Em 1992, no mesmo ano em que F. Wassef tirou sua carteira de advogado da OAB, ele esteve envolvido com a seita LUS (sigla para “Lineamento Universal Superior”, que é Alinhamento Universal Superior em espanhol. Essa sigla forma a palavra “lus”, que é luz em espanhol – aparentemente, uma referência a Lúcifer, o Portador da Luz). Chegaram a pedir a prisão dele na época por conta do envolvimento dele com essa seita perigosa, responsável pelo assassinato de algumas crianças. Surreal demais para ser verdade? Note que até Lauro Jardim, de O Globo, escreveu sobre isso. Outras reportagens trazem manchetes como “Wassef já foi envolvido em caso de sacrifício de criança“.

Recorte da notícia do Jornal do Brasil, de 25 de julho de 1992

Seita ufológica e gnóstica

Embora tenha sido chamada de “satânica” (e certamente é satânico assassinar crianças!), a seita LUS poderia ser descrita mais exatamente como gnóstico-ufológica: eles acreditam que estão em contato com seres extraterrestres iluminados e acreditam que o Deus bíblico na verdade seria um falso deus (como o “demiurgo” dos gnósticos).

Evandro e Leandro Bossi e crianças assassinadas e estripadas

Mas por que, na época, pediram a prisão do advogado de Bolsonaro, Sr. Wassef? É que esteve hospedado no mesmo hotel, no Paraná, que Valentina de Andrade, a líder da seita LUS – o hotel Vila Real. Não só esteva lá hospedado acompanhando Valentina e a seita LUS como duas pessoas presas (pela morte do garotinho Evandro Ramos Caetano) citaram a ele, Wassef e a seita LUS como mandantes. O chamado “caso Evandro” teve imensa repercussão nacional e internacional.

Tudo começou com o desaparecimento em Guaratuba (Paraná) de Leandro Bossi, um menino de 8 anos. Dois meses depois, desapareceu também outra criança, Evandro Ramos Caetano. Na época, acreditou-se que os dois casos eram relacionados.

O menino Evandro foi encontrado morto, em um matagal, com os olhos arrancados, o couro cabeludo “escalpelado”, sem as mãos e estripado (a barriga estava aberta com órgãos faltando).

O caso teve imensa repercussão e a investigação, como já mencionado, chegou no casal José Teruggi (um argentino) e sua esposa brasileira Valentina de Andrade, que lideravam a seita LUS. Eles foram posteriormente acusados de matar mais cinco crianças, em rituais de magia. Contudo, na época, só foi emitido mandato de prisão para um único membro desta seita: o Sr. Wassef (e o pedido de prisão foi anulado, de modo que ele nunca chegou a ser preso).

As supostas bruxas de Guaratuba

Quem acabou sendo preso foram mulheres sem nenhuma ligação com a seita LUS: as chamadas “bruxas de Guaratuba” – a senhora Beatriz Cordeiro Abagge e sua mãe, dona Celina Abagge. Elas foram acusadas pela promotoria pública de serem as mandantes do rapto e assassinato do menino Evandro, em um ritual de magia negra.

A prisão delas, inclusive, é estranha, cheia de erros e muitos especialistas acreditam que houve confissão sob tortura. Para se ter uma ideia, a juíza responsável, Dra. Anésia Edith Kowalski, chegou a ser acusada de ter assistido as sessões de tortura das acusadas Beatriz e Celina Abagge!

O ex-ditador pedófilo Stroessner também marcava presença em Guaratuba

Pior ainda (e mais estranho ainda): essas supostas sessões de tortura acima mencionadas teriam acontecido na casa que o ex-ditador paraguaio, o general Alfredo Stroessner, mantinha na cidade de Guaratuba (até hoje, a cidade de Guaratuba tem uma praça que homenageia o general Stroessner. Ele vivia como asilado no Brasil e morreu em sua casa em Braśilia, em 2006 – porém, ele também mantinha uma casa de litoral em Guaratuba). Leia mais sobre isso aqui).

