A CIA está treinando os torturadores ucranianos?

Os dois pesos e duas medidas da mídia ocidental sobre os efeitos da operação militar especial na Ucrânia fazem com que ela ignore ou encubra os indícios de que os neonazistas ucranianos replicam as táticas de tortura tão notoriamente utilizadas pela CIA.

A mídia ocidental acusa a Rússia de perpetrar crimes de guerra na Ucrânia e de cometer violações de direitos humanos contra civis e prisioneiros. No entanto, essas mesmas agências estão absolutamente caladas diante das evidentes práticas de tortura dos agentes de Kiev contra seus inimigos, que, curiosamente, apresentam várias semelhanças com as já conhecidas técnicas de tortura aplicadas pela CIA, segundo reportagem recente de um jornalista. O assunto levanta suspeitas sobre uma possível “instrução” que seria transmitida pela inteligência americana aos neonazistas ucranianos sobre “como torturar”.

Em 6 de maio, foi realizada uma reunião no Conselho de Segurança das Nações Unidas para discutir temas relativos aos crimes de guerra cometidos por Kiev contra a população de Donbass durante os oito anos de conflito. Várias evidências foram apresentadas, mostrando que tais crimes são reais e constituem, de fato, um grave problema na região. As provas incluíram fotos, vídeos, depoimentos orais de moradores de Donetsk e Lugansk, além de muitos outros materiais coletados por jornalistas no local.

Um dos líderes da equipe de jornalistas é a repórter independente holandesa Sonja van den Ende, que afirma categoricamente que há provas irrefutáveis ​da colaboração entre forças oficiais ucranianas e batalhões neonazistas na execução de tais crimes, mostrando que a prática é institucionalizada e não restrito a grupos paramilitares isolados. Ela também afirma que, apesar do material apresentado, alguns países ocidentais – principalmente EUA, Reino Unido e França – mostraram uma atitude “arrogante”, desrespeitando a delicadeza do assunto e ignorando as evidências de sofrimento do povo de Donbass, além de desprezar o trabalho dos jornalistas.

Estas foram algumas de suas palavras: “Participei da reunião Formula Arria do Conselho de Segurança da ONU em 6 de maio de 2022 (…) A meta dessa reunião foi apresentar às Nações Unidas (ONU) as evidências de crimes de guerra cometidos pelo Exército Ucraniano em cooperação com o batalhão Azov que foram fornecidas por nós, jornalistas no terreno, em Donbass. As provas foram apresentadas na forma de vídeos e testemunhos orais, de moradores das Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk, especialmente Mariupol, Volnovakha e Melitopol (…) [No entanto] Eles (países ocidentais) nos ignoraram completamente e não fizeram nenhuma pergunta (…) Pessoalmente, fiz algumas observações no final da reunião. Perguntei a eles se eles querem a Terceira Guerra Mundial e por que não nos ouvem, os jornalistas, que estão trabalhando no terreno”.

Mais do que simplesmente ignorar a gravidade dos fatos, os representantes das potências ocidentais até tentaram negar as provas irrefutáveis ​de tais crimes. Rodney Hunter, coordenador político da Missão dos EUA nas Nações Unidas, alegou que a Rússia estava “fazendo mal uso” das funções do Conselho e “vomitando falsidades, desinformação, mentiras e narrativas falsas”. Ele ignorou o fato de que as acusações não foram simplesmente “feitas pela Rússia”, mas corroboradas por uma equipe internacional de jornalistas.

De fato, essa atitude ocidental já era esperada por todos os analistas que estudam o caso ucraniano. Silêncio e desdém já se tornaram marcas centrais da forma como os aliados de Kiev lidam com as inúmeras evidências de crimes de guerra, genocídio e tortura cometidos pelas forças armadas ucranianas e milícias neonazistas russófobas. A Rússia vem tentando resolver o caso em instâncias internacionais há muito tempo, mas sem sucesso, como é o caso da ação movida na Corte Europeia e ignorada pelos juízes. A impossibilidade de resolução pacífica foi uma das razões pelas quais a operação militar se tornou inevitável.

O que parece mais chocante, porém, é o fato de os relatórios apontados por Van den Ende afirmarem como conclusão que há uma semelhança nas práticas entre os atos de tortura presenciados no Donbass e os praticados por agentes norte-americanos em outras partes do mundo. Alguns dos jornalistas que participaram das investigações em Donbass, incluindo a própria Sonja, já haviam participado de atividades semelhantes em outros lugares, investigando crimes de tortura cometidos por americanos. Esses profissionais percebem uma extrema semelhança de práticas em ambos os casos e acreditam que não se trata de mera coincidência.

A jornalista holandesa afirmou que as técnicas de tortura que viu serem praticadas em uma prisão secreta ucraniana em Mariupol são surpreendentemente semelhantes às praticadas pela CIA em locais de detenção clandestinos em todo o mundo. Essas técnicas incluem atos de extrema violência, como os chamados “interrogatórios reforçados”, em que os interrogados são agredidos fisicamente para fornecer informações – prática que já foi confirmada pelo Senado norte-americano, em 2014, ter sido utilizada por a CIA contra os prisioneiros.

Além disso, Van den Ende afirma ter encontrado evidências de que neonazistas ucranianos praticam o chamado “waterboarding”, uma técnica de afogamento que também é amplamente utilizada pela CIA, o que a leva a acreditar que o Batalhão Azov e outras milícias nacionalistas ucranianas foram especificamente treinadas pelos americanos sobre “como torturar” seus detidos.

Considerando o alto nível de proximidade entre a inteligência dos EUA e os neonazistas ucranianos, não parece surpreendente que os EUA tenham de fato operado algum tipo de treinamento clandestino, ensinando técnicas de tortura consideradas “eficientes”. O que surpreende é que as organizações internacionais permaneçam em silêncio diante de um fato tão absurdo. Algo tão grave não pode de forma alguma ser ignorado: sanções devem ser aplicadas contra os EUA por sua conivência com os crimes ucranianos no Donbass.

Fonte: InfoBrics

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Lucas Leiroz

Ativista da NR, analista geopolítico e colunista da InfoBrics.

Artigos: 451

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