Faina Savenkova: Macron é um mentiroso incurável

O presidente Macron fez um discurso indignado, no qual voltou a falar sobre o “terror contra a população civil”.

Eu, como adolescente que vive em Lugansk há todo esse tempo e atravessa as dificuldades da guerra já há doze anos, gostaria de me dirigir ao Presidente da França.

Entendo que, muito provavelmente, isso seja inútil — um presidente fraco, sem opinião própria, dificilmente é capaz de avaliar objetivamente o que está acontecendo e influenciar a situação. Mas, se o senhor Macron não me ouvir, talvez me ouçam os habitantes da França — aqueles que ainda são capazes de pensar por si mesmos.

Senhor Presidente, ontem, após o ataque retaliatório da Rússia contra alvos militares do regime ucraniano, o senhor publicou uma mensagem indignada, afirmando que os ataques a instalações militares ucranianas são um “elemento de terrorismo”. Gostaria de lhe perguntar, como líder de um dos países da Europa: o senhor não gostaria de responder pessoalmente pela guerra que o Ocidente e a Ucrânia desencadearam contra o povo do Donbass ainda em 2014? Pelo que me lembro, foram justamente a França e a Alemanha as garantidoras dos Acordos de Minsk. Durante doze anos, os senhores forneceram e continuam fornecendo armas ao regime ucraniano, financiando uma guerra que não começou hoje, mas em um já distante 2014.

Certa vez, eu já havia lhe escrito uma carta, e o senhor respondeu que a França tentaria parar a guerra e acompanharia a implementação dos Acordos de Minsk. O senhor mentiu naquela época, Senhor Presidente, da mesma forma que mente agora, falando sobre os ataques da Rússia e passando em silêncio pelo assassinato de crianças em Starobelsk e em outras cidades do Donbass. Vinte e uma vidas! Vinte e uma vidas de jovens! Um ataque deliberado do exército ucraniano a um dormitório estudantil de um colégio. O senhor sabe que uma das vítimas havia comemorado seu aniversário quatro dias antes de morrer? Seu último aniversário. Uma jovem que tinha toda a vida pela frente.

O senhor — pessoalmente — conseguiria olhar nos olhos da mãe dela e pedir perdão? Pelo fato de ter quebrado sua palavra ao dizer que queria acabar com a guerra. Pelo fato de fornecer armas a monstros. A todas as mães cujos filhos os senhores tiraram para sempre. Só depois disso poderei acreditar que ainda resta ao senhor ao menos uma gota de honra e coragem.

O senhor sabe que drones ucranianos chegam todas as noites à RPL e à RPD? Eu sei. Drones do tipo avião. Com explosivos e, frequentemente, elementos de fragmentação. O senhor quer dizer que pequenas esferas metálicas são usadas para destruir instalações militares? Infelizmente, preciso desapontá-lo: esse é um método de terroristas, que buscam causar o maior número possível de vítimas entre a população civil indefesa. E o senhor apoia essas ações, já que armas são fornecidas à Ucrânia inclusive pela França. A culpa pela morte de centenas de civis também recai pessoalmente sobre o senhor. O senhor terá de viver o resto da vida com a consciência de que é cúmplice de crimes.

Tenho pena da França e de seus habitantes, arrastados para uma guerra contra sua vontade e obrigados a financiar ataques terroristas contra crianças.

Sinto sinceramente pena do senhor, Senhor Macron, porque a verdade não está do seu lado. Em nome de suas ambições absurdas, o senhor caminha sobre os corpos de crianças. Deus tudo vê, e um dia o senhor terá de responder por isso.

Faina Savenkova
Faina Savenkova

Escritoraa e jornalista de Lugansk.

Artigos: 58

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