O general Stroessner, aliás, além de ter comandado um regime ditatorial pró-americano bastante brutal e corrupto (que envolveu as próprias Forças Armadas no narcotráfico e transformou o país no hub sul-americano de contrabando), também era um pedófilo voraz – chegou a manter um harém com meninas pré-púberes escravizadas que ele estuprava (estima-se que ele abusou de mais de mil crianças).

Aliás, já em 2019, já anos depois da morte de seu ídolo, Bolsonaro, já na presidência do Brasil, homenageou Stroessner. Jair Bolsonaro sempre admirou Stroessner, que morou por muitos anos em Brasília (assim como ele próprio, durante seus mandatos de deputado federal). Não sabemos dizer se os dois já se encontraram. Não sabemos tampouco dizer se ele estava em Guaratuba quando o garoto Evandro foi assassinado – ou quando a seita LUS e o Sr. Wassef estavam na cidade.

Recapitulando

Ou seja, recapitulando, por uma estranha coincidência, em um caso havendo assassinato e mutilação de criança, duas mulheres ( Beatriz e Celina Abagge) que supostamente foram presas injustamente (por um crime cujos suspeitos eram membro da seita do hoje advogado de Jair Bolsonaro – seita essa envolvida em assassinatos e abusos de criança) teriam sido ambas, Beatriz e Celina, torturadas na casa ex-ditador pedófilo Stroessner, que era ídolo de Jair Bolsonaro.

Recapitulando ainda: iInicialmente, quem era suspeito do crime (assassinato do garoto Evandro) não era nenhuma dessas senhoras acima mencionadas, mas sim membros da seita LUS – como o Sr. Wassef, que, por uma coincidência, estava na cidade em um hotel junto com a Sra. Valetina, líder da seita LUS.

Por uma incrível coincidência, no mesmo período, crianças estavam sendo emasculadas, mutiladas e/ou assassinadas no Maranhão e Pará e na Argentina e, algum tempo depois, membros da mesma seita LUS foram condenados por esses assassinatos de crianças!

Resumindo: em 1992, o delegado Luis Carlos de Oliveira pediu a prisão de Wassef (atual advogado de Bolsonaro), porém o mandado de prisão acabou sendo anulado pela juíza Anésia Edith Kowalski. Wassef chegou a prestar depoimento e admitiu que fazia parte da seita. Contudo, nunca foi condenado pelos assassinatos de crianças.

Os meninos emasculados de Altamira

O caso Evandro, acima mencionado, é polêmico, mas sabemos que a seita LUS de Valentina de Andrade atuava no Paraná, na Argentina e também no norte do Brasil. Em Altamira, no Maranhão (região cheia de conflitos relacionados ao garimpo), vários meninos foram emasculados (tiveram o pênis cortado) – alguns sobreviveram. Mais informações sobre os meninos de Altamira podem ser conferidas nas seguintes fontes:

A Folha de São Paulo, em 04/set/2003 noticiou:

“Meninos com idades entre 8 e 14 anos foram sequestrados, castrados e mortos em Altamira (777 km de Belém, PA), entre 1989 e 1993. De acordo com o Ministério Público, os crimes ocorreram em rituais de magia negra.
Dois médicos, um ex-policial militar, o filho de um empresário local e uma paranaense que supostamente lideraria uma seita ligada a magia negra foram acusados pelos crimes. Um sexto homem acusado de integrar o bando, também ex-policial militar, está foragido. Os acusados negam qualquer envolvimento no caso.
Segundo o Ministério Público, o grupo é responsável pela castração de nove meninos –seis deles foram mortos–, por cinco tentativas de sequestro e pelo desaparecimento de outras cinco crianças.
As crianças mortas e as três sobreviventes tiveram os órgãos genitais tirados com instrumento cirúrgico, segundo laudos periciais realizados na época. Algumas delas foram abusadas sexualmente. A paranaense Valentina de Andrade seria a líder de uma seita, com sede na Argentina, chamada LUS (Lineamento Universal Superior). Ela é apontada, ainda, no desaparecimento de um menino e no assassinato de outro, no Paraná, em 1992. A seita seria acusada, na Argentina, de crimes não esclarecidos. Dois dos envolvidos foram condenados, em julgamento encerrado na última sexta-feira (29).
O ex-policial militar Carlos Alberto dos Santos foi considerado culpado pelo Tribunal do Júri” (…)

Tráfico de órgãos? Redes de pedofilia?

