Como a Elite projeta o “Cidadão Global” do Futuro: Um Retrato da “Utopia” Globalista do Novo Normal

Isolados, enjaulados, sem identidade, cultura, raízes ou família. É assim que nos quer a elite cosmopolita. E é isso que ela nos projeta como ideal em suas publicações culturais, como a capa da edição dessa semana do importante semanário estadunidense The New Yorker. É a distopia do “Novo Normal” apresentada como utopia por milionários e bilionários que vivem em palácios. O ser humano reduzido ao estado de formiga.

A capa da revista The New Yorker, datada de 7 de dezembro de 2020, nos dá uma imagem perfeita dos humanos que as elites querem ver florescer no Ocidente. É a versão mais lucrativa do consumidor-produtor que eles querem viver nas megalópoles (como Nova Iorque) da Europa, Américas e partes de outros continentes.

Vamos analisar: vemos em uma sala alguém sentado na frente de um computador portátil.

  • Em primeiro lugar, vemos uma desordem absoluta: objetos espalhados no chão, armários abertos, louça não lavada, caixas de papelão vazias, garrafas de hidrogel, luvas e máscaras descartáveis… Uma pessoa sem senso de orgulho e dignidade que trata sua própria casa como uma pocilga.
  • À esquerda, abaixo, vemos caixas da Amazon. Trata-se de alguém que compra on-line, possivelmente de forma compulsiva e emocional, e que despreza o produto da proximidade, não se importa e tampouco está interessado na poluição gerada ou nas condições de escravidão dos fabricantes.
  • Ela tem não um, mas dois gatos. Sendo o gato (e mais no plural) o símbolo do solteirão ou solteirona, já que uma família geralmente distrai o humano de consumir e gastar dinheiro, dedicando tempo e dinheiro para cuidar de seus entes queridos. Um ser isolado é mais fácil de manipular, controlar e subjugar.
  • Papéis, uma sacola, um diário, um café do Starbucks ou similar, um grande saco de lixo repleto de porcaria, comida de gato e um rolo de papel higiênico no chão. Sinais de solidão e de ter que ganhar a vida em empregos precários (correria, acumulação, negligência).
  • Alguns pesos para fazer ginástica, já que ela mal tem tempo para se exercitar fora de casa ou ao ar livre.
  • À direita da imagem vemos uma tela que separa este “escritório” do quarto ou, melhor dizendo, do espaço onde se encontra a cama. Certamente as três peças, cama, mesa e cozinha são todo o espaço vital (felizmente não vemos o lavabo) que um humano sem família e enjaulado como um rato precisa. Na cama, é claro, mais desordem.
  • Sobre a cama, arte abstrata. Provavelmente comprada na Ikea ou similar. Assim como a cadeira e a mesa, de estilo absolutamente impessoal.
  • Em cima da mesa vemos caixas de comida preparada de um restaurante provavelmente asiático. Este humano não tem tempo, nem desejo, nem conhecimento para fazer sua própria comida. Nem para lavar a louça (Observe na parte superior da cozinha um robô: o gadget dos ignorantes e preguiçosos).
  • Há dois frascos que se parecem com medicamentos. Provavelmente são medicamentos anti-ansiedade ou antidepressivos, já que tal estilo de vida não pode senão desembocar em pensamentos autodestrutivos ou suicidas.
  • Em cima de uma pilha de livros está o laptop: um símbolo claro da vitória do digital sobre o analógico, do meme sobre o reflexo, da emoção sobre o intelecto. Não pense, compartilhe frases de auto-ajuda. Esses livros não são mais lidos.
  • Em cima da geladeira, algumas garrafas vazias esperando pela reciclagem sagrada depois da bebedeira noturna. Logo é hora de tomar pílulas para seguir levando o resto da existência.
  • Finalmente chegamos ao humano modelo: é de raça indefinida, embora pareça perfeitamente mestiça. É do sexo feminino, pelo menos na aparência. Sua blusa e suas calças causariam vergonha a qualquer senhora. Ela usa brincos de choni e seus chinelos são os mais horríveis que ela encontrou na Bershka. Jovem, portanto moldável: sem gosto, sem critério, ela presta atenção ao que lhe é dito pelas plataformas televisivas e pela moda, seja o que for.
  • Em uma mão ela carrega um smartphone, certamente falando com uma amiga sua e não precisamente sobre o declínio da filosofia ocidental. No outro, um copo de vermute, com uma azeitona incluída. Deve estar bebendo isso porque lhe disseram que é a última tendência, certamente ele nem mesmo gosta.
  • Pernas sem depilar. É evidente sua pouca perspectiva de sexo heterossexual ou qualquer outro, sua preguiça e sua falta de auto-estima, que neste caso, são promovidas através de grandes meios de comunicação como o próprio The New Yorker. Você sempre mostra o que deseja promover.

É assim que eles nos querem: com aquele sorriso permanentemente no rosto enquanto fazemos uma chamada de vídeo e ficamos isolados em nosso pequeno mundo, enquanto a elite vive em palácios, viaja, se reúne e organiza o planeta como seu formigueiro particular.

Jordi Garriga

Colaborador em diversos meios de comunicação espanhóis e de outros países como autor, tradutor e organizador. Ensaísta, publicou vários livros sobre assuntos históricos, políticos e filosóficos. Tem sido militante e político nas Juntas Espanholas e no Movimento Social Republicano.

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