Quando os sistemas políticos entram em crise, recorrem ao terror como meio de controlar as massas, a fim de evitar revoltas e insurreições. O Comitê de Salvação Pública de Robespierre, por exemplo, lançou mão desse recurso porque a crise econômica, as guerras e a insurreição da Vendeia ameaçavam a Revolução Francesa. A Lei dos Suspeitos, que permitia a prisão de supostos inimigos da revolução, levou milhares de pessoas à guilhotina, entre elas a rainha Maria Antonieta, revolucionários como Danton e vítimas do genocídio dos vendeanos.
A arma do medo
Os massacres repetiram-se durante o Grande Terror de Stalin na União Soviética, durante a Revolução Cultural maoísta e nos massacres perpetrados pelo Khmer Vermelho no Camboja. A arma do medo não se manifesta apenas nas repressões sangrentas dos regimes comunistas, mas também na ditadura branda do capitalismo em sua fase terminal. O Capitalismo de Vigilância, uma vez desfeita a ilusão da prosperidade para todos, revelou sua face feroz de exploração tirânica por meio do uso do medo.
Trata-se de uma arma poderosa, sobretudo quando empregada contra cidadãos enfraquecidos pela mentalidade burguesa — resistentes ao sacrifício e à disciplina, e aterrorizados diante do risco e da morte. Como ocorreu, por exemplo, durante a recente pandemia: uma gripe com taxa de mortalidade de 0,03%, apresentada como uma doença mortal, levou à imposição de severas restrições às liberdades.
Medidas tirânicas que, sem o terror da morte, teriam provocado revoltas foram docilmente aceitas por massas aterrorizadas. Cidadãos confinados em suas casas, denúncias entre vizinhos, colapso econômico, perda de milhares de empregos e a verdadeira epidemia de sofrimento mental.
Normalizar o inaceitável
A verdadeira infecção foi psicológica: o Vírus do Medo foi inoculado em uma população assustada e desprovida de anticorpos espirituais e mentais. O governo progressista utilizou a palavra lockdown, mais aceitável do que “segregação forçada”. As palavras criam novas conexões neurais ao alterar o pensamento, normalizando o inaceitável — como a perseguição aos não vacinados, apontados como propagadores responsáveis pela disseminação da infecção viral.
Agora nos deparamos com o medo de uma guerra iminente, como se um invasor estivesse às portas, provocando pesadelos entre os mais vulneráveis. Surge também o temor do esgotamento dos recursos energéticos devido ao fechamento do Estreito de Ormuz, por onde efetivamente transitam 20% do petróleo e do gás consumidos no mundo.
Esse fornecimento destina-se principalmente às grandes nações asiáticas, como Índia e China, enquanto apenas modestos 4% são destinados à Europa. No entanto, esses números são habilmente ocultados para provocar pânico. O comitê empresarial conhecido como União Europeia proíbe os Estados-membros de reduzirem impostos sobre combustíveis ou adquirirem produtos energéticos a preços mais vantajosos fora dos circuitos autorizados, a fim de impor um novo regime de medo.
Um novo reino do terror?
Essa enésima crise constitui uma fraude dirigida contra os cidadãos, aos quais se exige que façam sacrifícios econômicos e renunciem à sua liberdade de deslocamento. Um novo medo destinado a produzir isolamento social, controle e repressão de populações exasperadas por restrições consideradas inúteis e benéficas apenas ao grande capital cosmopolita.
Em 2008, um barril de petróleo custava 147 dólares e a gasolina custava 1,35 euro por litro. Hoje, o mesmo barril custa 110 dólares e a gasolina se aproxima de 2 euros por litro. A especulação seria evidente — mais um roubo às custas de cidadãos mantidos sob o domínio de um novo terror: o da pobreza e da perda dos confortos aos quais estão acostumados.
Mais uma vez, os poderes econômicos revelam sua face predatória àqueles mantidos sob controle pelo terror. Mas o medo pode ser superado mediante a recuperação da liberdade perdida; o poder de escolher o próprio destino nasce da dignidade reencontrada do ser humano integral.
Eros, o impulso vital do amor e da criação, triunfa sobre Tânatos, o impulso da morte e da destruição que gera o terror paralisante. As disciplinas espirituais, o pensamento contracultural e os esportes de aventura constituem os maiores atos de amor-próprio — o antídoto para o vírus do medo.