Curiosamente, o site da senhora Valentina Andrade (é basicamente o nome dela com o final .com.br) ainda está no ar e contem textos místicos desta seita.

É interessante observar o envolvimento de policiais militares na seita. E é interessante observar também que havia suspeitas de tráfico de órgãos. Em 1994, uma reportagem mencionava:

“Após quatro meses de investigações, a Polícia Federal (PF) elaborou em outubro de 93 um relatório paralelo. O documento, inconclusivo, apontava que os crimes estariam ligados a seitas satânicas ou ao tráfico de órgãos humanos

A seita de Valentina é uma mistura de Nova Era, ufologia e gnosticismo. Contudo, em alguns casos, membros da seita foram cúmplices de um pai-de-santo, Osvaldo Marcineiro. sendo que o grupo de Valentina não tem absolutamente nada a ver com cultos afro-brasileiros. É possível que a seita seja uma espécie de “front” ou fachada para atividades de crime organizado (mas uma coisa não exclui a outra e criminosos de inclinação mística podem, às vezes, ser incrivelmente “ecléticos” – vide, por exemplo, os chamados “narcosatânicos” de Matamoros, no México e o caso de Adolfo Constanzo).

O tráfico de órgãos, de qualquer forma, é uma indústria milionária, embora algumas pessoas pensem que é “lenda urbana”. Vide dados neste artigo científico: “O TRÁFICO DE PESSOAS PARA REMOÇÃO DE ÓRGÃOS: DO PROTOCOLO DE PALERMO À DECLARAÇÃO DE ISTAMBUL”.

Curiosamente, a legislação brasileira não reconhecia como crime especificamente o tráfico de pessoas para remoção de órgãos – na contramão de acordos internacionais (vide o artigo acima citado, p. 18).

Então, estamos lidando com uma seita internacional (LUS) que pode ser parte de um esquema de tráfico de órgãos e exploração sexual de crianças. E o advogado do presidente do Brasil é ou foi membro desta seita. O sr. Wassef, além de ter sido membro, nos anos 1990, de uma seita envolvida com o assassinato e estupro de crianças, atualmente é suspeito de envolvimento com as chamadas milícias criminosas (Queiroz foi encontrado escondido no sítio dele, lembram?)

Mas a seita LUS e as milícias brasileiras (e Alfredo Stroessner) têm pelo menos uma coisa em comum: a exploração sexual de crianças.

As milícias e a exploração de crianças

Em 2018, a polícia prendeu membros de uma milícia de Campos dos Goytacazes (Rio de Janeira) que exploravam sexualmente crianças. Entre eles, estava inclusive um irmão do ex governador Garotinho, Nelson Nahim (Fonte: ).

Estamos falando aqui de crianças mantidas em cárcere privada, sob ameaças, sendo estupradas e prostituídas para empresários e políticos. Mas esse não é o único caso. Há mais de dez anos, além de atuarem com jogatina, prostituição e clínicas de aborto, as milícias têm se engajado no narcotráfico e exploração sexual de crianças e adolescentes. Veja, abaixo, alguns recortes de notícias:

Numa casa na Avenida Canal do Anil, os milicianos selecionam crianças e jovens, entre 9 e 14 anos, que vão ser negociadas em noitadas embaladas por bebidas e drogas. (…) a milícia descobriu agora que a exploração sexual de crianças e adolescentes pode ser mais um filão. Antes, casos de prostituição infantil aconteciam em redutos do tráfico, sendo comuns em bailes funks

Fonte:

A milícia mostra sua cara. Autor: Ramalho, Sérgio. O Globo, 28/08/2008, Rio, p. 16.
Disponível também em: https://extra.globo.com/noticias/rio/milicianos-da-gardenia-azul-sao-investigados-por-exploracao-de-prostituicao-infantil-566689.html

Cerca de 15 crianças e adolescentes (entre oito e 17 anos) eram mantidas em cárcere privado para prostituição e exploração sexual, nos anos de 2008 e 2009. Elas eram vigiadas por homens armados e recebiam comida e drogas como pagamento. As vítimas eram obrigadas a consumir drogas, como cocaína, haxixe, crack, ecstasy e maconha, sem que pudessem oferecer resistência. A quadrilha também levava as vítimas até os clientes em motéis e hotéis da cidade.

