A hegemonia do futebol europeu é fruto do imperialismo

Não existe domínio atual de nenhuma seleção europeia no mundo da bola. Existe o domínio do futebol da Europa Ocidental, cujas seleções vêm se revezando no topo.

A propaganda política ocidental vai tentar engabelar o mundo com chavões idiotas sobre a sociedade multiculturalista e pós-moderna. Então é necessário ter atenção às verdadeiras mudanças no mundo da bola que acabaram por fundamentar esse domínio momentâneo dos europeus:

1) O imperialismo, que mina não só os principais recursos naturais dos países subordinados, mas também seus principais talentos. A imigração em massa para a Europa é, no fundo, o sintoma mais grave do parasitismo das potências europeias sobre suas ex-colônias. Os imigrantes formam guetos que servem de pau-pra-toda-obra pro mega-capitalismo e pro liberalismo, como reduzir salários e direitos trabalhistas da população local, criar uma casta de marginalizados pros serviços de menor status, e recrutar atletas que mantenham seu futebol e desporto em uma era de queda da demografia dos países do velho continente. A prova desse parasitismo é de que essa Copa do Mundo foi a primeira desde 1982 em que uma seleção africana não conseguiu passar da primeira fase. O domínio da Europa se estabelece, portanto, sobre a ruína do futebol do restante do mundo. Os imigrantes e seus filhos não são ”culpados” por isso aí: Mbappé, Kanté e outros cresceram como franceses. O ”responsável” por isso aí é a arquitetura geopolítica, as relações de poder que permitem esse vampirismo;

2) A liberalização dos mercados de futebol, que avançou célere a partir dos anos 1980 e se consolidou de vez com o fim das ”leis de passe” na América do Sul, e com as cotas de jogadores estrangeiros nos clubes europeus. Isso formou um mercado mundial altamente favorável para os grandes clubes da Europa Ocidental, que se tornaram empresas multinacionais portadores de marcas globais, e puderam montar campeonatos em que exibem os melhores jogadores contratados em todo o mundo: os campeonatos nacionais inglês, espanhol, italiano, alemão, principalmente, e a Liga dos Campeões. Os principais clubes europeus passaram a ser usados em mega-esquemas de lavagem de dinheiro, comandados por uma máfia internacional de grandes capitalistas cujos ramos atingem diversos negócios ao redor do planeta. A Liga dos Campeões e a Premiere League inglesa são torneios mantidos por alguns dos maiores mafiosos do mundo. Eles são capazes de manter um fluxo ininterrupto e a cada dia mais violento de jogadores sul-americanos para a Europa. Como saem daqui cada vez mais jovens, esses jogadores já não são formados nem formam nenhuma escola diferenciada daquela dos europeus. Os clubes perderam sua autonomia na formação de atletas, que agora são orientados segundo as necessidades dos mercados de clubes do velho continente. Além disso, os times sul-americanos faliram diante da competição de um mercado global aberto, e se tornaram terceira divisão mundial.

3) A formação de um mega-campeonato capitalista na Europa, reunindo os melhores recursos que eles são capazes de sugar do restante do planeta, homogeneizou o futebol segundo os ditames europeus, que agora estabelecem os desenvolvimentos do mundo da bola, tanto nos aspectos físicos, como técnicos e táticos. É o mercado global que estabelece que tipo de jogador será formado nas ”fontes de matéria prima”, dentre elas o Brasil. Eles são os responsáveis pelas novas táticas, modelos de treinamento, organizações de clubes e torneios. É dentro desse contexto que tem de ser lido o surgimento das mudanças do jogo empreendidas por Guardiola, Mourinho e seus seguidores.

O resultado final do Imperialismo e do neoliberalismo é o domínio europeu no mundo da bola. Só existe uma seleção forte o suficiente para se contrapor a esse domínio, desde que absorva as mudanças e responda a elas de modo genuíno e audaz: a seleção brasileira.

Torcer para a recuperação da seleção e do futebol brasileiro diante da ofensiva europeia no futebol deve ser o mote de todo amante do esporte e de todo inimigo do ocidentalismo. Somos os únicos que podem resolver esse problema e fazer os europeus retornarem ao seu devido lugar subordinado. Eles sabem disso, e daí a campanha midiática sórdida contra o futebol brasileiro nos últimos anos, e daí porque desfraldam sarcasticamente a infame bandeira do 7 a 1.

É o futebol brasileiro ou a barbárie.

André Luiz dos Reis

Historiador, mestrando em História pela UFRJ, cristão ortodoxo e membro da NR-RJ.
 

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