‘A morte dos EUA seria uma vitória para toda a humanidade’, entrevista com James Porrazzo, coordenador geral da New Resistance nos EUA:

Nos Estados Unidos, apesar da massiva lavagem cerebral empregada pela ideologia globalista, há pessoas que pensam diferente. Tesha Teshanovic conversou com James Porrazzo, líder antiglobalista da New Resistance. A New Resistance é uma rede estruturada de ativistas políticos que se reuniram para lutar contra o capitalismo e o imperialismo estadunidense.

Teshanovic: O imperialismo estadunidense, nos últimos vinte anos, tem causado muitos danos ao povo sérvio. Qual é sua opinião acerca da luta sérvia contra o imperialismo ocidental?

Porrazzo: Sempre apoiei pessoalmente, desde os anos 90, a heroica luta do povo sérvio. Os sérvios sofreram uma extrema injustiça nas mãos da globalização capitalista ocidental. É um grande crime, e se algum dia houver um tribunal internacional para crimes de guerra, no julgamento deverão estar o assassino que ordenou e levou a cabo o bombardeio à Sérvia e apoiou as forças anti-sérvias na Bósnia e em outras lugares.

A política do governo para a Sérvia foi a mesma história de sempre: corruptos, mutilam e roubam todos os antigos países comunistas do Leste Europeu para prevenir a formação de uma aliança anti-globalização na Eurásia. Todo sérvio que acredita na liderança psicopata dos Estados Unidos comete um grande erro.

T: Um dos maiores problemas da atualidade é o imperialismo estadunidense, cujos efeitos negativos podem ser vistos em todos os lugares. O que criou a necessidade de os Estados Unidos se tornarem a polícia do mundo? Você poderia, por favor, nos dizer algo sobre os anglo-saxões e sua mentalidade evangelizadora e proselitista que criou a base da política dos Estados Unidos?

P: O desejo de poder e a ganância inesgotável. O conluio entre as elites anglo-saxãs e seus irmãos sionistas que ocorre dentro do governo dos Estados Unidos, tanto em sua elite visível como na invisível, é constatada no mundo inteiro, bem como por aqueles que vivem dentro de suas fronteiras, como escravos, como um recurso dispensável que está lá para servi-los. Chamar os membros da elite de de “demônios” seria insuficiente para descrevê-los. Sua hipocrisia não tem limites. Basta olhar as notícias para ver que tipo de monstros foram criados ao redor do mundo. Na Síria, eles armam psicopatas canibais contra o Exército sírio e ainda têm coragem de chamar de “terroristas e criminosos” os combatentes que lutam pela liberdade da Novorossiya. Se o investimento nesse jogo não fosse tão elevado, a situação seria quase ridícula.

T: O governo dos Estados Unidos e seus críticos internos acreditam na economia liberal. Por que os estadunidenses estão tão obcecados com o livre mercado? Qual sua opinião sobre o capitalismo?

P: O capitalismo, o saque institucionalizado, o egoísmo e a ganância são uma espécie de religião para os porcos que governam os Estados Unidos. Os partidos Democrata e Republicano estão unidos nisso, manifestando serem apenas sintomas da mesma doença. A maior parte da oposição de direita por aqui, incluindo a extrema-direita reacionária, está infectada por essa doença. Podemos observar isso nas pessoas que não medem esforços para difamar qualquer organização com um programa social-revolucionário como o nosso. Para nós, o inimigo absoluto é o culto ao bezerro de ouro. Estamos abertos a debater objetivos comuns com todos os anticapitalistas reais. A luta contra o capitalismo deve ser sempre a prioridade.

Que sistema propomos? A New Resistance propõe uma sociedade civilizada, sustentável e justa, onde a economia está subordinada ao bem social.

É correto dizer que o livre mercado é realmente livre? Não, a história mostra que não é.

T: Sua organização é uma das poucas organizações nos Estados Unidos que apoia a luta do povo contra Kiev e os interesses ocidentais. Por que apoiar o Donbass?

P: Enxergamos nisso uma oportunidade real de, ao longo de nossa vida, chegar a ver algumas das nossas ideias implementadas em algo que realmente existe, na luta do povo do Donbass para criar seu Estado. O programa da ideologia social de Donetsk está muito próximo do nosso. Isso pode ser uma vitória para nossa organização, a primeira de uma série de futuras vitórias.

Não há como permanecer em silêncio sobre um assunto tão importante.

T: Nos últimos anos, vivenciamos um período de colapso do Ocidente. Poderia, por favor, nos dizer algo sobre a alienação social, a desmasculinização, o feminismo, o consumo de drogas, a carência de educação, obesidade, morte e outros males sociais criados pelo sistema capitalista e pelos Estados Unidos? Estariam os Estados Unidos avançando para o fim?

P: O Sonho Americano se parece mais com um filme de terror apocalíptico. Todas as coisas que você mencionou, assim como outras, são muito comuns aqui. Algo ruim pode te acontecer a qualquer momento e com frequência.

Há muitas pessoas que resistem a essas influências, obviamente. Porém, estamos, estritamente falando, atrás das linhas inimigas. O inimigo controla toda a polícia e o exército serve lealmente aos seus ideais venenosos. Grande parte das massas acredita que o sistema está correto.

Mas a história demonstra que as coisas podem mudar em pouco tempo. Uma faísca pode causar um incêndio florestal: buscamos ser a faísca.

Se os Estados Unidos vão desaparecer? É nossa esperança, lutamos por isso por todos os meios. A morte dos Estados Unidos seria uma vitória para toda a humanidade.

T: Você se considera um tradicionalista, mas muitos dos seus ídolos políticos são de esquerda (Che Guevara, Mao Tsé Tung, Allende, Castro, Chávez). A diferença entre direita e esquerda ainda é relevante? O anticomunismo é apenas uma das outras loucuras americanas? É possível a reconciliação entre direita e esquerda?

P: Provavelmente, 90% das minhas ideias vêm da esquerda. Entre aquelas que são consideradas de direita, estão as de Dugin, Benoist e Thiriart, que são bastante relevantes. No entanto, não os vejo como sendo realmente de direita.

Nos importamos apenas com o que está correto. Os objetivos da “direita” não estão, geralmente, corretos [no original, há um jogo de palavras com a palavra “right”].

Não acho que seja relevante o fato de eu me considerar um tradicionalista, apensar de que aqueles que apreciam Evola, Guenon ou Danielou se sentem hoje bastante confortáveis em nossos círculos.

O anticomunismo é uma armadilha? Sim, claro. Novamente, os anticomunistas servem apenas como cães de caça para os capitalistas. Olhe para o Pravyy Sektor, coberto de runas, usando slogans nazistas, carregando imagens de Bandera, enquanto são mantidos na coleira pelo oligarca Kolomoysky, que, ironicamente, é um notório judeu. É exatamente assim que funciona o anticomunismo estúpido. Alguma vez esses grupos já atiraram uma pedra contra os capitalista? Seria bom ver a reconciliação entre o que é correto na política de direita, e os direitistas que se opõem ao capitalismo o suficiente para combatê-lo, com os esquerdistas que são corajosos o suficiente para suturar seus valores sociais da influência do liberalismo. Essa reconciliação seria um sonho tornado realidade.

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