
Qualquer tentativa de explicar o colapso dos Republicanos nas midterms que não leve em consideração o fator Irã/Israel é apenas uma tentativa de controle de danos por parte de neocons e sionistas.
Nem mesmo o “fator demográfico” deve ser levado tão em consideração assim. A demografia entre 2026 e 2024 é praticamente a mesma. De fato, aliás, as deportações em massa estão funcionando, no mínimo para desacelerar a imigração em massa. Aliás, a mesma narrativa do “fator demográfico” foi usada para explicar a derrota de Trump para Biden em 2020, e aí vimos o que ocorreu em 2024.
É Israel e fundamentalmente Israel e pouca coisa além de Israel. É Israel e a traição do MAGA em prol do MIGA e a substituição por uma política externa isolacionista, na qual os trumpistas votaram, por uma política externa de guerras infinitas em defesa de Israel.
Mesmo quando levamos em consideração o “fator econômico” é Israel. A população dos EUA estaria disposta a segurar as consequências incertas do protecionismo trumpista (em alguns setores houve aumento de vagas de emprego, em outros há um encarecimento dos bens industriais), se a Guerra do Irã não tivesse jogado ainda mais peso sobre os problemas econômicos dos EUA.
O preço dos combustíveis disparou em 40%. Falências em massa de empresas de transporte por caminhão. A disparada nos combustíveis e a crise logística levaram, por sua vez, a um aumento razoável na inflação.
Foi Israel, apenas Israel e fundamentalmente Israel a âncora que puxou Trump para baixo e liquidou o Partido Republicano no Legislativo.
Todas as pesquisas apontam para isso. Uma parte significativa dos eleitores que se identificam como republicanos votaram com base na “questão israelense”. Nem é uma questão de achar que os Democratas fariam diferente, mas de punir Trump e o Partido Republicano pela traição ao programa trumpista de “fazer a América grande de novo”.
Nada disso deveria surpreender. Aproximadamente 50% dos republicanos das gerações Z e Millennial são anti-Israel.
Desnecessário repetir, mas o faremos, a guerra contra o Irã não faz sentido geopolítico para os EUA. Não havia nada a ser ganho com esse conflito e seria muito mais vantajoso para os EUA a pacificação com o Irã e, inclusive, a retomada de comércio com o país. Eram apenas os interesses de Israel em jogo no conflito com o Irã – isso para não mencionar a possibilidade de Trump ter sido chantageado por conta do caso Epstein.
Uma vez mais: era previsível que isso aconteceria. O Partido Republicano viu a defecção de populistas consistentes como o Thomas Massie e a Marjorie Taylor-Greene, o abandono por parte de influenciadores importantes como o Tucker Carlson, além de tentativas difusas de resistência por parte de um punhado de generais.
O fracasso do Partido Republicano e de Trump é mais um sinal de que a aproximação com o sionismo tem sido ruinosa para os conservadores. Nenhum sionista é sinceramente simpático aos EUA, ao Brasil, à Hungria ou a qualquer outro país do mítico “Ocidente judaico-cristão”. Na verdade, todos os sionistas enxergam essas aproximações como ferramentas de exploração dos recursos alheios e de instrumentalização de Estados estrangeiros para os fins israelenses, inclusive como escudos ou proxies. Estamos falando de uma ideologia que enxerga toda a “Cristandade Ocidental” como Edom, como ferramenta a ser lançada contra os “descendentes de Ismael” para que ambos se destruam e Israel possa governar o que sobrar.
A lição para qualquer conservador brasileiro é a necessidade urgente de abandonar, imediatamente, toda defesa de Israel e do sionismo. Quem não fizer isso será devastado politicamente, repetidamente.








