Contra-hegemonia e guerra da informação: editorial do jornal independente Fort Russ:

Fort Russ é um veículo de mídia independente, comprometido com a causa dos povos e com a criação de um mundo multipolar a policêntrico.

Sua cobertura especializada vai de notícias em primeira mão sobre os acontecimentos no leste ucraniano à reportagens e análises político-jornalísticas sobre países como Síria, Líbano, Iraque, etc.

Seu editor chefe, o nosso camarada Joaquin Flores, é também fundador e diretor do think tank quarto-teórico Center for Syncretic Studies, ativista político com anos de bagagem na luta sindical e trabalhista (quando era residente dos EUA, atuou durante vários anos junto ao SEIU, na Califórnia) e coordenador geral da NR na Europa, já tendo aparecido em diversas ocasiões em canais como o Press TV (Irã) e RT (Rússia), com o status de especialista, para analisar eventos geopolíticos de relevância global.

Neste editorial, Flores aborda as difíceis e pertinentes questões inerentes ao fazer-jornalismo-contra-hegemônico em um mundo cujas principais mídias de difusão estão nas mãos do Inimigo. Fala também das várias táticas de sabotagem das elites parasitárias contra as “vozes de resistência” (como o Fort Russ e a NR), que vão do bloqueio virtual ao envio de agentes para a criação de caos in loco, eventualmente ligados a esquemas ocultos e subterrâneos.

Registramos o nosso total apoio aos incansáveis esforços da equipe do Fort Russ, da qual o nosso camarada Paul Antonopoulos também faz parte.

Para frente sempre, nunca para trás!

O edital original pode ser lido aqui.

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Queridos leitores e apoiadores do Fort Russ,

Tem sido uma longa jornada! Quero usar este momento para agradecê-los pelo suporte contínuo e pelas leituras. Aproveito para convidá-los diretamente a compartilharem uma informação crítica acerca de quem somos, do que tratamos e dos planos que temos para o Fort Russ News.

Há muitos sites que realizam coberturas sobre a Rússia e o Eixo da Resistência – e cada um de vocês tem sua própria perspectiva sobre eles. Não obstante, vocês escolheram o Fort Russ e isso é muito significativo para nós! O apoio contínuo, o feedback e os comentários, além das críticas, nos ajudam ao longo do caminho.

Acreditamos que vocês estão conosco em virtude da qualidade da cobertura, das notícias frescas sobre eventos mundiais e das traduções originais dos blogueiros e analistas mais populares da Eurásia, que não podem ser encontradas em outros cantos da internet. Mas como vocês devem ter notado, somos mais do que um site de notícias. Não nos limitamos a cobrir o Eixo da Resistência – somos parte dele. E o fato de vocês compartilham nossas análises e notícias de modo amplo faz com que vocês também sejam.

Somos soldados políticos, guerrilheiros da informação, dedicados a trazer conteúdo crítico ao público, de modo que decisões bem informadas possam ser tomadas. E, certamente, neste momento, possuímos decisões difíceis a tomar.

Vários sites populares são, na verdade, meros agregadores de conteúdo. Não consistem em uma ‘organização geradora de notícias’ como o Fort Russ – são apenas robôs que coletam postagens de fontes já disponíveis. Isso impõe algumas questões complexas para nós, bem como alguns grandes desafios.

Tais veículos sobrevivem como parasitas/urubus: na ausência portais capazes de gerar conteúdo (como o Fort Russ), eles não teriam nada para canibalizar. Sendo mais claro, nem todos os agregadores de notícias são parasitas – nós descreveríamos nossa relação com estes outros como simbiótica.

Não estamos aqui para dar ordens aos nossos bem informados leitores acerca do que ler ou não. Sabemos muito bem que nossos seguidores dedicados compreendem a batalha diária que o nosso grupo empreende no sentido de conseguir furos, separar notícias reais e falsas e trabalhar em traduções difíceis (de línguas como o russo e o árabe).

Chegamos a um ponto em que possuímos uma equipe editorial altamente competente. Não tenho vergonha de dizer que tenho orgulho do nosso time. Todos os nossos camaradas não são apenas escritores de manchetes: são jornalistas e editores – e não para por aí. Todos na equipe possuem especialização universitária em campos correlatos como direito, relações internacionais, ciência política – e não nos esqueçamos do nosso filologista residente, professor Tom Winter. Isso significa que, quando estamos buscando furos, acompanhando histórias e buscando manchetes de locais em ebulição (como Síria, Iraque e Donbass), além de determos certo grau de especialização, não estamos caminhando cegamente e fora de um contexto específico.

