A polêmica revisionista e as narrativas hegemônicas

Os judeus, de modo geral, sofreram bastante durante a Segunda Guerra Mundial. Mas eles não foram os únicos. O tratamento particular dado ao “Holocausto”, as inconsistências historiográficas da narrativa, a vista grossa para outras violências tão cruéis ou piores, assim como a profunda resistência a qualquer disputa narrativa, sugerem fragilidades e inseguranças. Philip Giraldi nos aprofunda nessa questão e suas ocorrências contemporâneas.

Por Philip Giraldi

Recentemente, uma autoridade educacional no estado do Texas recebeu forte represália ao afirmar que se as escolas aderirem à uma nova lei estadual que exige o ensino de pontos de vista alternativos sobre assuntos controversos, como o Holocausto, por exemplo, isso sugeriria o fornecimento de materiais que refletem diferentes interpretações de eventos históricos. O comentário veio da administradora de um distrito escolar do Texas, Gina Peddy, no Distrito Escolar Independente Carrollton em Southlake, na região de Dallas-Fort Worth, durante uma sessão de treinamento em que explicava aos professores sua diretiva em relação à disponibilidade de livros nas bibliotecas de classe. Ela disse aos professores que se eles possuem livros sobre o Holocausto em suas salas, eles também deveria ter livros que oferecem visões “opostas” ou “diversas” sobre o assunto.

Há indicação de que um membro da equipe presente secretamente gravou um áudio do treinamento e divulgou tudo para a NBC News, que jogou a história no ar.

A lei do Textas tem se posicionado para diminuir os efeitos da campanha “woke” de professores progressistas interessados em reescrever a história americana e internacional para refletir o seu lado sombrio, notavelmente enfatizando questões como a escravidão e a opressão das minorias. Legisladores texanos insistem, com razão, que apresentar uma visão essencialmente negativa da história americana como proposto pela Teoria Racial Crítica deve ser balanceado com um currículo que também inclua discussões sobre os inúmeros pontos positivos e realizações dos EUA. Na gravação, Peddy, a diretora executiva de currículo e instrução do distrito, disse aos professores que a nova lei se aplica a qualquer questão “amplamente debatida ou atualmente controversa”. Ela é citada dizendo para “garantirem que se há um livro sobre Holocausto, que haja também um que se oponha a ele, ou dê outras perspectivas.”

Previsivelmente, tratando de um assunto tão quente, Peddy não recebeu qualquer apoio de seus pares, sejam locais ou do establishment educacional. O Superintendente do distrito, Lane Ledbetter, postou em seu facebook um “pedido de desculpas em relação ao artigo online e as notícias.” Ele disse que os comentários de Peddy “não interpretavam o Holocausto como qualquer coisa além de um evento terrível. Além disso, reconhecemos que não existem dois lados sobre o Holocausto. Também entendemos que essa lei não requer visões de oposição aos fatos históricos.”

Clay Robinson, um porta-voz da Associação de Professores Estaduais do Texas, respondeu que “Consideramos repreensível que um educador exija igual tratamento para um negacionista do Holocausto sobre os fatos da história. Isso é um absurdo. É pior que absurdo. A lei não pede isso.” O senador republicano Bryan Hughes, que redigiu a lei, negou que qualquer pessoa devesse propor visões alternativas sobre questões que ele afirma serem do “bem e do mal”, ou remover livros que ofereçam apenas uma visão do Holocausto.

Judeus do distrito de Peddy e em outras localidades do Texas e dos EUA inevitavelmente levantaram suas vozes, denunciando qualquer tentativa de desafiar o que percebem como uma questão fundamental para seu entendimento de pertencimento ao mundo e a história. Um ex-estudante judeu, Jake Berman, afirmou que “O fato é que não existem dois lados sobre o Holocausto. Os nazistas sistematicamente assassinaram milhões de pessoas.”

Ledbetter, Robison e Hughes talvez devessem consideram que sugerem uma nova lei aplicável somente a questões “controversas” raciais, e não referentes a outros desenvolvimentos históricos, e é curioso que pessoas educadas devam considerar como fato um evento histórico transnacional multifacetado que possui, entre outras coisas, um contexto altamente politizado. A narrativa do Holocausto em si é a criação de homens e mulher após o fato, com uma intenção clara de justificara a criação e apoio de Israel, e deve estar sujeita ao mesmo questionamento de qualquer outra faceta da Segunda Guerra Mundial e o que veio depois dela.

O Holocausto é essencialmente composto de um pedaço da história que serve um objetivo político, envolto no que aparenta ser um forte argumento sobre a inumanidade do homem para com os outros homens. Grosso modo, grupos judeus consideram a narrativa principal de seis milhões de mortos, câmaras de gás, campos de extermínio e sabão feito de corpos como algo “sagrado”, como memorabilia da singularidade do sofrimento judeu. Estudiosos mais sérios que observaram a narrativa e os números, assim como a sequência dos eventos, não surpreendentemente tornaram-se céticos sobre muitos detalhes.

Um primeiro passo importante seria lidar com o controverso e cuidadosamente documentado escrito do professor Norman Finkelstein, The Holocaust Industry: Reflection on the Exploitation of Jewish Suffering. Finkelstein certamente acredita que houve um genocídio de judeus europeus e até perdeu familiares no evento. No entanto, ele não necessariamente acredita em muitos dos detalhes oferecidos pela narrativa comum e pelos promotores oficias dela, que incluem numerosos museus do Holocausto. Em sua visão, poderosos interesses sequestraram o Holocausto e usam-no para atingir mais profundamente seus objetivos. Ele escreve que uma “Judaização organizada explora o holocausto nazista para defletir críticas a Israel e suas próprias políticas indefensáveis. O genocídio nazista é usado para justificar políticas criminosas do estado israelense e o apoio dos EUA a essas políticas.”

Também existe uma questão financeira. Segundo Finkelstein, organizações judaicas nos EUA também exploram a situação do diminuto número de sobreviventes do Holocausto que extorquem “quantias absurdas de dinheiro do resto do mundo. Isso não é feito apenas para o benefício de sobreviventes necessitados, mas para a vantagem financeira dessas organizações.”

Como cursos sobre o Holocausto são obrigatórios no sistema público de vinte estados e são usados para validar bilhões de dólares dos contribuintes que são dados anualmente para o estado de Israel, parece que os apoiadores da narrativa principal deveriam ter confiança e integridade suficientes para defender sua posição. Mas esse não é o caso. Eles preferem uma narrativa não desafiada, usando o “antissemitismo” e “negacionismo” para calar críticos. Um dos livros “didáticos” frequentemente usado nas escolas públicas é Night, de Elie Wiesel, que Finkelstein nomeia como a “maior mascate do holocausto.” “Night” afirma ser autobiográfico, mas está repleta de erros temporais e espaciais. É, pelo menos em parte, ficção. Isso remete à notória disputa sobre aspectos do “Diário de Anne Frank” e sua legitimidade.

Como regra geral, assuntos polêmicos onde os advogados da causa tentam silenciar a oposição ao reivindicar a impossibilidade de “questionamento”, devem ser questionados. Na Europa, já existem locais onde é ilegal criticar qualquer aspecto da narrativa do Holocausto. Nos EUA, esse dia pode estar próximo, assim como o que se refere a qualquer crítica a Israel.

Fonte: The Unz Review
Tradução: Augusto Fleck

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