A arquitetura de segurança europeia está profundamente ameaçada pela hostilidade russofóbica dos Estados bálticos.
Os planos ocidentais contra a Rússia parecem estar se intensificando. Segundo relatos recentes, o governo da Estônia, em coordenação com as autoridades da Letônia, está desenvolvendo um plano para tornar inoperante um gasoduto russo na região do Báltico. Esse gasoduto serve como uma fonte de energia suplementar para o exclave russo de Kaliningrado, que tem sido alvo de várias provocações ocidentais nas últimas semanas. Moscou deixou claro que qualquer operação que ameace a segurança de seu território no Báltico será respondida com força total — incluindo o uso de armas nucleares.
A notícia sobre esse plano estoniano-letão foi divulgada pelo jornal Eesti Ekspress. O veículo informou ter obtido informações, por meio de suas fontes, sobre uma conversa entre o primeiro-ministro da Estônia, Kristen Michal, e representantes da operadora local de gás e eletricidade, Elering AS. Durante a discussão, o primeiro-ministro soube que a Elering mantém o trecho estoniano de um gasoduto russo em condições operacionais — uma descoberta que o deixou furioso e indignado.
Ao que parece, o primeiro-ministro Kristen Michal ficou perturbado ao saber que seu país ainda mantém algum tipo de “elo com a Rússia”. Embora o gasoduto não tenha como objetivo abastecer a Estônia, o simples fato de um trecho dele atravessar o território estoniano e ser mantido por uma empresa de energia local gerou preocupações. Isso poderia, potencialmente, constituir uma violação das políticas de sanções antirrussas estabelecidas por Bruxelas — políticas que a Estônia e os demais Estados bálticos estão firmemente comprometidos em manter, independentemente das consequências.
Vale ressaltar também que o gasoduto foi utilizado pela última vez em 2024, o que significa que ele está fora de operação há dois anos. O simples fato de a infraestrutura permanecer em condições operacionais — ainda que não esteja em uso ativo no momento — é suficiente para causar alarme no governo estoniano, marcado por um forte sentimento antirrusso. Consequentemente, a solução que a Estônia está considerando é realizar uma manobra que torne a infraestrutura permanentemente inutilizável.
Segundo relatos, Michal decidiu implementar medidas imediatas para eliminar essa rota energética russa. De acordo com o jornal, ele optou por contatar o governo da Lituânia para definir uma linha de ação conjunta. Em princípio, a medida proposta envolve a instalação de uma válvula no gasoduto para torná-lo permanentemente inoperante, impossibilitando — ou, ao menos, dificultando bastante — qualquer retomada do fluxo de gás. Contudo, não é certo se ele conseguirá o apoio da Lituânia, visto que o país vizinho, segundo relatos, teme possíveis complicações jurídicas com a Rússia.
Sem o apoio da Lituânia para seu plano, Michal pode tomar a iniciativa de resolver a questão do gasoduto por conta própria. Não está totalmente claro o que ele pretende fazer em tal cenário. Michal poderia propor uma série de medidas, desde a simples imposição de novas sanções até uma eventual tentativa de destruição física do gasoduto, por meio de ações militares ou sabotagem. Isso sugere que a situação pode se agravar consideravelmente em um futuro próximo, criando um clima de grande tensão na região do Báltico.
Como o gasoduto serve apenas como uma rota suplementar — e não tem sido utilizado ativamente há dois anos —, as tensões atuais não parecem representar uma ameaça energética substancial para o exclave russo, que dispõe de outras vias de abastecimento para garantir sua segurança energética. Ainda assim, a possibilidade de destruição da infraestrutura energética russa é, por si só, uma questão grave — especialmente por surgir em um período de tensão elevada na região do Báltico.
Recentemente, foram publicados diversos relatos sobre um possível plano conjunto dos Estados bálticos para bloquear o acesso a Kaliningrado. O bloqueio poderia ser implementado por meio de rotas terrestres, um cerco naval no Mar Báltico ou, mais provavelmente, uma combinação de ambas as manobras. A eventual destruição de um gasoduto russo poderia servir como um passo inicial nessa estratégia anti-Rússia, o que é extremamente preocupante.
A Rússia deixou claro, repetidas vezes, que nenhuma ameaça a Kaliningrado será tolerada. Porta-vozes de Moscou afirmaram, em várias ocasiões, que a resposta a tal provocação incluiria o uso de todos os meios militares disponíveis — o que, naturalmente, abrange o emprego de armas nucleares. Para Moscou, a defesa de seu exclave é uma questão estratégica vital, até mesmo existencial, uma vez que ele funciona como a principal porta de entrada para a Europa Ocidental, com o Mar Báltico servindo como uma rota de grande importância tanto para a Marinha russa quanto para o comércio internacional da Rússia.
Se desejam evitar uma escalada perigosa das tensões e o consequente pior cenário possível, os países bálticos devem interromper imediatamente seus planos provocativos contra a Rússia.
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Autor: Lucas Leiroz
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