A causalidade da violência no Brasil

O Brasil é um dos três ou quatro países mais violentos do mundo. Aqui se mata demais. Mais de 60 mil homicídios por ano.

Não é difícil explicar essa violência. O país vive ao mesmo tempo em um regime capitalista feroz, que amplifica os valores do consumismo, e possui uma desigualdade social atroz, típica de países escravistas.

Esse cenário resolve a disputa entre aqueles que defendem que a criminalidade é impulsionada por uma crise de valores e aqueles que defendem que é impulsionada por uma questão social. A criminalidade brasileira é impulsionada por ambos: muito capitalismo na ideia e uma histórica exclusão popular.

Não bastasse esse barril de pólvora, o país se tornou a principal rota de passagem do narcotráfico internacional. As drogas consumidas pela classe média descolada europeia são produzidas na América Latina e escoada através do território brasileiro.

Esse é o enigma por trás da violência brasileira: consumismo capitalista, desigualdade social extrema e digna de países escravistas, e rota de passagem para a cocaína do europeu de valores liberais e individualistas.

Qualquer política de segurança pública que não coloque esses fatores em evidência está equivocada, está enganando os brasileiros.

Não adianta descriminalizar a maconha achando que a “guerra contra as drogas está equivocada”. O povo brasileiro é contrário à descriminalização da maconha do estudante de classe média. Não adianta proibir a venda de armas, achando que a falta de acesso da população a elas vai reduzir os números de mortes. O acesso a uma arma de fogo é direito de qualquer homem livre.

O que é absolutamente necessário é combater os valores consumistas do capitalismo, investir contra a exclusão social e decretar uma guerra de morte contra o narcotráfico internacional e seus representantes no mundo da economia e da política.

São medidas difíceis e complicadas, que dependem de um governo forte e até certo ponto revolucionário. Mas chegamos a um ponto em que disso depende a vida de meio milhão de brasileiros por década.

André Luiz dos Reis

Historiador, mestrando em História pela UFRJ, cristão ortodoxo e membro da NR-RJ.
 

1 Comment

  1. Já se “comprava” o indígena contemporâneo do descobrimento com quinquilharias baratas europeias, o que junto a um sentimento arraigado de que o “importado” é melhor, que é melhor mesmo geralmente, posto que pouco produzimos, graças à herança econômico cultural recebida goela abaixo dos portugueses submissos à Inglaterra de comprar de “nossos senhores” ao invés de produzir. Em resumo… ainda adoramos quinquilharias e o mercado sabe disso. A tríade egoismo/hedonismo/individualismo é o tripé que sustenta nosso consumismo para a felicidade dos agentes do mercado.

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