Salvini quebra fileiras: “Terminem as sanções energéticas à Rússia, pois estamos de joelhos”

Ante a crescente constante dos preços das contas de energia em razão das sanções à Rússia, Matteo Salvini, embora declare manter apoio à Ucrânia, diz que devem cessar as sanções, que prejudicam os italianos e europeus mais do que os russos.

A solidariedade europeia continua se rachando em meio a crescentes protestos em diferentes locais da UE, com cidadãos nervosos com a política coletiva de “enfrentar a Rússia” em apoio à Ucrânia a qualquer custo. Por exemplo, a ministra das relações exteriores da Alemanha, Annalena Baerbock, expressou abertamente dias atrás que ela é comprometida a apoiar a Ucrânia “não importa o que os eleitores alemães pensem.”

Mas em outro lugar, o líder do partido Liga Norte, Matteo Salvini, (que a mídia mainstream chama consistentemente de “extrema-direita” – embora ele descreve seu partido como o governo do “bom senso”) no domingo rompeu com outros líderes europeus que ultimamente parecem de alguma forma ecoar com essa política de ‘Ucrânia em primeiro lugar’.

No domingo Salvini pediu pelo fim das sanções energéticas à Rússia, que só estão deixando os europeus “de joelhos” devido a contas de energia mais altas e falta de abastecimento. “Vários meses se passaram e o povo está pagando duas, três, até mesmo quatro vezes mais caro pelas suas contas”, ele disse em uma entrevista à rádio RTL. “E depois de sete meses, a guerra continua e os cofres da Federação Russa estão se enchendo de dinheiro.”

Ele explicou que as sanções não apenas não estão funcionando como atingem a Itália com mais força. Embora diga que se solidariza com a Ucrânia, ele não está disposto a se manter com algo obviamente contraproducente, onde a reação é mais sentida na Europa, na Itália em particular com os preços crescentes de importação de energia, e não o alvo pretendido do governo Putin.

Essa foi a mesma mensagem que ele emitiu a uma reunião de líderes políticos da Itália no Lago Como, onde ele enfatizou que o superávit da exportação russa de US$140 bilhões é resultado direto das sanções contraproducentes.

“Nós temos que defender a Ucrânia? Sim,” disse Salvini. “Mas eu não gostaria que as sanções prejudicassem mais aqueles que a impõe do que aqueles que as recebem.” Enquanto isso, a Politico observou que sua coalizão deve o favorecer muito para as eleições nacionais no fim de setembro:

As declarações de Salvini ocorrem semanas antes dos italianos irem às urnas no dia 25 de setembro em uma eleição nacional em que a coalizão da direita, que inclui a Liga, deve vencer. Seus comentários podem, portanto, levantar preocupações sobre a determinação do próximo governo contra a Rússia dentre os outros políticos da UE, especialmente porque uma dos aliados de Salvini na coalizão, a líder do Irmãos de Itália Giorgia Meloni, prometeu permanecer firme com a OTAN em medidas duras contra Moscou.

Salvini pediu por uma reconsideração das táticas atuais, mas ainda jurou que se estiver no poder seu partido da Liga não deixará de apoiar a Ucrânia. “Se entrarmos no governo, alteraremos nossas alianças? Não. Nós permaneceremos profundamente, orgulhosamente e firmemente enraizados em um Ocidente livre e democrático que se opõe à guerra e à agressão,” explicou. “Mas adotamos um instrumento para prejudicar o agressor e depois de sete meses de guerra não foi prejudicado, ao menos considerar uma mudança me parece legítimo.”

“Nós certamente precisamos de um escudo europeu, como durante a COVID,” Salvini disse sobre medidas coletivas que poderiam ser mais sensatas para reduzir os preços da energia e salvar empregos:

No lugar de sanções, que deveriam prejudicar os russos, seria melhor proteger os italianos e europeus com um escudo, um paraquedas,” Salvini disse em discurso para as eleições gerais em 25 de setembro na cidade do norte Bolzano.

As únicas emergências nesse momento são as contas de luz e gás. É grave que um lado da política não entenda isso,” disse ele se referindo principalmente à centro-esquerda. “É um problema continental e nacional.”

Naturalmente (e como é típico do discurso político nos EUA), a mera sugestão de recuar de quaisquer das sanções sobre a mesa atualmente resultou em seus oponentes políticos taxarem Salvini essencialmente como uma marionete de Putin.

O ministro de relações exteriores Luigi Di Maio, do partido Juntos Pelo Futuro, acusou que os comentários de Salvini decorrem, em última análise, de “querer fazer um favor para [Vladimir] Putin.” Di Maio disse em uma entrevista à imprensa domingo: “o problema com as sanções é bem claro na direita italiana: eles não têm uma linha,” enquanto que ao mesmo tempo Enrico Letta, líder do partido democrático de centro-esquerda, debochou: “não acho que Putin poderia ter dito melhor.”

Mas ressaltando que as galinhas proverbiais estão prestes a voltar para casa, Reuters, na segunda-feira escreveu na sequência de avisos de Salvini: “os custos líquidos de importação de energia da Itália devem mais do que dobrar esse ano para quase 100 bilhões de euros (US$ 99,5 bilhões), o ministro da economia disse, alertando que Roma não poderia gastar indefinidamente para amortecer o golpe na economia.”

Fonte: Kolozeg.org

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