1. Pátria:

A questão de primeira ordem para a emancipação dos povos oprimidos de nosso país é o fortalecimento do Brasil enquanto Pátria. A principal contradição de nossa época é entre Libertação x Neocolonialismo, Soberania x Dependência. Por essa razão magma, somos, antes de tudo, patriotas. No entanto, nosso patriotismo se divide em três níveis: Pátria carnal (regional ou étnico-orgânica); Pátria histórica (Brasil) e Pátria civilizacional (América Latina). A emancipação dos povos oprimidos clama pelo reconhecimento de suas forças motrizes identitárias, pelo fortalecimento do Estado brasileiro contra o imperialismo e pela cooperação unificada com nossos irmãos oprimidos latino-americanos.

2. Classe:

Nossa luta é de classe. Somos nós contra eles. Somos nós, trabalhadores, contra os expropriadores e exploradores. Somos nós, o Povo, contra os parasitas. Somos nós, patriotas, contra os saqueadores da Pátria. Os povos só podem alcançar à libertação através da destruição da organização capitalista do mundo, das relações burguesas de produção e através da tomada do poder pelo Povo. “É necessário, a qualquer custo, extrair da classe trabalhadora lutadores patriotas e revolucionários” (Ramiro Ledesma).

3. Trabalhismo e Distributismo:

Trabalhismo, em sua concepção brizolista, significa à ampliação progressiva da participação dos trabalhadores na riqueza nacional. Distributismo, a doutrina econômica de matriz católica que prevê que os meios de produção sejam o mais amplamente distribuídos e entregues para o controle direto do Povo. Convergindo, ambas as doutrinas servem de plataforma para o tipo de socialismo que advogamos: os trabalhadores devem participar e, mais do que isso, devem forjar o destino histórico da Pátria na medida em que os meios de produção vão sendo possuídos por eles (via cooperativas, autarquias familiares, conselhos autogestionários, comitês populares, unidades produtivas comunitárias, etc.). Isso é socialismo e socialismo patriótico!

4. Nacionalismo internacionalista:

O maior aliado do nacionalismo é o internacionalismo. “Ajuda, apoio e aliança mútuos entre países e nações: isso é internacionalismo” (Kim Jong Il). Entendendo o internacionalismo como a cooperação internacional entre Pátrias, concluímos que não há contradição necessária entre nacionalismo e internacionalismo. Pelo contrário. O nacionalismo que não opera em conjunto é fracassado, ao passo que o internacionalismo que desfigura as nacionalidades é ilegítimo.

5. Municipalismo:

O atuação dos municípios deve ser ampliada. Vereadores devem ser substituídos por conselhos municipais de base e por comitês populares. “Não há democracia sem congressos populares e comitês populares por toda a parte” (Muammar Gaddafi). Os municípios, esfera das relações cotidianas mais imediatas dos cidadãos, devem ter relativa autonomia para se autogovernarem, obedecendo algum grau de hierarquia em relação à estrutura mais ampla do país.

6. Etnopluralismo e pan-identitarismo:

Assim como é verdade que os trabalhadores têm Pátria, também é verdade que os trabalhadores têm identidade (étnico-racial). Organizações revolucionárias do passado reconheceram isso e nós também reconhecemos. Assim, defendemos que gaúchos, indígenas, quilombolas, caipiras, açorianos, ítalo-brasileiros, bem como todas as coletividades étnicas brasileiras, tenham autonomia para se governarem segundo os seus próprios critérios e valores comunitários e tradicionais de base.

7. Tradicionalismo:

Os valores tradicionais do Povo são intrinsecamente superiores aos valores burgueses e pós-modernos. “Sei, por experiência e pela história humana, que tudo que é essencial e grande somente pôde surgir quando o homem tinha uma Pátria e estava enraizado em uma Tradição” (Martin Heidegger). As tradições orgânicas dos povos, da tradição ibero-católica as tradições ameríndias, europeias, bem como as de matriz africana, devem ser a base espiritual do socialismo patriótico no Brasil.