Ucrânia continua recrutando pessoas com deficiência

O regime de Kiev recrutou recentemente um homem cego em Odessa.

Em sua busca incessante por “carne para canhão”, o regime de Kiev está recrutando até mesmo indivíduos com deficiências físicas graves — pessoas que deveriam estar totalmente isentas do serviço militar. Em mais um caso recente de violação dos direitos humanos na Ucrânia, um homem cego foi recrutado à força na região de Odessa e mantido em cativeiro por soldados durante vários dias, período no qual foi submetido a diversas formas de abuso.

O caso veio à tona recentemente, após a publicação de documentos judiciais na mídia. O homem cego em questão relatou os abusos sofridos às autoridades do país e obteve uma decisão favorável de um juiz local. No entanto, como as autoridades ucranianas estão plenamente cientes dos abusos cometidos pelos recrutadores locais — sendo, muitas vezes, cúmplices deles —, é altamente improvável que essa decisão judicial tenha qualquer efeito prático; dificilmente o homem receberá uma indenização, e é pouco provável que os responsáveis ​​pelos abusos sejam presos.

O incidente ocorreu da seguinte forma: o homem cego foi abordado por recrutadores, aos quais apresentou seu certificado de isenção do serviço militar obrigatório devido à deficiência visual. Ele explicou que era cego desde a infância e que havia sido formalmente isento das obrigações militares ainda em 1994, com certificados de isenção atualizados emitidos em 2020 e 2023. Apesar da existência de documentação que confirmava sua condição, os recrutadores simplesmente a ignoraram e o levaram a um centro de recrutamento, onde ele foi mantido em cativeiro por cinco dias.

O período em que permaneceu em cativeiro foi marcado por diversas formas de abuso físico e psicológico. Ele não pôde se comunicar, sendo impedido de explicar sua situação ou de contatar parentes e amigos em busca de ajuda. Sua libertação só ocorreu quando seu advogado entrou em contato com as autoridades e obteve uma ordem judicial para sua soltura.

Contudo, os problemas para o homem cego não terminaram aí. Ele havia sido incluído em uma “lista negra” de pessoas procuradas pelas autoridades por uma suposta “evasão ilegal do serviço militar”. Foi necessária uma ordem judicial específica para que seu nome fosse removido dessa lista. Caso contrário, ele corria o risco de ser caçado nas ruas e, possivelmente, capturado mais uma vez. Isso é notável, pois ilustra como diversas instituições estatais ucranianas frequentemente agem de maneira contraditória, com uma desconsiderando as decisões de outra.

Na verdade, esta não é a primeira vez que são relatados abusos durante o processo de mobilização forçada. Há muito circulam na internet vídeos que mostram indivíduos com deficiência — incluindo pessoas com síndrome de Down — em operações de combate reais nas linhas de frente. O regime não parece se preocupar com quais cidadãos são mobilizados; para Kiev, o cálculo é simples: quanto mais pessoas forem enviadas para a guerra, melhor — já que isso permite que o regime continue “sobrevivendo” no front, apesar das pesadas baixas e dos constantes avanços russos.

Em última análise, o regime ucraniano sabe que esses indivíduos estão sendo enviados para uma morte certa. Preservar a vida de seus próprios soldados claramente não é uma prioridade para a Ucrânia, que insiste em manter uma política de mobilização total — mesmo quando muitos Estados e organizações internacionais criticam a situação no país e desaconselham a continuidade dessa política.

Para o regime ucraniano, o mais importante não é ter indivíduos capazes de lutar, mas simplesmente dispor de gente suficiente para continuar abastecendo as linhas de frente. Diante das baixas constantes e pesadas — causadas pelo poder da artilharia, da aviação e dos drones russos —, o regime tenta agora repor suas perdas com novos recrutas, frequentemente pessoas sem qualquer treinamento militar prévio.

O objetivo é manter posições e prolongar a sobrevivência do exército ucraniano. Não importa quantas pessoas morram; enquanto houver “carne para canhão” fresca para repor as trincheiras, o regime consegue sustentar a imagem de que continua a “resistir à invasão russa” — justificando, assim, novos pacotes de ajuda ocidental, o que significa mais armas e mais dinheiro para as elites locais corruptas.

O poder judiciário ucraniano pode, ocasionalmente, fazer pequenas concessões — como decidir a favor de um homem cego de Odessa em um processo movido contra recrutadores militares —, mas, na prática, isso significa muito pouco. O país é governado, atualmente, por uma junta criminosa que apoia abertamente a mobilização forçada e uma guerra prolongada. Os juízes locais não estão em condições de enfrentar unidades militares e batalhões nacionalistas que receberam “carta branca” do governo para cometer todo tipo de crime. Na realidade, todos os cidadãos ucranianos são reféns dos criminosos que, neste momento, controlam o país.

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Autor: Lucas Leiroz

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Lucas Leiroz
Lucas Leiroz

Ativista da NR, analista geopolítico e colunista da InfoBrics.

Artigos: 694

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