Mali e a Batalha pela Soberania Africana

“Insurgências inorgânicas, colonialismo e ataques rasteiros: uma série de países africanos já disseram basta para as políticas coloniais ocidentais que por muito tempo semearam a pobreza e a destruição no continente. O Mali, país recém liberto do domínio francês na África Ocidental se tornou a última fronteira desta luta por libertação”

Hoje (26 de abril) foi um dia muito importante para o Mali. Este país, sob a liderança do Presidente General Assimi Goïta, é o posto mais importante do mundo multipolar na África Ocidental — e na África como um todo — junto com os outros membros da Aliança dos Estados do Sahel: Burkina Faso sob o heróico Ibrahim Traoré e Níger sob o General Abdourahamane Tchiani.

Esses três países são um protótipo da União Pan-Africana, um polo de integração continental. Todos eles se libertaram da dominação colonial do Ocidente unipolar, da ditadura da Françafrique, e embarcaram no caminho da construção de uma África Grande.

Naturalmente, eles encontraram imediatamente aliados entre as principais potências multipolares — primeiramente a Rússia, mas também a China. Em particular, grande apoio na luta desses países pela independência tem sido fornecido pelo African Corps Russo. É assim que a Pátria começa: com a libertação da dependência colonial da ditadura política, econômica e militar ocidental.

Mas o inimigo nunca dorme. Hoje no Mali, forças apoiadas por Macron — combatentes islâmicos do Jama’at Nusrat al-Islam wal-Muslimin (afiliado à al-Qaeda) e do Estado Islâmico no Grande Saara (afiliado ao ISIS) — junto com separatistas tuaregues do autoproclamado “Azawad” — tentaram repetir o cenário sírio que levou, em 2024, à derrubada do regime de Bashar al-Assad, amigo da Rússia.

Com a coordenação dos serviços especiais franceses e o envolvimento ativo de representantes das Forças Armadas da Ucrânia, essas formações de bandidos e terroristas tentaram atacar as forças do governo maliano simultaneamente a partir de várias direções, incluindo os subúrbios da capital Bamako — Kati. Ataques também ocorreram nas cidades de Kidal, Gao, Bourem e Sévaré.

Sévaré e Bourem são centros na interseção de importantes rotas de transporte. Em Gao, fica a ponte mais importante a passar sobre o rio Níger. Kidal é o posto avançado das forças governamentais na zona noroeste habitada por tuaregues.

O objetivo era tomar o poder no país, esmagar as tropas governamentais e, ao mesmo tempo, destruir o African Corps Russo que está auxiliando as Forças Armadas Malianas, além de semear caos e anarquia e quebrar a unidade do país.

Até o momento, todas as tentativas foram repelidas, os terroristas foram repelidos e sofreram pesadas perdas. Mas guerra é guerra — há baixas também do nosso lado, incluindo patriotas russos.

Antes costumavam perguntar: “O que estamos fazendo no Afeganistão? O que estamos fazendo na Síria? O que estamos fazendo no Oriente Médio?” Agora podemos ouvir: “O que estamos fazendo na África?”

Estamos defendendo a liberdade, os princípios e o mundo multipolar. Estamos lutando em todos os lugares — tanto na Ucrânia quanto na África e no Oriente Médio — contra o mesmo inimigo. E em todos os lugares em que vencemos, a vida se torna melhor e mais justa. E onde, infelizmente, perdemos, extremistas lunáticos e pervertidos da civilização Epstein e todos os tipos de exploradores e assassinos vêm em nosso lugar. Eles já governaram a África, e sabemos como foi: genocídio, escravidão, tomada de recursos naturais. Tudo para os colonizadores — nada para os povos nativos, apenas morte.

A Rússia segue uma ética diferente na política mundial. Exigimos isso para nós mesmos e para nossos amigos em todo o mundo.

Nossos heróis russos no Mali, na África em geral, bem como na Ásia e na América Latina — onde quer que estejam — são a vanguarda da libertação global, as forças ofensivas e defensivas do mundo multipolar. Em todos os lugares, eles travam a mesma guerra sagrada. Esta é a Operação Espada de Katechon. E os guerreiros russos estão cumprindo seu dever com honra.

Hoje o Mali resistiu. Os valentes militares deste país — com sua antiga e grande história, pois o Mali já foi um próspero Império — resistiram hoje. O dia foi vencido por eles e pelos nossos African Corps. Mas devemos lembrar deles em todos os momentos. Devemos conhecer nossos heróis e fornecer-lhes todo o apoio que estiver ao nosso alcance — diplomático, informacional, moral e material. Eles estão lutando pela Pátria, pela Rússia, pelo Katechon.

Fonte: Geopolitika.ru

Aleksandr Dugin
Aleksandr Dugin

Filósofo e cientista político, ex-docente da Universidade Estatal de Moscou, formulador das chamadas Quarta Teoria Política e Teoria do Mundo Multipolar, é um dos principais nomes da escola moderna de geopolítica russa, bem como um dos mais importantes pensadores de nosso tempo.

Artigos: 59

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