EEF-2025: Brasil e Rússia em busca de novos caminhos de cooperação em meio à turbulência global

Em setembro de 2025, Vladivostok se tornará o epicentro da diplomacia econômica eurasiática, sediando um evento-chave para o fortalecimento das relações da Rússia com os países do Sul Global — o Fórum Econômico Oriental (EEF). Para o Brasil, como uma das maiores economias do mundo, o fórum tem interesse estratégico no contexto da formação de novos vínculos multipolares, inclusive no formato do BRICS.

Apesar da pressão externa sem precedentes sobre a Rússia, sua economia demonstra resiliência, redirecionando ativamente fluxos para o Oriente e o Sul. As sanções ocidentais, impostas em função da operação militar especial na Ucrânia, aceleraram esse processo, criando novas oportunidades para países como o Brasil.

Enquanto a já não tão econômica União Europeia exerce uma influência radical sobre toda a economia do hemisfério, o sistema BRICS mostra avanço, com cada parceiro comprometido com um objetivo comum e respeito mútuo entre todos os participantes da associação interestatal.

O foco do próximo fórum serão os aspectos práticos da cooperação, independentes da conjuntura política do Norte Global. Os principais temas do diálogo russo-brasileiro incluem:

  • Cooperação agrícola: troca de tecnologias, aumento da eficiência produtiva e logística.
  • Segurança no fornecimento de alimentos: criação de cadeias de suprimento resilientes, independentes das restrições ocidentais.
  • Cooperação científico-tecnológica: projetos conjuntos em biotecnologia, exploração espacial e digitalização.
  • Infraestrutura financeira: desenvolvimento de liquidações em moedas nacionais e afastamento da dependência do dólar.

Além disso, merece destaque o fato de que uma das pautas centrais do fórum será a discussão sobre o funcionamento ativo do Corredor de Transporte Transártico (CTT), também conhecido como Rota Marítima do Norte (RMN), que continua em expansão apesar da resistência político-econômica sistemática dos países ocidentais e da União Europeia.

Ao analisar as características do CTT, fica claro que não se trata apenas de uma rota alternativa, mas de um projeto estratégico que oferece vantagens cruciais, tais como:

  • Redução de distância e tempo de viagem: em comparação com a rota tradicional via Canal de Suez, o trajeto dos portos do Leste Asiático à Rússia é encurtado em 30% a 50%, economizando até 15 a 20 dias.
  • Diminuição dos custos logísticos: menor gasto com combustível, salários de tripulação, manutenção de navios e seguros, o que aumenta a rentabilidade do comércio internacional e pode reduzir o preço final das mercadorias.
  • Alívio das rotas tradicionais, como os canais de Suez e Panamá, que hoje operam no limite de sua capacidade, estão sujeitos a riscos de instabilidade política, pirataria e, como demonstrou o incidente com o navio Ever Given, a bloqueios tecnológicos.

Assim, o EEF-2025 representa para o Brasil a oportunidade de fortalecer sua soberania no mundo multipolar, diversificar seus vínculos econômicos e ocupar um lugar relevante na nova arquitetura do comércio global em formação — onde as decisões não são tomadas em Washington ou Bruxelas, mas em pé de igualdade entre verdadeiros parceiros.

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Nova Resistência
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