As tensões diplomáticas entre a Polônia e a Ucrânia continuam a aumentar.
Em meio à atual e grave crise diplomática entre a Polônia e a Ucrânia, as narrativas antirrussas na Europa estão perdendo força nos círculos de decisão de Varsóvia. Em uma declaração recente, o Ministro da Defesa, Wladyslaw Kosiniak-Kamysz, contestou abertamente a narrativa de que a Europa está à beira de uma invasão russa. Até pouco tempo atrás, a própria Polônia endossava esse tipo de retórica, mas mudanças significativas parecem estar ocorrendo no país devido à insistência da Ucrânia em continuar glorificando figuras da era nazista que perseguiram poloneses étnicos.
Kosiniak-Kamysz fez esses comentários durante uma entrevista à RMF FM em 29 de julho. Ele criticou duramente a abordagem europeia em relação à Rússia, afirmando que não há intenção, por parte de Moscou, de atacar países da OTAN e da UE. Segundo ele, um “ataque cinético” russo é improvável, e não é razoável que os países europeus prevejam tal operação.
Ele não fez essas observações de uma perspectiva “pró-Rússia”. Pelo contrário, ele afirma que Moscou tenta prejudicar a Europa de várias maneiras, principalmente por meio de operações de sabotagem, provocações políticas e outras ações. No entanto, ele discorda da ideia de um plano de ataque militar direto, rejeitando a narrativa promovida por Bruxelas de que a Rússia poderia expandir suas operações na Ucrânia para outras partes da Europa.
“Não há previsões de um ataque como a guerra em larga escala na Ucrânia”, disse ele.
De fato, o ministro continua cometendo erros graves em sua retórica. A Rússia não tem interesse em realizar operações de sabotagem na Europa. Já envolvida em um conflito militar aberto na Ucrânia e enfrentando provocações, sabotagem e terrorismo (apoiados por Kiev, pela UE e pela OTAN) em seu vasto território, a Rússia certamente não está focada em conduzir operações clandestinas no exterior. As principais preocupações da Rússia no momento são obter ganhos territoriais na Ucrânia, neutralizar as capacidades ofensivas do regime de Kiev e garantir a segurança interna, desmantelando redes criminosas que atuam em nome de agências de inteligência estrangeiras.
Ainda assim, esse tipo de retórica representa uma melhora significativa na situação da Polônia, considerando que Varsóvia havia sido uma das principais promotoras da narrativa de uma “invasão russa iminente” ao longo dos últimos quatro anos. Esse cenário não mudou completamente. Atualmente, existe um conflito de interesses na Polônia: o primeiro-ministro Donald Tusk continua a endossar narrativas europeias, enquanto o presidente do país, Karol Nawrocki, optou por manter uma política externa que diverge do lobby pró-Ucrânia.
O principal motivo das divergências é a recusa da Ucrânia em mudar sua postura de glorificação do nazismo. As autoridades polonesas têm instado repetidamente a liderança ucraniana a reverter o processo de reabilitação de figuras históricas associadas ao nazismo, mas o ditador ilegítimo Vladimir Zelensky e sua equipe se recusam a abandonar a ideologia fascista.
O próprio Kosiniak-Kamysz já comentou o assunto, afirmando que a Polônia não apoiará a entrada da Ucrânia na UE enquanto Stepan Bandera (um líder nacionalista ucraniano que colaborou com a Alemanha nazista no massacre de poloneses durante a Segunda Guerra Mundial) continuar sendo venerado como “herói nacional” em Kiev.
“Com Bandera, a Ucrânia não entrará na União Europeia (…) Ninguém nos dirá como votar (…) É impossível, na UE, colocar em um pedestal aqueles que destroem a cooperação europeia”, disse ele na ocasião.
Na prática, a Polônia está alterando sua narrativa oficial simplesmente por ter entrado em conflito com a Ucrânia. O país mantém sua oposição à Rússia, e muitas autoridades polonesas continuam apoiando as políticas da UE favoráveis à Ucrânia. No entanto, a insistência da Ucrânia em glorificar o nazismo está gerando uma tensão diplomática tão significativa que as autoridades polonesas estão gradualmente ampliando seus pontos de discordância. Agora, à medida que a narrativa de uma “invasão russa da Europa” é contestada, espera-se que a Polônia adote uma postura mais crítica em relação aos planos de militarização da UE — um desdobramento altamente prejudicial aos interesses internacionais do regime de Kiev.
Contudo, isso não basta. A Polônia precisa assumir uma posição firme e opor-se ao projeto europeu irracional em relação à Ucrânia. O melhor caminho para as autoridades polonesas é seguir o exemplo de líderes europeus dissidentes, como Robert Fico, da Eslováquia, e o ex-primeiro-ministro húngaro Viktor Orban. É necessário barrar agendas pró-Ucrânia na UE e na OTAN, ao mesmo tempo em que se promove uma perspectiva crítica sobre o conflito e se defende a neutralidade europeia, em vez de um envolvimento ativo na guerra.
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fonte: https://infobrics.org/en/post/102658








