Até quando o povo brasileiro seguirá apático?

Há muito se tem elogiado o brasileiro, tanto entre nossos “intelectuais” como entre “intelectuais” estrangeiros, pelo fato de este ser um povo pacífico, simpático, acolhedor, tolerante que não é muito dado à violência, às guerras. Um povo, por exemplo, que nunca conheceu a sangria de uma “guerra civil” tal como houve nos EUA ou em boa parte do mundo.

E se é que essa descrição do brasileiro é verdadeira (e se o for, achamos que só se aplica ao brasileiro das últimas décadas) ela não passa de um diagnóstico absolutamente negativo. Sendo esse diagnóstico verdadeiro, então o povo brasileiro é gado, mera massa indiferenciada, não passam de máquinas seguindo uma programação sem questionar. A não ser quando a própria programação prevê uma “margem” de questionamento.

Isso se manifesta mesmo nos momentos de “questionamento” da ordem político-econômica. Os movimentos de “contestação” obedecem a todas as regras impostas para “organizar” a crítica. O sistema fagocitou a greve, o protesto, e as transformou em ferramentas que o próprio sistema utiliza para corrigir a si mesmo e reformar alguns de seus detalhes, para evitar e adiar transformações mais radicais e profundas.

Regras sobre quanto espaço deixar na rua, regras sobre quantas pessoas têm que seguir trabalhando, regras sobre dar aviso prévio ao governo. Aviso prévio de insurreição popular contra uma avalanche de crimes contra o povo e a pátria? Mas isso funciona porque não há insurreição popular. Há queixume, há umas dancinhas constrangedoras e só. É o que sobra diante da organização totalitária do Estado burguês que visa a tudo arregimentar.

Se o protesto está previsto no ordenamento jurídico ele não é protesto de verdade.

Pior. Mesmo esses queixumes e dancinhas públicas constrangedoras costumam ocorrer apenas quando a mídia de massa as convoca. Ou quando algum sindicato pelego as convoca.

Mas nos recusamos a aceitar que estamos diante de um “destino” e que as coisas seguirão assim para sempre porque este tipo de disposição estaria na essência do brasileiro. Aqui fizemos eclodir incontáveis revoltas e insurreições e fizemos verter rios de sangue. Nosso e das tropas do governo. Em várias ocasiões, em todas as regiões e em quase todos os estados.

Os motivos pouco importam. O que importa é que está demonstrado, pelos exemplos do passado, que há disposição de matar e morrer pelo que se crê e contra o que se considera tirania ou opressão. Assim sendo, a causa é externa e deve ser buscada em um grande entorpecimento dos sentidos e da mente causada pelo conforto da vida burguesa e da afluência material.

A apatia não é um destino.

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