Fonte: “Irmão de ex-governador Garotinho é preso por exploração sexual infantil em Campos. Crianças e adolescentes ficavam em cárcere privado e faziam até 30 programas por dia

Outros casos de abuso de crianças e até bebês envolvendo policias militares corruptos

Em 2016, o coronel da PM do Rio de Janeiro Pedro Chavarry Duarte foi preso em flagrante, abusando de uma bebê de 2 anos de idade, que chorava, nua, em seu carro, à noite. Ele tentou fugir (deixando a criança para trás, sozinha no carro) e depois tentou subornar os agentes policias.

Chavarry foi condenado 11 anos de prisão e depois se tornou réu em um novo processo, envolvendo criança e um adolescente.

Fontes:

Quem é o coronoel Duarte – trafico de bebês e família Bolsonaro

O hoje coronel reformado Pedro Chavarry Duarte era presidente da Caixa Beneficente da Polícia Militar do Rio e membro da mesa diretora da irmandade de Nossa Senhora das Dores da PM. Participava de atividades filantrópicas da Igreja Católica, o que lhe dava acesso a famílias carentes e crianças para abusar. Contudo, o ocorrido acima mencionado não foi a primeira vez. Em 1993, por uma incrível coincidência, o mesmo militar foi preso sob suspeita de TRÁFICO DE BEBÊS.

O secretário estadual de Assistência Social e Direitos Humanos, Paulo Melo, lembra que, na década de 90, quando presidiu uma Comissão Parlamentar de Inquérito na Assembleia, participou da prisão de Pedro Chavarry Duarte, acusado de tráfico de bebês:
Fui procurado por uma associação de moradores de Bangu, que relatou o envolvimento de um PM na venda de crianças. Montamos uma operação com a ajuda do 14º BPM (Bangu) e ficamos esperando no local onde os bebês eram deixados de manhã, sob o efeito de tranquilizantes, e, à noite, levados pelo bando. Quem da quadrilha chegou para pegar o bebê, de apenas quatro meses, foi o então capitão Chavarry, preso em flagrante.
Para Melo, pode haver um envolvimento sistemático do PM em situações de abuso e tráfico de menores desde a década de 90:
Ele se aproximava das mães, geralmente de comunidades muito carentes, e dizia que trabalhava para a Igreja e iria arrumar uma creche. Até colocava os bebês em creches, mas, em seguida, convencia as mães de que elas não tinham condições de criá-las , e que o melhor seria doá-las. Depois, essas crianças eram vendidas pelo oficial.
Melo determinou que a secretaria acompanhe o caso. Quer saber se Chavarry continuava a atuar no rapto de menores. E ainda como ocorreram as promoções do oficial, sem levar em consideração o seu histórico criminal.

Fonte: Coronel da PM tem histórico de crimes contra crianças.

Observe-se que mesmo ele tendo sido preso em flagrante, nos anos 1990, foi absolvido – o que pode ser um indício de interferência do crime organizado (com ameaças, chantagens, suborno etc) na investigação e no processo. Além disso, subiu na carreira militar, chegando a coronel. Não se trata de um caso individual de um policial miilitar que, em sua vida secreta, praticava o crime de pedofilia. O indício é de uma rede de pedofilia, uma quadrilha de crime organizado.

Curiosamente, o filho do presidente Jair Bolsonaro ameaçou processar quem divulgar fotos dele ao lado do coronel pedófilo Chavarry. O coronel Chavarry foi candidato a deputado federa pelo partido PSL (na época, o partido de Bolsonaro).

Bolsonaro e sua família poderiam alegar que não sabiam do histórico de Chavarry – mas isso não se sustenta, visto que o mesmo chegou a ser preso nos anos 1990 e isso é um fato público e notório.

