A relevância da solidariedade internacional: Hezbollah e Coreia Popular

As relações entre o Hezbollah e República Popular e Democrática da Coréia (RPDC) remontam à ocupação israelense do Líbano, em 1980.

Como uma organização anti-imperialista militante, o Hezbollah é temido por Israel e pelos EUA. Recentemente, ele tem lutado ao lado do Exército Árabe Sírio contra terroristas maciçamente apoiados pelo bloco imperialista – EUA, Reino Unido, Israel, Catar e Arábia Saudita em particular.

Como a RPDC, o Hezbollah é demonizado pelo Ocidente por sua firme posição contra o imperialismo, bem como por seu compromisso com a justiça. O Hezbollah foi acusado de antissemitismo por conta de seu anti-sionismo – que tem se tornado maior com a permanência de Israel no Líbano. Cabe ressaltar que o secretário-geral do Hezbollah, Hassan Nasrallah, falando em nome de sua organização, declarou que o Hezbollah não visa construir um Estado Muçulmano no Líbano, tendo em vista a sua atmosfera multicultural, e levando em consideração que esse não é atualmente o desejo da grande maioria e provavelmente nunca será. Nasrallah já chegou a ressaltar que o apoio de uma maioria democrática de 51% não seria suficiente para a construção de um Estado Muçulmano, mas, sim, o da grande maioria. Representantes do Hezbollah no parlamento libanês também já declararam que “o Hezbollah nunca se colocou contra as religiões. O Hezbollah apoia todas as religiões, apoia o diálogo inter-religioso e não tem qualquer problema com qualquer religião. O Hezbollah considera o sionismo como o inimigo, e não os judeus enquanto povo ou religião”.

O Hezbollah tem defendido a liberdade das minorias, tanto em seu país quanto no exterior, como na Síria. Rotular o Hezbollah de antissemita não passa de uma mentira vil e viciosa.

De acordo com uma pesquisa divulgada pelo Centro de Pesquisa e Informação de Beirute, em 26 de julho, durante a Guerra do Líbano de 2006, 87% dos libaneses apoiavam os “ataques de retaliação do Hezbollah no Norte de Israel”, um aumento em relação aos 29% de fevereiro do mesmo ano.

O Hezbollah tem sido retratado como uma organização nacionalista xiita, no entanto, o nível de apoio à resistência do Hezbollah por parte de comunidades não xiitas é enorme. 80% dos cristãos entrevistados apoiaram o Hezbollah, juntamente com 80% dos drusos e 89% dos sunitas. Nos territórios palestinos ocupados por Israel, bem como na Jordânia, uma grande maioria considera o Hezbollah uma organização de resistência legítima. Só isso já pode nos dar uma ideia do motivo pelo qual um grupo popular como o Hezbollah é constantemente atacado pelo Ocidente.

A relação entre o Hezbollah e a RPDC começou quando Israel invadiu o Líbano, bem como durante a ocupação israelense no sul do Líbano, quando Israel estabeleceu uma zona-tampão na área ocupada e criou milícias leais aos israelenses, compostas por segmentos cristãos da população. As milícias cristãs (entre elas o notório Exército do Sul do Líbano) começaram a operar limpezas étnicas [na região], especialmente contra minorias drusas e palestinas. Foi então que o Exército Popular da Coreia (EPC) passou a fornecer apoio aos seus irmãos de arma.

Nasrallah, o secretário-geral, visitou a RPDC para fins de treinamento durante esse período. Entre outros membros do Hezbollah que foram treinados na RPDC estão Mustafa Badreddine, que serviu como chefe de contraespionagem do movimento em 2006 (quando Israel atacou o Líbano novamente), e Ibrahim Akil, chefe do serviço de segurança e inteligência do Hezbollah. É dito que cerca de 100 comandos do Hezbollah receberam treinamento do EPC durante o mesmo período. No mesmo sentido, é afirmado que técnicos coreanos viajaram para o Líbano em 2004 e forneceram ao Hezbollah uma ampla assistência na construção de uma extensa e sofisticada rede de túneis fortificados, na área ao Sul do Rio Litani e na fronteira com Israel.

Depois da agressão israelense de 2006 contra o Líbano, os sionistas começaram a temer o treinamento que combatentes do Hezbollah estavam recebendo na RPDC das forças especiais do EPC, além dos treinamentos em espionagem e inteligência: o treinamento de combatentes do Hezbollah no pós-2006 provou-se muito relevante para a defesa do povo libanês.

O EPC tem assistido continuamente o Hezbollah e, hoje, os mesmos já são uma das forças não-estatais mais eficientes, não só no Oriente Médio, mas também no mundo. Os imperialistas simplesmente os odeiam.

Desde 2007, Israel tem se esforçado fortemente em impedir o desenvolvimento de usinas nucleares no Irã e na Síria, bem como em espalhar o medo entre as respectivas populações. O engenheiro nuclear iraniano Majid Shahriari provavelmente foi assassinado por agentes do Mossad. Em 29 de novembro de 2010, elementos mascarados, montados em motocicletas, realizaram ataques dispersos à bomba, matando Shahriari e ferindo o cientista nuclear Fereydoon Abbasi, professor na Universidade Shahid Beheshti (onde Shahriari também lecionou). A esposa do Dr. Abbasi também foi ferida. Os assassinos haviam plantado bombas nos carros dos professores, detonando-as à distância. De acordo com o The Guardian, Shahriari “não tinha ligações conhecidas com operações nucleares proibidos”, e segundo a Al-Jazeera, “era um físico quântico, e não uma figura política”, do mesmo modo que “não estava envolvido com o programa nuclear iraniano”. O único objetivo do regime sionista era espalhar o terror e o medo.

