Dugin: “O coronavírus bugou o sistema. Tanto globalistas como nacionalistas podem tirar proveito”

Sobre o coronavírus, mais uma vez:

1) ou antes não houve coronavírus (e então não há agora);

2) ou então houve (e então ele ainda está aqui).

Não há terceira opção. Uma coisa é certa: se existiu coronavírus, então ele não foi vencido. Se ele não existiu, então não há o que vencer.

Na minha opinião, ele existiu e existe. E, aparentemente, seguirá havendo – talvez por um bom tempo.

As estatísticas, como sempre, são manipuladas por certas forças políticas, de acordo com seus próprios interesses. E hoje, me parece, essas forças não sabem bem em qual direção manipular.

O fato é que o coronavírus como fenômeno social não traz benefícios inequívocos ou danos inequívocos para nenhum dos dois principais “lados” antagonistas no mundo hoje – nem pra globalistas nem populistas (chamo de “populistas” aqui aqueles que defendem soberania nacional). Os globalistas se alegram com a possibilidade de codificação em chip para toda a população e vigilância universal levada a cabo pela Microsoft e outras estruturas, bem como se alegram com a possibilidade de vacinação universal e a crescente importância da Organização Mundial da Saúde (OMS). Porém, os governos nacionais, por outro lado, podem assumir o controle da situação e instaurarem ditaduras eles próprios (é o que está acontecendo, por exemplo, na China). Além disso, o fechamento dos países fortalece as condições para uma multipolaridade – e isso cai como uma luva para nacionalistas e populistas. Os regimes nacionais podem, usando o pretexto do coronavírus, implementar alguns elementos de ditadura. Contudo, eles não sabem como lidar com o colapso da economia e uma população brutalizada.

Estamos diante de uma situação interessante: sim, é verdade que as autoridades estão manipulando as estatísticas, mas as próprias autoridades não compreendem muito bem qual deve ser o objetivo da manipulação (em qual direção) – seja no sentido de construir a narrativa de que “acabou o coronavírus” ou no sentido de que “ele ainda está aí”. Isso significa que os dados ou são superestimados ou, pelo contrário, são subestimados…. Às vezes acontecem as duas coisas ao mesmo tempo.

Isso é dissonância cognitiva.

O Sistema “bugou”.

Aleksandr Dugin

Filósofo e cientista político, ex-docente da Universidade Estatal de Moscou, formulador das chamadas Quarta Teoria Política e Teoria do Mundo Multipolar, é um dos principais nomes da escola moderna de geopolítica russa e um dos mais importantes pensadores de nosso tempo.

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