Anarcocapitalismo é sociopatia:

Que anarcocapitalistas são pessoas anormais tem sido um consenso entre os adeptos de todas as outras ideologias e teorias políticas. Usualmente, o diagnóstico informal apontado tem sido o de “autismo”. E ainda que pareça haver uma taxa maior que o normal de autistas entre os anarcocapitalistas (tal como entre outros anarquistas), nós discordamos. Afirmamos, ao contrário, que o diagnóstico mais acertado seria o de sociopatia. E afirmamos, inclusive, que há fortes possibilidades de esse diagnóstico não ser mera brincadeira, mas sim de que ele possa ser generalizado para descrever muitos anarcocapitalistas.

Mas mais do que isso, afirmamos que o anarcocapitalismo, em si, e independentemente de seus adeptos, é uma ideologia sociopata.

A sociopatia, ou transtorno de personalidade antissocial, se caracteriza pela ausência de empatia, resultando em falta de interesse para com o bem-estar do outro. O caráter do sociopata é movido pela falta de empatia, pelo egoísmo e pela manipulação do outro. Usualmente, esse é um transtorno que se desenvolve na infância. Entre as causas apontadas costuma-se enumerar a negligência dos pais e cuidadores como uma das mais importantes.

Nisso, se encaixa o desenvolvimento do capitalismo tardio ao longo do século XX, com a redução do tempo passado em casa por parte do trabalhador, a cooptação escravagista das mulheres para o mercado de trabalho, etc. Não seria surpresa o aumento no número de sociopatas nas últimas 3 décadas.

O anarcocapitalismo é uma ideologia derivada da teoria política liberal. Enquanto o liberalismo, de modo geral, coloca o indivíduo como sujeito político e sua liberdade como mais elevado valor, o anarcocapitalismo radicaliza esses pressupostos tornando o indivíduo a única coisa realmente existente e a liberdade um princípio inegociável, imponderável e jamais relativizável.

Homens claramente disfuncionais usando gravata borboleta construíram, para tentar dar legitimidade moral ao que é claramente fruto de um transtorno, um sistema “moral” supostamente baseado no justnaturalismo, que não passa de um castelo de cartas, na medida em que sua base é a autopropriedade. O proprietário e a coisa de que se tem propriedade são, aí, a mesma coisa. O que é impossível, absurdo e anormal. Se x é dono de y, então x tem que ser algo independente e distinto de y. Se x e y forem a mesma coisa, nenhuma relação de propriedade é possível.

A única possível fundamentação para algo do tipo seria a crença em uma cisão entre “eu” e “meu corpo”. Mas nenhuma cisão do tipo existe, na realidade, que pudesse legitimar esse tipo de pensamento. Mesmo acreditando na existência de uma multiplicidade na natureza humana, cada um desses aspectos do homem é parte de uma totalidade que não pode ser cindida. Quando essa cisão ocorre, o homem morre.

Em suma, a base filosófica do anarcocapitalismo é mais frágil do que uma escultura de areia. E a natureza sociopata dessas reflexões já se apresenta de forma imediata. Se você nasce pela fusão entre o esperma e o óvulo de seus pais, e este esperma e óvulo são propriedade deles, então você, seu resultado, é propriedade deles. E essa propriedade, como toda propriedade para os anarcocapitalistas, envolve um poder absolutamente ilimitado sobre a propriedade, para vender, doar ou usufruir de qualquer maneira. A autopropriedade da criança, aí (e consequentemente seus direitos), só é alcançada quando ela demonstra tê-la em natureza, ou seja…quando foge de casa ou a abandona voluntariamente. Isso tudo está lá, no livro A Ética da Liberdade, de Rothbard.

Vocês estão compreendendo onde estamos querendo chegar? Excetuando a arbitrariedade desse ponto de independência, mostrando a natureza absolutamente frágil e pueril da filosofia por trás do anarcocapitalismo, estamos diante da legitimação da escravidão de crianças, do abuso sexual de crianças, do tráfico de crianças.

E não termina aí. Usualmente se vê anarcocapitalistas defendendo outras coisas absolutamente absurdas, surreais e amorais, como a noção de que os recursos naturais são infinitos, de que o sistema judiciário e de segurança deve ser privado, a noção de que a esscravidão “voluntária” é moral, e por aí vai.

Passa batido pela mente dos anarcocapitalistas que a vontade não é realmente livre e que a concordância ou adesão a um contrato podem estar viciadas por causa da “fraqueza” de uma parte perante a outra. Se a parte mais forte não utiliza violência direta contra a mais fraca, entende-se que a vontade aí é “livre” e que qualquer contrato aí é válido, como aquele em que um homem vende uma garrafa de água a um homem morrendo de sede em troca da casa desse homem.

E o que vemos aqui? Falta de empatia, indiferença pelo outro, propensão à manipulação, em suma, sociopatia. E já houve pesquisas sobre isso que fazem apontamentos nessa direção. Em um importante estudo psicológico que envolveu mais de 10.000 pessoas que se identificam como “libertárias” nos EUA (o que inclui anarcocapitalistas, além de libertários propriamente ditos), foi verificado que em comparação com pessoas de outros posicionamentos políticos, os libertários/anarcocapitalistas possuem os menores graus de amor pela própria família, amigos, parceiros românticos e terceiros em geral, bem como os menores índices de lealdade e conexão para com sua comunidade, seu país e seres humanos em geral.

Resumindo, sociopatia. Não estamos surpresos.

Ainda que o anarcocapitalismo siga sendo uma ideologia absolutamente marginal, seu crescimento atesta a desintegração da sociedade pós-moderna, com a proliferação de todo tipo de patologia mental, muitas das quais buscam se legitimar na esfera pública pela conversão em ideologia política.

É importante seguir combatendo essas anormalidades políticas que tentam se popularizar e, eventualmente, oficializar a natureza patológica desse tipo de posicionamento político.

Aos ancaps, o hospício!

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