Dezenas de cidadãos da RPDC também foram mortos pelo regime sionista em seus postos de trabalho na Síria. Por exemplo, em março de 2007, agentes do Mossad invadiram a Casa de Viena, do diretor da Agência Atômica da Síria, onde foram tiradas fotos de um reator nuclear sírio. Em 6 de setembro do mesmo ano, oito caças israelenses lançaram 17 toneladas de explosivos no local, destruindo-o: apenas alguns países têm permissão para possuir armas nucleares, enquanto outros não são autorizados a ter energia nuclear.

Mais cidadãos da República Popular Democrática da Coreia foram mortos por Israel enquanto trabalhavam na Síria, como em 1982, durante a guerra civil libanesa, quando o governo da RPDC enviou forças de operações especiais à Síria para providenciar treinamentos para as operações de guerrilha: alguns foram mortos por militares israelenses. Também foi afirmado pelo islamista “moderado” Assad al-Zoubi que, em junho de 2013, a cidade de Qusair, controlada por terroristas, foi bombardeada com enorme quantidade de mísseis, artilharia, e morteiros, e tomada pelas forças armadas sírias com o apoio de militantes do Hezbollah. Assessores falantes de árabe do Exército Popular da Coreia foram essenciais para o planejamento operacional do ataque surpresa e para a execução da campanha de artilharia durante a batalha de Qusair (juntamente com soldados aliados do Hezbollah): mudando as dinâmicas da guerra na Síria. A vitória em Qusair representou uma significante vitória militar e simbólica para o governo sírio e uma derrota humilhante para os terroristas.

Vale a pena mencionar que durante o controle islamista de Qusair, apoiado pelo Ocidente contra o legítimo governo da Síria, o chefe militar da “oposição armada”, general Abdel Salam Harba, odernou que os mil remanescentes dos antes 10 mil cristão, deixassem Qusair após uma limpeza étnica ser levada a cabo na cidade.

A Madre Agnes Miriam da Cruz, Madre superior do Monastério de São Miguel, em Qara, na Diocése de Homs, foi entrevistada pela Rádio Irlandesa em junho de 2012, onde confirmou que os rebeldes apoiados pelo Ocidente na Síria estavam aterrorizando a comunidade cristã síria. Questionada se foi o Exército Livre da Síria que ordenou que os cristão partissem, Madre Agnes Miriam respondeu: “Sim […], foi o comandante de campo Abdel Salam Harda que decidiu que não haveria mais negociações com os cristãos. Ela afirmou que os cristãos estavam sendo alvos porque eles se negavam a apoiar os rebeldes, preferindo, antes, não tomar lados no conflito. Ela disse que os rebeldes estavam especificamente tendo como alvo tropas do governo em áreas cristãs, e que estavam usando cristãos como escudos humanos.

Reacionários afirmam que a RPDC é um país isolado e que perdeu a maioria de seus aliados desde o fim da Guerra Fria, mas nada poderia estar mais longe da verdade. As conexões anti-imperialistas entre a RPDC e outros Estados, e em alguns casos, como o Hezbollah, com atores não-estatais, é inquebrável e se torna mais forte a cada dia. Não será a ultima vez que o pacto israelo-americano irá tentar arruinar um país pacifico e encorajar a violência sectária na região. Assim como o imperialistas britânicos tem usado táticas de dividir e conquistar para governar sobre o povo do seis condados ocupados, assim também Israel tem feito no Líbano, e é isso o que os imperialistas estão fazendo agora mesmo na Síria. Hoje a religião é uma ferramenta nas mãos dos imperialistas. Nós sabemos como os EUA tem usado missionários cristãos na RPDC para contrabandear equipamentos como rádios, armas e outras coisas ilegais junto com as Bíblias. Minorias religiosas podem viver em paz e aproveitar liberdades religiosas e praticar a sua religião na RPDC, assim como na Síria, Líbano e Irã. Mas liberdades civis são coisas impensáveis sob a ocupação americana.

O Hezbollah é uma consequente e avançada organização que manterá as mãos imperialistas fora dos Estados independentes do Oriente Médio e irá salvaguardar os direitos das minorias.

Em 2012, o canal de TV libanes Al-Manar transmitiu um especial televisivo louvando um garoto de 8 anos de idade que arrecadou dinheiro para o Hezbollah e disse: “Quando eu crescer, serei um guerreiro da resistência com o Hezbollah. Lutando contra os Estados Unidos e Israel, irei parti-los em pedaços e expulsa-los para fora do Líbano, de Golã e Palestina, que eu tanto amo”.

A AMIZADE E A SOLIDARIEDADE ENTRE A COREIA POPULAR E O HEZBOLLAH IRÁ PARA SEMPRE FLORESCER.

KFA - Irlanda

A Associação de Amizade com a Coreia (em inglês e oficialmente Korean Friendship Association - KFA) é presidida pelo espanhol Alejandro Cao de Benós de Les y Pérez. Trata-se de uma organização que trabalha em conjunto com o Comitê de Relações Culturais com os Países Estrangeiros da República Popular e Democrática da Coreia, atuando no campo das Relações Públicas e da divulgação da Filosofia Juche.

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