Uma das coisas mais perturbadoras de nosso país é que ainda estamos tentando avançar com projetos e pautas tão básicos que outras nações já os implementaram entre 1800 e 1950, contra uma casta ultraprogressista impaciente e fanática que quer acelerar os processos socioculturais até dissolver todo o tecido social.
Mas um sintoma pouco mencionado disso é que os nossos antiprogressistas (nacionalistas, trabalhistas, conservadores, etc.) todos eles pensam “para trás”. Todos os seus projetos são “retornos” pouco criativos, e quase sempre com horizontes bem curtos.
É o retorno ao “Estado-nação”, o retorno ao “primado da razão”, o retorno ao liberalismo político e ao individualismo “cidadão”, o retorno ao modelo analítico-empirista nas ciências, o retorno à família nuclear “tradicional”, o retorno ao universalismo iluminista, e assim por diante.
De um modo geral, parece ser assim porque os porta-vozes dessas tendências enxergam a pós-modernidade como um surto psicótico temporário ou uma conspiração artificial, e não como fruto do esgotamento das possibilidades da modernidade ou como a aceleração e intensificação até às últimas consequências de tendências já implícitas nos paradigmas modernos.
Como a pós-modernidade chegou rápido demais no Brasil – mais rápido do que seria natural pelos próprios processos internos, já que tivemos uma modernização truncada – os seus críticos não tiveram tempo o suficiente para sentir aquele “cansaço da modernidade” que os pensadores iliberais da Europa já sentiam no início do século XX e que os forçou a serem “revolucionários”.
Aqui, quase todo pensamento crítico da pós-modernidade ainda é reacionário e raramente tenta trazer algo que seja inédito ou novo no Brasil.