Muitos dos que se passam por jornalistas hoje são apenas estenógrafos por poder. E isso está longe de ser algo útil em termos de jornalismo verdadeiro: este, por sua vez, pressupõe um conhecimento íntimo do do material levantado, assim como uma perspectiva crítica, capaz de separar o joio do trigo.

Quando o Fort Russ foi fundado no final de 2014 como um blog simples, porém avançado, administrado por uma mãe de quatro crianças, K. Kharlova, juntamente com alguns de seus amigos, incluindo a mim, nosso único objetivo era publicar notícias frescas e histórias relevantes, especialmente sobre Rússia, Novarrússia e Ucrânia. Reportagens que não poderiam ser encontradas em outros cantos da internet.

O que vocês não devem saber é que, desde o primeiro dia, mantemos uma independência feroz em relação a qualquer controle exercido por instituições externas, governos ou entidades corporativas.

Houve dias em que queimamos refeições e viramos noites tentando imaginar como fazer o portal funcionar e continuar funcionando.

Alguns anos atrás, a então Secretária de Estado Hillary Clinton fez um pronunciamento oficial, alegando que os Estados Unidos estavam perdendo a guerra de informação. Essa foi uma baita admissão e algo que podia ser constatado por todos como sendo uma coisa drasticamente verdadeira. E assim nós podemos afirmar, evidentemente, que se o governo dos EUA, a Reserva Federal (da propriedade privada) e o complexo militar-industrial estão perdendo a guerra de informação, então os americanos comuns estão ganhando.

Dito isto, nós precisamos entrar em alguns assuntos de grande relevância e rigor com vocês.

Em maio, nós fomos atacados: outra rodada de ataques do Facebook e da mídia corporativa controlada, como havíamos relatado na época. Nós também passamos por isso no final do governo Obama. Porém, no período entre janeiro a maio de 2017, certamente houve uma intensificação dos esforços do inimigo.

Nós apenas abordamos a natureza destes ataques no último mês de maio. Não eram apenas ataques virtuais, mas incluíam tentativas de infiltração: agentes do caos enviados pessoalmente para causar estragos em diversas ocasiões aqui em Belgrado. Na verdade, agora que juntamos as peças, podemos dizer que estamos lidando com esse tipo de coisa desde 2015. Desde então, houve várias tentativas.

Um desses agentes, com o nome de Harmon, era amigo e apoiador do Fort Russ, e de projetos relacionados, e acabou se tornando membro do culto da Ordem dos Nove Ângulos: um projeto britânico de subversão e inteligência da M15, liderado por David Myatt (que é conhecido em alguns círculos como Anton Long). Este indivíduo escreveu alguns artigos para o Fort Russ durante um breve período em maio de 2017. Suas tentativas de desencorajar nosso trabalho, de arruinar nossa moral através de vários métodos, falharam, até a sua morte misteriosa, vários dias depois de sua tentativa final de desordem. Seu corpo em decomposição foi encontrado em seu apartamento em Belgrado pelas autoridades locais uma semana depois. Ele foi encontrado com um passaporte, não apenas americano, mas também israelense.

Há um pouco mais de onde isso veio, e talvez algum dia escrevamos a respeito.

Como resultado, agora levamos nossa segurança muito mais a sério. Estamos abertos a qualquer tipo de assistência de especialistas (confiáveis) no campo. Estamos em processo de aquisição de câmeras de segurança e equipamentos de depuração.

Fizemos um apelo direto aos leitores e apoiadores do Fort Russ em maio, quando passávamos por sérios problemas. Os Clinton e seus patrões estão redobrando seus esforços e estão trabalhando incansavelmente para criar jardins murados [walled gardens] que limitem o nosso alcance, câmeras de eco de audiência que impeçam que nossa mensagem escoe para além do nosso foco principal de várias dezenas de milhares de leitores diários. O alcance de nossos leitores não é pequeno, é bom e até mesmo ótimo em certos padrões, mas também não é o suficiente. Nossa atitude é a de que devamos perseverar e ser implacáveis até que o imperativo da vitória final seja alcançado.