Bolsonaro e o crime organizado

Nós já avisamos desde 2018, em nossa Nota Oficial da Nova Resistência sobre as Eleições 2018 que o então candidato Bolsonaro estava, há anos, comprometido com as máfias do jogo do bicho e as milícias:

No Plano de Governo de Bolsonaro, na página 32, ele propõe “[r]etirar da Constituição qualquer relativização da propriedade privada, como exemplo nas restrições da EC/81”. Ora, o que é a Emenda Constitucional 81, que ele quer retirar? É a Emenda que que modificou o artigo 243 da Constituição Federal, estabelecendo que:
As propriedades rurais e urbanas de qualquer região do País onde forem localizadas culturas ilegais de plantas psicotrópicas ou a exploração de trabalho escravo na forma da lei serão expropriadas e destinadas à reforma agrária e a programas de habitação popular, sem qualquer indenização ao proprietário e sem prejuízo de outras sanções previstas em lei, observado, no que couber, o disposto no art. 5º”.
Em outras palavras, em defesa da “propriedade privada”, Bolsonaro tornará mais fácil a vida de latifundiários criminosos que usam trabalho escravo, bem como de narcotraficantes.
Em 2003, Bolsonaro elogiou os grupos de extermínio que atuam na Bahia. Em 2007, seu filho, Flávio Bolsonaro, apresentou projeto de
legalizar as milícias no Rio de Janeiro. É por isso, em outubro, a família mafiosa Abrahão David, ligada à máfia russa e israelense e ao jogo do bicho, manifestou seu apoio ao Bolsonaro. O mesmo Flávio Bolsonaro fez campanha com esses marginais contraventores e participou de caminhada em Nilópolis ao lado de Farid Abrahão David, irmão do bicheiro Farid Abrahão David e de Simão Sessim, primo deste.
São essas ligações que levam Jair Bolsonaro a defender a legalização dos cassinos e da jogatina. É preciso deixar claro: as atuais milícias e grupos de extermínio fazem parte do crime organizado e são uma tentativa da máfia de disciplinar as operações criminosas, de “pacificar” vizinhanças para que o tráfico possa atuar de forma “civilizada”.
De que adianta defender a lei e ordem sem combater os grandes barões do crime, o alto escalão da malandragem e da bandidagem?
Mas esses barões estão do lado de Bolsonaro – assim como estão ao lado deles os banqueiros e os representantes do globalismo e do submundo financeiro, como Paulo Guedes.

O deep state, crime organizado, seitas e redes de pedofilia

Em outra publicação nossa, sobre os 39 kg de cocaína encontrados no avião do presidente, falamos sobre a ligação do deep state com o crime organizado (que inclui redes de pedofilia).

Desde os anos 1970, pelo menos, existe no Brasil uma ligação entre o crime organizado e setores militares (na época, os responsáveis por operações clandestinas, interrogatório e tortura nos “porões”). O próprio delegado Sérgio Fleury (“herói” da ditadura militar) era envolvido com o narcotráfico. Isso não acontece só no Brasil, mas em todas as potências emergentes e grandes potências – em outras publicações já falamos da relação dos serviços de inteligência dos Estados Unidos (a própria CIA) e outros países com o tráfico de cocaína.

O livro “Os porões da contravenção” de Aloy Jupiara e Chico Otavio mostra de forma muito detalhada e documentada a relação do Jogo do Bicho (a sociedade secreta mafiosa Clube Barão Drumond de Andrade) com o regime militar. Leia sobre isso aqui. E veja nosso texto: “O jogo do bicho financia o tráfico, a corrupção e a decadência cultural

E eis que hoje as milícias, por tosco que possa parecer, estão com um pezinho (ou dois) bem plantados no “deep state” brasileiro – como já profetizava o filme Tropa de Elite II. O deep state ou o governo das profundezas, “Estado profundo” (no filme citado era chamado de “O Sistema”) é aquela zona nebulosa onde se confundem empreiteiras, crime organizado, informantes, serviços de inteligência e complexo militar-industrial.

