Como o Ocidente está manipulando essa imagem ao noticiar os protestos no Irã. Entenda:

A imagem acima se transformou em sinônimo dos protestos iranianos que pulularam a maioria das regiões do Irã na última semana. No entanto, há um problema aí: a imagem original não tem nada a ver com os recentes protestos.

A foto original mostra uma mulher com um hijab pendurado em uma vara, em uma postura desafiadora, como se ela estivesse desafiando a lei que obriga as mulheres a usarem hijab no Irã.

No entanto, essa imagem foi registrada antes dos protestos atuais começarem. E embora a República Islâmica imponha o uso do hijab às mulheres, é possível observar um lento afrouxamento neste sentido, especialmente com Teerã anunciando que não iria mais aplicar a lei desta forma, poucos dias antes do início dos protestos.

Ainda assim, apesar dos protestos atuais estarem relacionados com demandas por reformas econômicas e por uma repressão à corrupção, os inflamadores de conflito ocidentais, particularmente os chamados ativistas e os meios de comunicação ocidentais, divulgaram amplamente esta imagem como sendo o símbolo de uma luta contra o regime: algo que só existe em suas próprias cabeças e não configura um consenso geral entre os iranianos e nem tampouco entre os que protestam.

Como o próprio analista geopolítico israelense, Michael A. Horowitz, reconhece: “O único ponto sobre este ‘novo’ símbolo, [a imagem], é que ele é, em grande parte, imposto de maneira externa [pelo Ocidente], constituindo um wishful thinking de observadores de fora, nos termos do que eles gostariam que fossem os atuais movimentos de protesto.”

Os falcões da guerra ocidentais, os ativistas e os meios de comunicação estão tentando retratar os protestos iranianos como se estes estivessem clamando por uma mudança de regime: o que segue sendo representativo apenas de um segmento ínfimo dos manifestantes. E ainda assim, nenhum wishful thinking ocidental, como corretamente afirma Horowitz, mudará o fato de que a maioria das mulheres que estão protestante atualmente derivam justamente dos segmentos conservadores do Irã.

Também foi verificado que houveram mais tweets, acerca dos protestos no Irã, vindos da Arábia Saudita do que dos próprios iranianos, com cerca de três quartos dos tweets sobre os protestos vindos fora da República Islâmica.

Portanto, pode-se constatar que os grandes entusiastas das manifestações são, principalmente, provenientes de fora do país. Trata-se de outra tentativa de revolução colorida que fracassará, semelhante à tentada pelos imperialistas na Venezuela no ano passado.

Paul Antonopoulos

Ativista político de origem grega, colaborador independente da NR e analista político do jornal Fort Russ e do Center for Syncretic Studies.

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