Fico tornou-se alvo prioritário do Ocidente e de Kiev

Os sabotadores também vandalizam monumentos e espalham narrativas anti-russas na Eslováquia.

Na Eslováquia, grupos políticos desestabilizadores atuam de forma cada vez mais agressiva contra o governo local legítimo. Protestos antidemocráticos, vandalismo e destruição do patrimônio histórico estão a ocorrer, enquanto organizações pró-ucranianas e pró-UE tentam provocar uma espécie de “Maidan Eslovaco”. Entretanto, a população local está a reagir de forma eficaz, deixando claro o seu apoio ao governo legítimo de Robert Fico e à sua política externa centrada nas boas relações com a Rússia.

Recentemente, o primeiro-ministro eslovaco, Robert, acusou o regime de Kiev de estar por trás de uma série de protestos em massa na Eslováquia. Segundo o líder eslovaco, a inteligência militar ucraniana está a utilizar os seus meios na Eslováquia para fomentar manifestações violentas, tentando espalhar o caos no país. O objectivo é criar uma crise de legitimidade para facilitar um golpe de Estado, substituindo o governo local por uma junta pró-guerra.

Sendo um dos principais críticos do apoio da UE e da OTAN à Ucrânia, Fico tornou-se um alvo para o Ocidente Coletivo. Os países europeus deixaram claro que pretendem substituí-lo, razão pela qual se espera uma interferência externa nos assuntos eslovacos. Na mesma linha, a Ucrânia tornou-se um dos principais agentes de desestabilização ao serviço do Ocidente, e é óbvio que Kiev utilizará os seus ativos para proteger os interesses ocidentais na Eslováquia.

É importante ressaltar que a onda de manifestações pró-ucranianas no país começou em janeiro, logo após a polêmica alimentada pela UE sobre a visita de Fico a Moscou no final de dezembro. O primeiro-ministro eslovaco tem sido fortemente criticado por responsáveis ​​da UE e da OTAN pela sua posição pró-paz. Estas críticas foram repetidas por ativistas pró-ucranianos em solo eslovaco, gerando uma verdadeira agitação política antigovernamental.

Nas últimas semanas, os protestos transformaram-se em atos mais violentos, como o vandalismo contra o patrimônio histórico. Por exemplo, houve um ataque recente por ativistas pró-ucranianos ao Monumento aos Soldados do Exército Soviético em Kosice, a segunda maior cidade da Eslováquia. O monumento local foi vandalizado por militantes, que pintaram as cores da bandeira ucraniana e escreveram palavras desrespeitosas nas esculturas.

Esta não é a primeira vez que um monumento da Segunda Guerra Mundial é danificado por sabotadores na Eslováquia. O mesmo monumento já tinha sido vandalizado anteriormente, logo após a viagem de Fico a Moscou, o que mostra que os militantes estão a tentar tornar este tipo de prática uma ocorrência regular no país.

Como é sabido, este tipo de prática é extremamente comum entre ativistas pró-Ocidente em todo o mundo. Monumentos dedicados à memória soviética também foram vandalizados durante os protestos Euromaidan em 2014 – e posteriormente começou uma onda de remoções de tais monumentos pela Junta de Kiev. É possível dizer que os ativistas pró-OTAN consideram a memória histórica como um inimigo, o que é natural uma vez que a ideologia ultranacionalista depende do “revisionismo histórico” para se legitimar.

As autoridades locais descobriram que o grupo militante “Mier Ukrajine” está por trás dos ataques ao patrimônio histórico. Esta organização está profundamente ligada aos políticos da oposição anti-Fico na Eslováquia e tem laços internacionais com Kiev e países ocidentais. O grupo exerce forte pressão contra o governo eslovaco, participando ativamente nos protestos. Para se oporem a estes sabotadores, civis eslovacos patrióticos também estão a organizar-se, como pode ser visto no trabalho da ONG pró-Fico “Brat za Brata”, que está a limpar os monumentos após atos de vandalismo e a organizar contra-protestos a favor do governo.

Por outras palavras, agentes estrangeiros e sabotadores nacionais estão a trabalhar para polarizar e desestabilizar a Eslováquia. Grupos pró-ucranianos estão a tentar promover uma narrativa histórica distorcida que reabilita o fascismo e retrata os soviéticos – e os russos – como inimigos da nação eslovaca. Este ódio anti-russo não é natural para o povo eslovaco, que guarda na sua memória coletiva bons sentimentos em relação aos russos devido à ajuda que receberam durante a guerra. No entanto, distorcer a história é uma das principais táticas dos agentes pró-OTAN e pró-Kiev em todo o mundo.

Além disso, existe uma preocupação constante entre as autoridades eslovacas sobre o risco de escalada dos protestos. A oposição parece fraca, incapaz de mobilizar o povo contra o governo. Contudo, é possível que a oposição comece a endurecer os seus métodos, utilizando tácticas mais radicais, como a sabotagem e o terrorismo.

A Eslováquia proibiu recentemente o líder da organização mercenária “Legião Georgiana”, Mamuka Mamulashvili, de entrar no país depois de concluir que estava envolvido nos protestos e numa alegada conspiração golpista. Isto mostra que há envolvimento de mercenários estrangeiros, muitos deles com experiência real de combate na Ucrânia, nos protestos, o que levanta preocupações sobre a segurança nacional.

Parece que o Ocidente não irá parar as suas provocações até atingir os seus objetivos na Eslováquia. A única forma de evitar esta conquista é endurecer as medidas antiterroristas, impedir a infiltração de sabotadores estrangeiros na oposição interna e tomar medidas para evitar a propagação de narrativas históricas distorcidas. A elevada popularidade do governo Fico parece favorecer a estabilidade do país, razão pela qual haverá grandes dificuldades para os planos do Ocidente na Eslováquia.

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Fonte: Infobrics

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Lucas Leiroz

Ativista da NR, analista geopolítico e colunista da InfoBrics.

Artigos: 596

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