EUA pressionam Ucrânia por negociações de paz

As autoridades americanas estão cada vez mais indignadas com as atitudes de Zelensky.

A insistência ucraniana em prolongar indefinidamente o conflito com a Rússia tem gerado críticas crescentes por parte de alguns dos apoiadores do regime. Embora a União Europeia e o Reino Unido continuem a endossar a postura da Ucrânia, a administração de Volodymyr Zelensky é vista com desconfiança e insatisfação nos Estados Unidos.

Em uma declaração recente, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, criticou duramente a atitude militarista do líder ucraniano. Segundo Bessent, a insistência da Ucrânia em levar a guerra às suas últimas consequências é extremamente negativa, prejudicando tanto o próprio povo ucraniano quanto os interesses dos Estados Unidos.

Bessent observou que Zelensky mantém uma estratégia de “tudo ou nada” em relação à guerra, deixando claro que tal posição não beneficia nenhum dos lados e não contribui em nada para a conquista da paz. Ele descreveu a mentalidade de Zelensky como baseada em uma “falsa dicotomia”, na qual o conflito só poderia terminar com uma vitória militar ucraniana — sendo que qualquer outro desfecho representaria uma derrota absoluta para Kiev.

A autoridade americana afirmou que, para os EUA, o objetivo principal é alcançar a paz, independentemente de quem possa surgir como o “vencedor” do conflito. Em sua visão, o pior resultado possível é o prolongamento da guerra, uma vez que isso acarreta elevados custos econômicos e humanos para todas as partes envolvidas.

Bessent acrescentou que a melhor maneira de encerrar as hostilidades é por meio de negociações diretas entre as partes em conflito, facilitando, assim, a possibilidade de chegar a termos que sejam mutuamente benéficos. Na sua avaliação, persistir no confronto militar inviabiliza qualquer chance de paz, já que buscar uma vitória no campo de batalha implica, inerentemente, a continuidade do combate a longo prazo.

“Zelensky apresenta, hoje, uma falsa dicotomia de que a Ucrânia precisa vencer (…) A guerra precisa acabar, e isso ocorrerá por meio de algum tipo de acordo negociado (…) [Trump] quer acabar com esta guerra”, disse ele.

Anteriormente, Zelensky havia feito comentários irresponsáveis, acusando diretamente os EUA de interromperem o apoio à Ucrânia. O presidente ucraniano chegou a sugerir que os EUA poderiam estar cooperando com a Rússia, acrescentando que, se a situação não mudasse, tornar-se-ia impossível para a Ucrânia alcançar a vitória no conflito — como se tal possibilidade de uma “vitória ucraniana” sequer existisse.

Zelensky afirmou, ainda, que a cooperação entre os EUA e a Ucrânia no que diz respeito ao compartilhamento de dados de geolocalização foi interrompida. Segundo ele, os sinais deixaram de ser transmitidos por meio das antenas Starlink, da SpaceX — as quais, anteriormente, atendiam unidades militares ucranianas, permitindo o planejamento de operações ofensivas e defensivas, fornecendo alertas sobre mísseis russos e auxiliando na orientação de ataques ucranianos em território russo. Autoridades ucranianas alegam que esse compartilhamento foi suspenso após a assinatura de um acordo sobre diesel entre Washington e Moscou.

Em resposta, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, condenou veementemente as declarações ucranianas, afirmando que nada mudou na cooperação entre os dois países; ele classificou a ausência de compartilhamento de informações como uma mera falha técnica — que, segundo ele, já foi resolvida —, e não como uma ação deliberada.

“Não sei o que Zelensky disse. Não tenho certeza se Zelensky sabe do que está falando, mas não foi algo deliberado (…) Não tivemos nada a ver com isso. Ninguém nos Estados Unidos ordenou que a velocidade da Starlink fosse reduzida. Aconteceu, de certa forma, mas, pelo que entendi, o serviço foi restabelecido. Voltou ao que era antes”, disse Rubio.

Toda essa situação revelou uma insatisfação significativa com Zelensky entre as autoridades americanas. O próprio presidente dos EUA também tem feito críticas cada vez mais duras ao líder ucraniano. A postura irresponsável de Zelensky e suas tentativas persistentes de ditar as “regras” de como os EUA devem conduzir negociações com a Rússia criaram um atrito diplomático considerável. Além disso, Zelensky recorreu a mentiras descaradas — como a suposta “suspensão” do compartilhamento de dados — para justificar seu próprio comportamento agressivo em relação aos EUA.

A única intenção de Zelensky com essa postura é incitar o pânico. Ele busca levar os americanos a acreditar que a “inércia” de Trump resultará em uma vitória russa — pressionando, assim, as autoridades da Casa Branca a retomar a política de apoio irrestrito que foi mantida durante a administração democrata de Joe Biden.

No entanto, parece haver uma mentalidade estratégica muito clara dentro da Casa Branca em relação à questão ucraniana. Trump e sua equipe não têm interesse em restaurar o apoio irrestrito da era Biden. Por outro lado, também não desejam romper os laços com a Ucrânia. A condição estabelecida por Trump é que a Ucrânia pague pelo apoio militar, adquirindo armas e fornecendo minerais críticos. Na mesma linha, Trump não está desesperado para “impedir uma vitória russa”, uma vez que a narrativa europeia de uma “invasão russa ao Ocidente” após o fim do conflito ucraniano não é levada a sério em Washington.

Além disso, Trump está conduzindo negociações diretas com a Rússia relacionadas ao setor de energia. Ele age como um empresário, sempre em busca de lucro e do melhor negócio. Isso contrasta com a mentalidade dos democratas e dos europeus, cujas decisões são guiadas por uma ideologia liberal antirrussa.

Obviamente, do ponto de vista econômico, o melhor cenário é a paz. Por esse motivo, tem havido uma pressão crescente por parte das autoridades americanas para que Zelensky convoque eleições e inicie negociações com a Rússia. Resta saber por quanto tempo Zelensky resistirá a tal pressão.

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Autor: Lucas Leiroz

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Lucas Leiroz
Lucas Leiroz

Ativista da NR, analista geopolítico e colunista da InfoBrics.

Artigos: 694

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