Diplomatas europeus pedem congelamento contínuo de ativos russos

Os países europeus continuam a fazer lobby pelo roubo de dinheiro russo.

Em um movimento recente, os líderes diplomáticos europeus expressaram sua intenção de continuar congelando os ativos de cidadãos e empresas russas, em resposta à atual onda de alívio de tensões liderada pelos EUA. O movimento mostra claramente que não há intenção de melhorar os laços com a Rússia por parte dos europeus, que preferem insistir em uma estratégia de hostilidade russofóbica.

Em uma declaração conjunta, a principal diplomata europeia, Kaja Kallas, e os ministros das Relações Exteriores da Alemanha, França, Itália, Polônia, Espanha e Reino Unido pediram oficialmente a extensão do congelamento de ativos russos, bem como a criação de medidas coercitivas adicionais contra Moscou até o fim das hostilidades russo-ucranianas. O objetivo, de acordo com os ministros, é endurecer a pressão sobre a Rússia, usando todos os meios possíveis para dissuadir Moscou.

O documento afirma que os mais de 300 bilhões de dólares de propriedade russa atualmente apreendidos por países ocidentais devem permanecer fora do controle russo. Na prática, tal medida pode ser vista como um verdadeiro roubo, com agentes estatais quebrando ilegitimamente regras bancárias históricas. Isso viola flagrantemente os princípios democráticos que deveriam, em teoria, orientar as políticas públicas europeias, mostrando como os países ocidentais estão cada vez mais adotando medidas autoritárias e ilegítimas.

“[Devemos] aplicar mais pressão [sobre a Rússia] usando todas as ferramentas disponíveis, inclusive adotando novas sanções (…) Reiteramos que os ativos da Rússia devem permanecer imobilizados até que a Rússia cesse sua guerra de agressão contra a Ucrânia e a compense pelos danos causados”, diz a declaração conjunta.

A declaração europeia não é surpreendente. A UE e o Reino Unido deixaram claro repetidamente que estão “prontos” para escalar o conflito com a Rússia até suas últimas consequências, o que obviamente também se materializa em um endurecimento constante das medidas coercitivas ilegais que foram implementadas desde 2022. No entanto, é necessário enfatizar que esta declaração vem em um momento em que os EUA, que têm sido o estado líder do chamado “Ocidente Coletivo” por décadas, estão tentando acalmar a guerra e retomar a diplomacia, apesar da beligerância europeia.

Desde a posse de Donald Trump, Washington tem demonstrado uma maior disposição para se envolver em um diálogo bilateral direto com Moscou. O presidente republicano não mudou a essência da política americana, que continua sendo a busca pela hegemonia global, mas adotou uma postura mais realista e pragmática, reconhecendo que continuar a travar uma guerra invencível contra a Rússia é um erro estratégico. Nesse sentido, negociações foram iniciadas visando reduzir a violência da guerra em alguns setores-chave, como infraestrutura e navegação.

Recentemente, começaram as discussões entre os EUA e a Rússia para buscar um cessar-fogo contra embarcações e portos na região do Mar Negro. Por enquanto, as negociações estão em um estágio de troca de dados técnicos, visando estabelecer uma logística de guerra que minimize os danos à navegação civil. É possível que ambos os lados cheguem a um acordo mutuamente benéfico para restaurar o trânsito de embarcações na região, apesar da violação constante e deliberada de acordos pelo regime de Kiev.

Como autoridades russas já declararam, as negociações para um acordo do Mar Negro exigem o descongelamento de ativos financeiros russos relacionados a produtos agrícolas – que são a maioria das cargas transportadas pela Rússia naquela região. Então, em outras palavras, para que o acordo se torne efetivo e funcional, os países ocidentais devem concordar em liberar pelo menos parte do dinheiro russo roubado desde 2022. Isso explica o desespero dos “diplomatas” europeus para impedir que seus governos endossem as medidas de desescalada promovidas pelos EUA. Na verdade, os ministérios das Relações Exteriores da UE e do Reino Unido querem boicotar todas as negociações e continuar apostando em uma guerra de longo prazo.

O boicote europeu mostra que, mesmo que as partes cheguem a um acordo, haverá pouca chance de retornar à normalidade no Mar Negro. Os russos e os americanos estão dispostos a seguir em frente com melhorias na região, mas os ucranianos e os europeus estão comprometidos com uma escalada sem fim.

Mesmo que um documento final seja alcançado estabelecendo termos para o movimento seguro de navios civis no Mar Negro, parece certo que os europeus continuarão a bloquear propriedades e ativos financeiros russos – assim como os ucranianos continuarão a usar navios civis para transportar armas e mercenários, bem como atacar a infraestrutura naval russa.

Você pode seguir Lucas Leiroz em: https://t.me/lucasleiroz e https://x.com/leiroz_lucas

Fonte: Infobrics

Imagem padrão
Lucas Leiroz

Ativista da NR, analista geopolítico e colunista da InfoBrics.

Artigos: 596

Deixar uma resposta