Ficamos entusiasmados quando recebemos um fluxo inesperado de suporte, em resposta ao nosso pedido de maio de 2017. Foi ele que garantiu que estivéssemos com vocês ainda hoje. De certa forma, foi algo grandioso e, ainda que como um impulso moral, foi um impulso considerável. De uma chamada única, embora crítica, algo em torno de US$ 1.500 chegou dentro de um período de 48 horas. Isso nos permitiu liquidar algumas dívidas de nossa organização-mãe e pagar nossos editores especialistas.

Quero reiterar mais uma vez que todos em nossa equipe têm educação e experiência para trabalhar para qualquer corporação importante e ganham literalmente 20 vezes mais (2000%) trabalhando para uma empresa ocidental. Não digo por outra razão senão demonstrar o compromisso de nossa equipe e o sacrifício que ela faz – não apenas uma vez, mas todos os dias e no cotidiano. Também sabemos que qualquer um de vocês, nossos leitores, fazem sacrifícios semelhantes: o que é feito com orgulho e com zero de arrependimento: talvez isso seja parte do que significa ser uma boa pessoa no mundo tal como existe hoje.

Não podemos agradecer a todos o bastante. Essas mesmas palavras não são suficientes para expressar isso.

Sabemos que existem sites que agregam e agrupam notícias e que concentram as energias de seu único ser humano real em arremessar coisas aos leitores. Chamamos isso de mendicância eletrônica, e talvez estejamos errados em acreditar nisso, mas sempre nos pareceu indigno, na melhor das hipóteses, e até mesmo desonesto, na pior das hipóteses, quando a “notícia” publicada consiste apenas em copiar e colar/agregar e reunir de sites reais, que redigem suas notícias, como o Fort Russ.

Sim, a “economia” da internet é o capitalismo em geral e certamente funciona contra o nosso modelo. Nosso modelo foi projetado, não para o mundo em que vivemos, mas para um mundo em que devemos viver. (Admitimos que isso é um pouco idealista e talvez até insustentável. Mas nós sabemos que nossos leitores entendem que nossos sacrifícios para manter tudo isso – de vocês e nosso – valem a pena a luta).

Nós percebemos que, dada a realidade da nova mídia, onde a corporatocracia coincide com as maiores redes de publicidade para esmagar vozes de resistência como a nossa, precisamos repensar continuamente nossas táticas, re-designar nosso site para ser mais atrativo e nos esforçar para expandir nosso alcance em novos campos de multimídia, usando métodos novos e criativos. Boas palavras e ideias – mas a implementação é difícil.

Nós admitimos que somos muito humildes para pedir uma outra rodada de suporte de vocês. Então não vamos fazê-lo. As remessas de doação nunca são recomendadas em contextos tão verbais e detalhados!

Em vez disso, vamos remunerá-los e compartilhar com vocês algumas das coisas que planejamos fazer a partir da próxima temporada de inverno.

Em primeiro lugar, vamos conectar mais claramente todos os nossos projetos, da nossa ampla rede de analistas e especialistas, soldados políticos, em uma base mais regular aqui no Fort Russ. Temos amigos, aliados e contatos em todo o mundo, que conhecemos pessoalmente e que vocês já conhecem de vários outros meios de comunicação contra-hegemônicos, sejam de origem estatal (RT, Press TV, Telesur, etc.) ou independentes.

Vocês verão mais dos conhecidos e premiados analistas e personalidades que você já viu e ouviu lá no mundo do jornalismo real. Nós também vamos promover vozes novas: especialistas e personalidades – que estão em ascensão e chegando, uns mais jovens e outros mais velhos – que mal chegaram e já estão mostrando sua bagagem de conhecimentos e sua oposição à atual Desordem do Novo Mundo.

O Fort Russ opera como a ala de notícias diárias do Center for Sycretic Studies [CSS]. O CSS é um think tank fundado em 2013 sobre a diretriz principal de que a humanidade e os sistemas de crença (religiões e ideologias) são inseparáveis e estão em constante mudança. Em vez partir de uma visão negativa destes fatos da vida, nós os abraçamos. A crença na ideologia como uma categoria que pode ser transcendida é, em si mesma, uma crença ideológica: uma enganação promovida pela ideologia do Liberalismo.