Então, a ligação das milícias com um presidente da República não é algo “estranho”. É apenas a evolução de um processo que vem se desenvolvendo há muitos anos – se não fosse o Bolsonaro, teria vindo à tona com outro presidente (talvez apenas de forma não tão “descarada”).

O deep state e o uso de seitas

As milícias são só a ponta do iceberg.

A ligação de um advogado pessoal do presidente da república com seita envolvida em esquema internacional de abuso de crianças e tráfico de órgãos também não é “estranha”.

Hoje nós sabemos que alguns dos atentados terroristas (observação: alguns! Não todos!) que ocorreram durante o regime militar foram “operações de bandeira falsa” e foram realizados por pessoas que estavam trabalhando para os serviços de inteligência do próprio regime militar – com o objetivo de colocar a culpa em grupos de esquerda e assim criar um pânico e justificar a manutenção da ditadura. A chamada “linha dura” do regime militar não queria, de forma alguma, a abertura democrática que o próprio regime militar prometia.

Existia um grupo paramilitar clandestino que era secretamente orientado pelo general da reserva Paulo Trajano da Silva (que se dizia amigo do presidente Costa e Silva). Esse grupo era liderado por uma figura excêntrica, o senhor Aladino Félix (que também usava o nome de Sábado Dinotos). Aladino Félix era um líder de seita que também afirmava estar em contato com seres extraterrestres (assim como Valentina de Andrade) e planejou e executou alguns atentados terroristas no final de 1967. Aladino Félix não era um opositor do regime: ele era um informante e um agente da ditadura militar.

Um caso como o de Aladino Félix não é único. Durante o período da guerra fria, surgiram várias seitas anticomunistas bizarras financiadas pelos serviços de inteligência dos EUA e de outros países – algumas ocultistas, outras de Nova Era, algumas “para-cristãs”, ufológicas etc. Várias dessas seitas foram acusadas de usar lavagem cerebral e algum tipo de exploração sexual, além de envolvimento com o crime organizado.

Alguns desses movimentos nascidos na Guerra Fria têm efeitos até hoje. É nesse contexto que podemos entender a seita do reverendo Moon (que possui um pequeno império de terras no Brasil – por coincidência na rota do tráfico), a Children of God (também presente no Brasil com o nome de “A Família Internacional”) e vários outros grupos. Por coincidência, tanto a igreja do reverendo Moon quanto a Children of God já foram acusadas de tráfico de mulheres ou crianças etc.

Um caso interessante é o do médium (e mafioso) João de Deus, que também tem uma conexão indireta com Jair Bolsonaro pelo menos em um ponto: o garimpo (Bolsonaro não fez fortuna com o garimpo como João de Deus, mas também foi garimpeiro e é idolatrado em Curionópolis – Jair Bolsonaro conheceu Curió em Serra Pelada e, em meio de 2020, o condecorou. Curió foi interventor na região, que comandou com mão de ferro. Mas isso é assunto para outro dia)

João de Deus, aliás, atendeu como “médium” ou líder espiritual com poderes mágicos, políticos importantes como Michel Temer, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luís Roberto Barroso e o ex-presidente dos EUA Bill Clinton. E também é investigado por estupro em massa, pedofilia (abuso de uma criança de 8 anos), por tráfico de bebês e já foi preso por contrabando internacional de urânio radioativo em 1985 e já foi investigado por tráfico de cocaína, tortura e assassinato e era vigiado pelo Serviço Nacional de Informações (SNI) , mas estranhamente sempre foi solto e foi ficando cada vez mais rico e poderoso. E tinha carteira policial.

Outras seitas – o bruxo Olavo de Carvalho

Não, não é nada “estranho” que um guru espiritual de políticos e poderosos tenha um culto de personalidade em torno de si e tenha conexões com os militares, esteja envolvido em redes de pedofilia e tráfico de crianças e com o crime organizado. Ao longo deste texto, ficará claro que nada disso é “estranho”.

O sr. Wassef, advogado, não é a única pessoa próxima ao presidente Bolsonaro envolvida em seitas. O próprio guru do presidente, Olavo de Carvalho, lidera uma seita estranha, que tem, entre seus discípulos, o chanceler Ernesto Araujo e o ex Ministro da Educação, entre outros – ministros que ele pessoalmente nomeou. A rede do Olavo de Carvalho inclui irmandades sufis (chamadas de “turuq” – o plural de “tariqa”) comandadas por seus filhos muçulmanos.

