O pan-identitarismo radical de Malcolm X:

O pensamento radical e pan-identitário de Malcolm X apoia-se na tese de que o ser humano, considerado do ponto de vista étnico e racial, tende naturalmente a estar próximo dos seus semelhantes, isto é, a comungar e a desenvolver vínculos com aqueles que julga como sendo “os seus”.

 

Havia um padrão de cores nas imensas multidões. Uma vez que eu percebi isso, eu passei a observá-lo de perto daí em diante. Ser da América me fez intensamente sensível a questões da cor. Eu via pessoas que se pareciam todas juntas e permanecendo juntas na maior parte do tempo. Isso era totalmente voluntário: não havia qualquer outra razão para isso. Africanos ficavam com africanos. Paquistaneses com paquistaneses. E daí em diante. Eu coloquei na cabeça que, quando voltasse [da peregrinação pela Meca], diria isso aos americanos: que onde havia verdadeira irmandade entre todas as cores, onde ninguém se sentia segregado, onde não havia complexo de “superioridade” ou de “inferioridade”, então, voluntariamente, naturalmente, as pessoas do mesmo tipo se sentiam atraídas por aquilo que tinham em comum” (Autobiografia de Malcolm X, 1965).

 

Dizendo de outro modo, antropologicamente, pensa X, o ser humano possui uma propensão natural e voluntária a se “auto-segregar”, tendo em vista o seu pertencimento a um determinado arranjo identitário.

Pesquisas do IBGE já demonstraram a solidez desta perspectiva na realidade brasileira: o brasileiro médio tende a se casar com pessoas com o mesmo perfil racial. Diversos achados em todo mundo mostraram resultados semelhantes. A vontade de manter intocadas suas raízes e de preservar suas identidades é basicamente um fato apodítico sobre o consciente coletivo dos povos.

É neste sentido que Malcolm X, em sua famosa Mensagem a Grass Roots, ao discorrer sobre o verdadeiro sentido da Revolução, afirmava:

 

Um revolucionário quer Terra para que possa criar a sua própria Nação, uma nação independente.

 

A Nova Resistência endossa a perspectiva de Malcolm X. Em uma sociedade livre das amarras e das opressões de classe, as pessoas tendem a se organizar a partir dos seus próprios sensos de pertencimento comunitário (étnico, racial, religioso e civilizacional). É óbvio que a dinâmica interna dos povos admitirá cruzamentos, misturas, interseções. No entanto, nada disso consistirá em uma regra geral, mas será fruto de idiossincrasias locais, inclinações pessoais e contingências, não porque forças superiores assim quiseram (ao bem da verdade, elas querem o contrário), mas por causa de um impulso humanamente relevante e perene de continuar o legado dos nossos ancestrais.

Viva ao pensamento pan-identitário de Malcolm X!

Deixe uma resposta