Pelo fim do feminismo e a afirmação da mulher

A igualdade perseguida pelo feminismo, herdada do iluminismo, tem se efetuado ou como igualdade na exploração capitalista, ou como falsa igualdade — nos pontos onde se devia reconhecer a diferença e exigir uma igualdade em dignidade perante esta.

O apagamento forçado das diferenças é nada menos que o projeto liberal individualista atingindo o gênero. Pretende-se que a pessoa humana mulher se rebaixe ao status de indivíduo consumidor, desenraizado, potencial qualquer coisa que não é coisa alguma.

Para que se faça uma defesa real dos interesses da mulher, baseada nas premissas corretas (antiliberais e antimodernas) é preciso que, em primeiro lugar, se valorize as diferenças e papéis cultivados por inúmeras gerações de mulheres dentro das diversas culturas e que se baseiem as lutas nos critérios de justiça, reconhecimento e preservação de uma comunidade, além da própria ideia de futuro que esta tem para si mesma. Ou seja, a argumentação deve ir das categorias coletivas, das quais a mulher é integrante vital, para as pessoais.

As feministas “de esquerda” já se perderam nisso há um tempo. A classe, que devia estar no centro para os marxistas, tensiona com e tem perdido espaço para o indivíduo entre as feministas marxistas, empurrando-as e a seus correligionários para a PTP. Com a adesão da maior parte da dita esquerda à ideologia de gênero, esse processo se conclui. Não só as feministas marxistas não sabem mais como situar a causa feminina na luta de classes, elas não podem mais definir o que é feminino.

As feministas radicais perceberam as incongruências gritantes e o perigo real na ideia de gêneros baseados na imaginação e na autodeclaração. Elas passaram a definir a mulher, a partir daí, como “fêmea de ser humano” e usar o critério biológico como principal. Porém, as feministas radicais ainda negam todas as demais diferenças entre homens e mulheres. Elas afirmam, por exemplo, que não há algo como instinto materno ou diferenças de aptidões entre os sexos – tudo isso seria fruto dos “estereótipos de gênero”, construções feitas sobre o sexo ao longo da existência milenar do Patriarcado, para oprimir e se aproveitar das capacidades (especialmente as reprodutivas) das mulheres. A solução: uma lendária sociedade de “gênero neutro” ou sem gênero, na qual o sexo biológico não signifique mais nada.

Qual a diferença, então, da sociedade de gênero neutro e da sociedade com zilhões de gêneros na qual ninguém conhece todos? Tanto em uma, quanto na outra, perder-se-iam a mulher e o homem. Como se poderia defender os interesses femininos onde não há mais feminino?

Já faz um tempo que não sabemos mais se a pessoa andrógina com quem estamos dividindo um banheiro público é homem ou mulher, e isso aconteceu graças à destruição dos “estereótipos de gênero” defendida pelas feministas (quase todas). Como vocês, feministas radicais, pretendem manter a separação de banheiros por sexo, na prática, quando os gêneros estiverem finalmente abolidos? Vão checar os “documentos” na entrada?

Além disso, a medicina moderna têm se esforçado por anular justamente as diferenças sexuais que vocês clamam ser a razão primordial da nossa opressão. A atração sexual (inclusive a natural e saudável) dos homens por corpos (biologicamente) femininos, num mundo idealizado por liberais entusiastas do transumanismo, seria resolvida com robôs e “neomulheres” que os emulem perfeitamente. A necessidade de reprodução seria resolvida por úteros artificiais. Então, vocês, feministas radicais, são contra ou a favor da moderna indústria médica que almeja isso? Se são contra, vocês vão precisar se apoiar em algo mais do que a materialidade e a biologia.

Se são a favor, cedam logo à ideologia de gênero, pois vocês são tão contrárias à mulher quanto eles. Porque a mulher NÃO É SÓ materialidade e biologia. A mulher é essência.

Quem defende a mulher não pode rechaçar todas as construções culturais, sociais e percepções espirituais em torno do sexo feminino que foram elaboradas ao longo de um tempo imemorável, não pelo “Patriarcado”, mas por inúmeras MULHERES, que não podem ser simplesmente subestimadas como tolas submissas.

Portanto, irmãs feministas que realmente amam ser mulheres e querem o bem do nosso sexo (e gênero) e dos povos do mundo, unam-se pela defesa do que realmente somos: Tornem-se antifeministas! O feminismo começou e se estruturou sobre mentiras, e assumir os erros é demonstração de coragem.

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Amarílis Rezende

Fundadora do Mátria e da Nova Resistência em São Paulo, mãe, bacharel e licenciada em História pela USP.

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