O próprio Olavo de Carvalho esteve envolvido tanto na seita Tradição (do ocultista indiano Idries Shah) quanto na Tariqa de Schuon, que ele liderou, sob orientação do britânico Martin Lings (e da qual foi expulso sob acusação de sacrificar gatos em rituais de vodu – temos as fontes).

Olavo foi um dos membros fundadores no Brasil da tariqa Maryamiyya, em 1987, sob a autoridade espiritual do suposto sheik Frithjof Schuon (um pensador suíço que se converteu ao Islã) . Mais informações sobre isso podem ser lidas na dissertação de mestrado “A mística islâmica em Terræ Brasilis: o sufismo e as ordens sufis em São Paulo“.

Nesas época, Olavo de Carvalho era muçulmano e praticava poligamia . Embora Schuon tenha sido acusado (de forma inconclusiva) de pedofilia nos EUA, onde morou, o movimento sufi que ele lidera é apenas uma forma de esoterismo islâmico (influenciado pelo Perenialismo), sem nenhuma conotação necessariamente sinistra.

Vide: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-38282897

Contudo, a seita Tradição, da qual Olavo também fez parte, foi acusada de provocar abortos em rituais e de promover orgias.

Também disponível no link: https://archive.vn/cxzIJ/08884d9ed0172a2aca720905ecfc4d1d18cc0e78.jpg

A seita Tradição no Brasil, em suma, misturava misticismo islâmico com bruxaria e parecia ser um “front” para algumas atividades criminosas, como contrabando de tapetes do oriente médio. Mas o envolvimento de Olavo com seitas é extenso: em uma discussão no antigo Orkut ele elogiou o já mencionado Reverendo Moon, por exemplo, afirmando ser amigo de seu representante nos EUA.

É surreal e “estranho” que o guru do presidente da oitava economia do mundo tenha sido membro de uma seita de bruxaria e estelionato? Nem um pouco. Aliás, a influência do guru é tão grande, que bastou ele reclamar no Facebook para que imediatamente o presidente do Brasil convocasse uma vaquinha entre empresários para repassarem 2,8 milhões de reais a Olavo, que mora nos EUA.

Curiosamente, Olavo de Carvalho também foi acusado pela própria filha, Heloísa, de ter acobertado o abuso sexual que ela sofreu quando criança, abuso esse levado a cabo por um amigo de Olavo.

A filha de Olavo (o guru do presidente Jair Bolsonaro) escreveu em carta pública:

“Lembra que, em um surto de loucura, colocou uma arma na cabeça dos seus filhos?”(…) “E onde estava o pai da ‘família margarina’ que, quando soube que eu tinha sido abusada sexualmente, não fez absolutamente nada, e que há uns quatro meses ainda me culpou pelo abuso? Acho que você esqueceu de que eu só tinha 9 anos”.

Olavo debochou da acusação em público, escrevendo no Facebook,que a filha realmente fora “bolinada”, mas que foi só uma “passadinha de mão”. E temos os prints (mas Olavo é assunto para outro dia).

É, note-se, a mesma Heloísa Carvalho que denunciou o paradeiro de Queiroz, o indivíduo ligado a milícias que estava escondido em propriedade do Sr. Wassef, advogado do presidente da República e membro (ou ex-membro) de uma seita (LUS) envolvida em assassinato e abuso sexual de crianças que contava com alguns ex-policiais militares como membros. A mesma Heloísa de Carvalho, filha do Olavo de Carvalho, que já foi membro de seita envolvida com contrabando internacional e aborto ritual e é hoje o guru do presidente Bolsonaro, de seus filhos e de políticos como o pastor Marco Feliciano. O mesmo presidente cujo avião presidencial carregava 39 kg de cocaína (interceptada pela polícia espanhola) e o mesmo presidente que mantem laços notórios com milícias e grupos de extermínio há anos…

Nada disso é “estranho”.


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