O Estado brasileiro está a serviço do agronegócio e contra a agricultura familiar

Que o Estado brasileiro está a serviço do grande latifúndio e do agronegócio é muito claro e fica tranquilamente demonstrado, por exemplo, na distribuição de terras no Brasil. A maior parte das terras brasileiras está organizada sob forma de latifúndio, muitos dos quais de propriedade estrangeira.

Mas o Estado brasileiro também está em guerra declarada contra a agricultura familiar, principalmente a produtora de bens orgânicos. Para o pequeno produtor, por exemplo, é muito mais difícil conseguir crédito e há muito menos crédito disponível do que para o latifundiário e para o agronegócio.

Isso não se limita ao crédito e obviamente estamos tratando de algo que afeta a alimentação do povo brasileiro e, portanto, a nossa saúde. Muitos cidadãos justificam a sujeição à alimentação podre por meio de produtos superindustrializados e repletos de açúcares, corantes, etc., por causa do preço.

Só que o que faz com que os produtos industrializados sejam mais baratos que os orgânicos é fruto de uma injustiça fundamental cometida pelo Estado brasileiro, refém de lobbies.

Os produtos alimentícios ligados ao agronegócio recebem inúmeros benefícios fiscais, como isenção de IPI e um corte de 60% no ICMS. O mesmo não se aplica aos produtos orgânicos e aos produtos da agricultura familiar em geral.

No caso de bebidas açúcaradas é ainda pior. Boa parte da sua produção é isenta de imposto, já que essa parte é produzida na Zona Franca de Manaus. Só que como se isso não bastasse, as empresas em questão ainda recebem um crédito no valor do imposto do qual elas são isentas.

De forma resumida, o governo brasileiro, que é manejado pelas forças do agronegócio, subsidia o envenenamento alimentar do povo brasileiro e dificulta a sobrevivência dos pequenos agricultores. As consequências são sentidas na saúde e acabam tendo que ser suportadas pelo SUS.

Um senso básico de justiça nos demanda a inversão dessa abominação. São os pequenos agricultores que são os mais merecedores de incentivos e benefícios, e não os latifundiários e grandes produtores do agronegócio.

Em defesa de quem põe comida saudável e de qualidade na mesa do povo!

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