Logo e selo do CSS

O movimento político que nós apoiamos – a Nova Resistência – também é um componente importante em nossa empreitada por promover uma leva de soldados políticos nesta geração, armados com um arsenal de batalha correto. Divisões autônomas e crescentes surgiram em diversos lugares ao redor do mundo (diferentes entre si como o dia e a noite), incluindo Brasil, França, Itália, Inglaterra e os EUA. Dito isto, a NR adota uma abordagem e uma atitude amigável em relação a todos os movimentos de resistência ao redor do mundo, independentemente de ideologia – desde que não se trate de marionetes de banqueiros ou de esquemas de revoluções coloridas.

Cartaz da divisão brasileira da Nova Resistência

Os sistemas de crença continuam a evoluir, e estamos interessados em compreender tais mudanças e avançar sobre elas, já somos parte concreta da construção destes sistemas. Parte disso significa mover-se para além das políticas e categorias obsoletas e divisórias de “esquerda e direita”. Por essa razão, nossos críticos muitas vezes nos acusam de ser pró-esquerda ou pró-direita. Nós não somos: somos pró-humanos.

Isso envolve, talvez, uma transvalorização de todos os valores até agora existentes. Pode envolver uma compreensão de que algumas das crenças e dos valores do passado, que os plutocratas publicamente ensinaram, são meras relíquias da história, é uma compreensão que pode realmente nos salvar no futuro.

Isso também envolverá o respeito e a compreensão do passado, das sociedades antigas e das culturas tradicionais, não reduzindo nossa influência e inspiração a qualquer locus único. Significa defender o direito dos povos do mundo em direção à autodeterminação, e defender um ecossistema global de diversidade e beleza. Estamos aprendendo o que a beleza significa e o que significa trazer a beleza ao mundo: o que envolve o entendimento de que existem “possuidores e desapossados”, e que a distribuição atual de riqueza, dos recursos e do poder no mundo não se assemelha em nenhum grau ao que qualquer um pode chamar de justo ou mesmo de sustentável.

Sem forçar muito, podemos afirmar que a saúde futura das civilizações do planeta exige uma mudança completa em várias áreas. O sistema global do imperialismo, como tal, por exemplo, geralmente bem descrito pela esquerda radical, é o fenômeno que mais ameaça a justiça e a sustentabilidade neste planeta.

Em segundo lugar, estamos envolvidos atualmente em um redesenho maciço do site, que se tornará mais agradável, com carregamento mais eficiente, com uma apresentação mais limpa, bem como com uma aparência mais inteligente para tablets e smartphones.

Estamos lançando uma rodada de notícias em vídeo, que pode eventualmente ir ao ar diariamente, que será uma característica integrada do novo site. O orçamento para isso a princípio será baixo, e avaliaremos a reação dos espectadores, aumentando nosso orçamento de acordo esse dado.

Em conexão com isso, uma vez que somos, na verdade, uma meia dúzia de jornalistas reais, nós vamos aumentar nossa “presença em pessoa” e melhorar nossa conexão com os leitores. Aqui no Fort Russ, todos são tremendamente reais e simpáticos, cada qual com uma abordagem única sobre os eventos mundiais (na medida em que estes se desenrolam). Ouviremos mais diretamente deles e eles se conectarão mais diretamente com vocês.

Vamos facilitar o compartilhamento geral de artigos e desenvolver um programa de incentivo aos que acompanham o nosso “Exército Fort Russ”: você ganhará mercadorias, livros, revistas, camisetas e canecas do Fort Russ, do CSS e da Nova Resistência.

Finalmente, e de forma pragmática, vamos construir melhores relacionamentos com novos anunciantes, bem como uma publicidade mais bem adaptada à nossa linha editorial. O monopólio do Google e do AdSense não é apenas corporativista, mas também um projeto de inteligência com o selo OTAN-sionismo, destinado a modificar a maré da guerra da informação em favor dos poderes constituídos: acreditamos que, a qualquer momento, seremos banidos do Twitter e do Facebook. E aí você não vai nos ver colocar o rabo entre as pernas e correr (caso isso aconteça). Ao contrário, isso irá endurecer nossa determinação.

Temos tudo a ganhar e nada a perder. O Fort Russ marcha para frente – nunca para trás!

Muito sinceramente,

Joaquin Flores, 
Editor Chefe, Fort Russ News

Joaquin Flores

Analista político, jornalista, editor chefe do jornal Fort Russ, diretor do Center for Syncretic Studies e coordenador geral da Nova Resistência na Europa.

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