Diego Fusaro – A Black Friday é o Ápice da Alienação Humana

Filas imensas de pessoas em todas as lojas, se espremando para adquirir produtos desnecessários e descartáveis por descontos irrisórios ou simplesmente fraudulentos. Não raro, a disputa por quinquilharias chega a resultar em brigas e mortes. O filósofo italiano Diego Fusaro fala sobre esse circo pós-moderno e dá seu diagnóstico: trata-se de uma imbecilização massificante celebrada euforicamente por escravos que amam os próprios grilhões.

Eis que chega, então, a Black Friday e se impõe como novo culto obrigatório, como nova festa a ser celebrada com obséquio e respeito, em nome do consumo e daqueles mercados que, substituindo o deus dos céus, se “enervam” e nos impõem sua inescrutável vontade, às vezes nos pedindo sacrifícios humanos (hecatombes de trabalhadores e pequenos empreendedores). Com uma euforia idiota e um entusiasmo superficial, celebramos a Black Friday – o ápice da alienação – e nos incomodamos onde ainda existe o presépio. Abandonamos o Deus dos céus para nos convertermos, com alma e coração, ao deus imanente dos mercados financeiros especulativos.

Suspendam por um momento o vosso agir, o vosso consumir compulsivo, o vosso alegre livre-cambiar: perguntem-se o que estão fazendo. Compreenderão, talvez, que a Black Friday a que aderiram com entusiasmo é uma ofensa à vossa inteligência e à vossa humanidade, à vossa identidade e à vossa cultura. Se quiserem realmente exagerar, perguntem-se também onde acabam os rastros das mercadorias que, copiosamente, o ritual estritamente anglófono (os mercados falam sempre inglês) da Black Friday nos impõe, com manipulação organizada, a comprar.

Descobrirão que aqueles rastros terminam muitas vezes no sangue de trabalhadores superexplorados na Índia ou noutras zonas do planeta que o capital escolheu tratar como meras periferias (mas cada vez mais o próprio Ocidente está se rebaixando, no que concerne o trabalho, a uma colônia entre tantas outras!). Bem, pensem antes de agir. Para poderem ser cabeças e não apenas ovelhas do rebanho cosmopolita dos consumidores anônimos. Às quais se encaixam bem as palavras dos Textos Sagrados: Fazem-no, mas não sabem por que o fazem.

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