A política internacional caminha para a multipolaridade

Donald Trump exerce uma política externa heterodoxa, combinando ações baseadas em realismo, neoconservadorismo e isolacionismo. Ao contrário dos democratas, que desejavam organizar a ordem econômica por meio do multilateralismo, em instituições internacionais, Trump busca prezar pela balança comercial favorável em acordos bilaterais.

O outro polo de poder ocidental exerce uma realpolitik baseada na valorização do Euro, centrado na administração da União Europeia pelas mãos de Angela Merkel e Emmanuel Macron: o objetivo é envolver o bloco europeu em acordos multilaterais dentro e fora do continente, numa política baseada no consumo de matérias primas. Devido a questões logísticas ligadas a moeda e transportes, Rússia e Irã entram no conjunto dos interesses comerciais europeus.

A Europa, que se desindustrializou nos termos da indústria pesada, mantém a indústria leve em contínuo progresso, em especial a Alemanha: as sanções elaboradas pela Europa contra a Rússia só servem ao Parlamento Europeu, não à população europeia: trabalhadores e pequenos empresários europeus já reclamam do encarecimento dos insumos de produção russos, país que possui um mercado de exportações para a Europa.

A progressiva eleição de candidaturas nacionalistas na Europa não acontece apenas por questões filosóficas, mas por necessidades materiais, quais sejam: a de sobreviver em meio ao encarecimento do custo de vida pós-crise de 2008. Por esse motivo, progressivamente, a Europa, ainda que presa institucionalmente desde 1948 aos Estados Unidos, processualmente, por razões eleitorais e de sobrevivência, aproximam-se dos polos antagônicos aos Estados Unidos: Rússia e Irã – o que pode equilibrar a balança de poder a nível mundial.

Paralelamente, Lord Rothschild, um dos principais banqueiros e oligarcas do globo, descreve os tempos atuais como “inseguros”, atribuindo tal caracterização, entre outras coisas, ao crescimento do Populismo na Europa e à diplomacia nuclear da Coreia do Norte, deixando bem claro que todas esses fatores-de-convulsão na geopolítica estão conectados e afetam diretamente o coração do globalismo.

Estamos testemunhando em primeira mão os sinais dos tempos, isto é, as pequenas fissuras na represa atlantista. Que nossos olhos possam testemunhar a queda total do Sistema.

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