O identitarismo é o antídoto para o racismo:

Até agora, o fenômeno do racismo não foi devidamente compreendido em sua essência.

Ele não significa a preferência pelo que é similar a si. Ele não é o desejo de preservação racial ou o orgulho racial. Ele não é uma relação sociológica de poder. Todas essas explicações são extremamente parciais e superficiais e, usualmente, servem, não para compreender um fenômeno, mas já como “veículo” de uma opinião política específica.

O racismo é, fundamentalmente, o estabelecimento de uma “régua universal” por meio da qual se pretende julgar todos os povos, de modo que uns sejam avaliados como superiores, enquanto outros sejam avaliados como inferiores, atribuindo-se a esse juízo um valor absoluto e intrínseco.

Neste sentido, o racismo é fundamentalmente moderno, na medida em que está atrelado às tendências político-ideológicas universalistas e às relações sócio-econômicas que só passaram a surgir com o advento da modernidade. Do mesmo jeito, a modernidade e o universalismo são indissociáveis do racismo.

Se todos os homens são iguais pelo fato da possuírem uma “razão”, e as diferenças entre eles são superficiais e irrelevantes, se essa “razão”, enquanto dom universal, deve ser o guia das decisões humanas e, portanto, para todas as questões há apenas uma resposta certa dada por esta “razão”, então o mundo está dividido, efetivamente, entre povos superiores e inferiores.

O que varia são os tipos de racismo e, por isso, mesmo a maioria esmagadora dos antirracistas são também, eles próprios, racistas. Onde há atitudes universalistas do tipo que enxergam alguns povos como “atrasados” ou “retrógrados”, e outros como “evoluídos”, temos tanto racismo quanto o que se vê no racismo biologicista.

Assim, todas as teorias políticas modernas, sem exceção, da primeira à terceira, são racistas em alguma medida. Muda-se apenas o tipo de racismo, mas não a factualidade do racismo, pelo simples fato de todas elas terem pretensões universalistas e partirem de pressupostos supostamente universais.

A realidade, porém, aponta para a impossibilidade do estabelecimento de uma única “régua universal” (a não ser que se queira recorrer a uma petição de princípio). Para que pudéssemos selecionar um único critério para julgar os feitos históricos de todos os povos do mundo, teríamos, necessariamente, que nos situar fora do mundo, fora da história e fora do pertencimento a qualquer povo.

Um mínimo de ceticismo, portanto, já refuta todas essas pretensões. Não existe “povo evoluído” porque simplesmente não há critério absoluto para avaliar os povos dessa forma. Há dezenas, centenas ou milhares de critérios diferentes, que situam povos diferentes em posições diferentes, pelo simples fato de que os diferentes povos possuem distintas preferências, interesses, aptidões, etc.

Assim, o identitarismo aparece, não como sendo algum tipo de “racismo light” ou qualquer coisa semelhante, mas sim como a única e possível antítese do racismo. Se o racismo é a consequência inevitável do universalismo, o identitarismo, com seu reconhecimento da essencialidade das diferenças humanas, e da impossibilidade de julgar os povos com um único critério universal, é o único antirracismo real.

Fora disso, não importa se o racismo se traveste de humanitarismo preocupado com direitos de mulheres em países islâmicos; se o racismo se traveste de preocupação com a situação das “forças produtivas” em países de terceiro mundo; se o racismo se traveste de “ativismo democrático”, não muda a essência do fenômeno, que é o estabelecimento de um critério de pretensões universalistas que situa uns povos como superiores, evoluídos, iluminados e outros como inferiores, atrasados, ignorantes.

O identitarismo é, portanto, uma posição fundamentalmente realista perante o fenômeno da diversidade humana e o único antídoto possível para o racismo.

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